Financiamento estruturado pelo Itaú BBA terá prazo de sete anos e será aplicado na recuperação produtiva de áreas degradadas e na implantação de irrigação por gotejamento no Vale do São Francisco
(Foto: Agrovale)
A Agroindústrias do Vale do São Francisco (Agrovale) obteve financiamento de aproximadamente R$ 200 milhões para recuperar áreas degradadas de canavial e implantar sistemas de irrigação por gotejamento no semiárido baiano.
Com prazo de sete anos, a operação foi estruturada e financiada pelo Itaú BBA no âmbito do segundo leilão do Programa Eco Invest Brasil.
O projeto é a primeira operação desse leilão destinada à recuperação produtiva de áreas degradadas no bioma Caatinga. A iniciativa, porém, não consiste na restauração da vegetação nativa: os recursos serão empregados na recuperação de áreas agrícolas já ocupadas por canaviais e na modernização do sistema de irrigação.
Localizadas em uma região com precipitação média anual de cerca de 400 milímetros, as lavouras da empresa dependem da irrigação para manter a produção.
A adoção do gotejamento deverá permitir melhor aproveitamento da água, ao direcioná-la de forma mais precisa para as plantas, além de contribuir para a recuperação da capacidade produtiva do solo.
Segundo as informações divulgadas pelo Itaú BBA, o projeto busca melhorar a qualidade do solo, ampliar sua capacidade de retenção de matéria orgânica e reduzir as emissões de gases de efeito estufa associadas ao sistema produtivo.
A instituição estima que a produção nas áreas contempladas poderá registrar incremento de aproximadamente 223% em comparação com os sistemas convencionais de irrigação praticados na região.
A receita estimada ao longo da execução do projeto é de cerca de R$ 1,3 bilhão. O comunicado não informa a extensão total das áreas que receberão os investimentos.
“Acreditamos que mecanismos financeiros como este são fundamentais para ampliar o acesso a capital destinado à transição para uma economia de baixo carbono, viabilizando investimentos que elevam a produtividade, promovem o uso mais eficiente dos recursos naturais e fortalecem a competitividade do agronegócio brasileiro no longo prazo”, afirma Pedro Fernandes, diretor de Agronegócio do Itaú BBA.
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Produção e uso da água
Com sede em Juazeiro, na Bahia, a Agrovale atua na produção de açúcar, etanol e energia elétrica a partir da cana-de-açúcar. A empresa está instalada no Vale do São Francisco, região onde a disponibilidade e a gestão eficiente da água são fatores decisivos para a atividade agrícola.
Para Juliana Alves, superintendente administrativo-financeira da Agrovale, o financiamento permitirá conciliar a modernização das lavouras com ganhos ambientais e econômicos.
“A operação reforça nosso compromisso com uma produção cada vez mais eficiente e sustentável. Este projeto permitirá modernizar nossas operações, aumentar a produtividade das áreas cultivadas e otimizar o uso da água, gerando benefícios ambientais e econômicos de longo prazo”, declara a executiva.
Em sua comunicação institucional, o Itaú BBA resume a iniciativa como uma conexão entre “produtividade, eficiência hídrica e impacto positivo para o futuro do agronegócio brasileiro”.
O banco afirma ter estruturado e financiado a operação para apoiar a recuperação dos canaviais e a modernização da irrigação.
Como funciona o Eco Invest
Criado pelo Governo Federal, o Eco Invest Brasil utiliza mecanismos de financiamento combinado — ou blended finance — para reduzir o custo do capital e estimular a entrada de recursos privados em projetos associados à transformação ecológica.
O segundo leilão do programa foi direcionado à conversão ou recuperação de terras degradadas em sistemas agropecuários e florestais sustentáveis. Segundo o BNDES, a linha também busca incentivar a regularização ambiental e a restauração ecológica, além de gerar resultados ambientais, econômicos, sociais e climáticos.
No modelo oferecido pelo banco de desenvolvimento, os recursos catalíticos do Eco Invest precisam ser complementados por financiamento do BNDES.
Para operações indiretas, o custo inclui taxa financeira de 1% ao ano, taxa do BNDES de 1,4% ao ano e remuneração negociada entre o agente financeiro e o cliente. As condições específicas do contrato celebrado pela Agrovale não foram detalhadas publicamente.
No caso da empresa baiana, o Itaú BBA atuou como estruturador e financiador. A operação insere a Caatinga na carteira de projetos apoiados pelo segundo leilão e direciona recursos para um dos principais desafios da agricultura no semiárido: recuperar a produtividade de áreas já cultivadas utilizando a água de maneira mais eficiente.
Fontes: Iatú Unibanco, Itaú BBA e BNDES








