Uma alimentação rica em nutrientes específicos pode ser uma aliada na prevenção de danos causados pelos raios ultravioletas (Foto: Agência Brasil).
Com a chegada do verão e o aumento do tempo ao ar livre, com muitas viagens, idas à praia e blocos de carnaval, a exposição ao sol se intensifica — e, com ela, os riscos para a saúde da pele.
Embora o uso diário do protetor solar seja indispensável, especialistas alertam que a fotoproteção vai além dos cuidados externos. A alimentação, rica em nutrientes específicos, pode funcionar como uma aliada poderosa na prevenção de danos causados pelos raios ultravioletas (UV).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de pele é o tipo mais comum no mundo, representando cerca de um em cada três diagnósticos de câncer.
Esse dado reforça a necessidade de estratégias integradas de prevenção, que combinem hábitos saudáveis, proteção tópica e uma dieta equilibrada.
“A fotoproteção é multifatorial. Não se trata apenas de passar protetor solar, mas também de fortalecer o organismo de dentro para fora. Nutrientes antioxidantes ajudam a neutralizar os radicais livres gerados pela exposição solar, prevenindo manchas, rugas e até alguns danos celulares mais profundos”, explica a dermatologista Lorena Mesquita.
Os radicais livres são moléculas instáveis produzidas, entre outros fatores, pela radiação solar. Em excesso, eles aceleram o envelhecimento da pele e contribuem para alterações celulares mais graves.
É nesse ponto que a alimentação exerce um papel fundamental, fornecendo compostos capazes de combater esse processo.
A nutróloga Marcela Reges, destaca que não existe atalho quando o assunto é saúde da pele. “A base para uma pele saudável e protegida sempre será a alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, boas fontes de proteínas e gorduras. Cápsulas não substituem a nutrição natural que vem dos alimentos, elas podem complementar, mas nunca ocupar o lugar da comida de verdade”, afirma.
Os nutrientes que ajudam a proteger a pele
As especialistas listaram 12 nutrientes considerados essenciais para reforçar a proteção natural da pele durante os períodos de maior incidência solar. A maioria deles atua como antioxidante, ajuda na regeneração celular e contribui para uma aparência mais firme e luminosa.
A vitamina C, encontrada em frutas cítricas, acerola, kiwi e pimentão, auxilia na produção de colágeno e tem forte ação antioxidante.
Já a vitamina E, presente em castanhas, amêndoas, sementes e azeite de oliva, protege as membranas celulares contra danos oxidativos.
Outro destaque é o licopeno, abundante no tomate, na melancia e na goiaba, conhecido por seu efeito fotoprotetor e pela capacidade de reduzir a vermelhidão após a exposição solar.
O betacaroteno, presente na cenoura, abóbora e manga, contribui para a pigmentação da pele e aumenta a resistência aos raios UV.

Presente na cenoura, o betacaroteno ajuda no bronzeado ao mesmo tempo em que protege dos raios UV. Foto: Henrique Carvalho/Embrapa
Os polifenóis, encontrados no chá-verde, cacau e frutas vermelhas, combatem processos inflamatórios e reduzem os danos oxidativos causados pelo sol.
O ômega-3, presente em peixes de água fria como salmão e sardinha, além de linhaça e chia, ajuda a manter a integridade da barreira cutânea, prevenindo inflamações e ressecamento.
Entre os minerais, o selênio se destaca por atuar em enzimas de defesa celular e contribuir para a redução dos danos causados pelos radicais livres.
O selênio está presente em alimentos como castanha-do-Pará (a mais concentrada), peixes (atum, salmão, sardinha), carnes (bovina, frango), ovos, frutos do mar (ostras, caranguejo), cogumelos, laticínios, arroz integral, pão integral, feijão e até chocolate amargo e sementes como girassol.

A castanha-do-Pará é amplamente reconhecida como o alimento com a maior concentração de selênio. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Já a astaxantina, um carotenoide de potente ação antioxidante e anti-inflamatória, tem sido associada à proteção contra o fotoenvelhecimento, rugas e manchas.
Alguns compostos específicos também ganham espaço nas recomendações médicas.
O Polypodium leucotomos, extrato de uma samambaia tropical, possui ação antioxidante e imunomoduladora, sendo utilizado como adjuvante na fotoproteção.
A luteína,um carotenoide presente em vegetais verdes escuros, como espinafre, couve, brócolis e rúcula, e nos ovos (gema), protege a pele e os olhos contra a luz visível e a radiação azul.
A nicotinamida, forma da vitamina B3, atua na reparação do DNA celular e está associada à redução do risco de queratoses actínicas e de câncer de pele não melanoma em grupos de risco.
Por fim, o picnogenol, extrato do pinheiro marítimo francês, rico em polifenóis, melhora a microcirculação, aumenta a elasticidade da pele e auxilia na proteção contra a radiação UV.

A luteína é um carotenoide presente em vegetais verdes escuros, como a couve. Foto: Zineb Benchekchou/Embrapa
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Especialistas reforçam que nenhum alimento substitui o uso do protetor solar ou outros cuidados, como evitar exposição prolongada nos horários de pico e usar roupas adequadas.
No entanto, uma dieta rica nesses nutrientes pode potencializar a defesa natural do organismo e contribuir para uma pele mais saudável durante o verão.
Em tempos de sol intenso, a mensagem é clara: proteger a pele não é apenas um gesto diário diante do espelho, mas também uma escolha feita à mesa.








