Nutrientes como proteínas, ferro, vitaminas e gorduras boas estão entre os mais importantes para a saúde capilar (Crédito: freepik)
A queda de cabelo nem sempre começa no couro cabeludo. Em muitos casos, ela reflete alterações nutricionais, metabólicas e hormonais que se instalam antes mesmo de os fios começarem a cair. Segundo a médica nutróloga Mariana Wogel, a alimentação tem papel importante nesse processo porque o folículo piloso é um tecido de alta renovação e depende de oferta constante de energia, proteína, vitaminas e minerais para se manter ativo.
Conforme explica a nutróloga, o fio de cabelo é formado principalmente por queratina, uma proteína estrutural cuja produção depende de matéria-prima adequada. “Quando a alimentação fica restrita, pobre em proteína ou carente de micronutrientes, o organismo tende a priorizar funções vitais, e o cabelo pode entrar em segundo plano. Em situações assim, o folículo piloso se torna mais vulnerável a afinamento, quebra e queda difusa”, detalha.
Entre os nutrientes mais associados à saúde capilar estão proteína, ferro, zinco, vitamina D, vitamina B12, folato, vitamina C e vitamina E. O ferro participa da oxigenação dos tecidos e da nutrição dos folículos; o zinco atua na síntese proteica e na divisão celular; a vitamina D se relaciona ao ciclo de crescimento capilar; e vitaminas do complexo B participam da renovação celular e da formação dos fios.

Quando a alimentação fica restrita, pobre em proteína ou carente de micronutrientes, o organismo tende a priorizar funções vitais, e o cabelo pode entrar em segundo plano. Foto: izhar-ahamed/Pixabay
Segundo a especialista, isso ajuda a explicar por que dietas muito restritivas e emagrecimento acelerado costumam impactar os cabelos. O eflúvio telógeno, forma comum de queda difusa, é frequentemente desencadeado por estresse metabólico e deficiência de proteína e ferro, com queda visível aparecendo de dois a três meses após o gatilho inicial. “Em muitos casos, o cabelo funciona como um marcador precoce de que o corpo não está recebendo o suporte nutricional de que precisa. A queda pode ser um dos primeiros sinais de carência”, afirma Mariana.
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Alimentos benéficos
Na prática, segundo Mariana, alguns grupos de alimentos entram na rotina como fontes importantes desses nutrientes. Ovos e carnes magras fornecem proteína, ferro e zinco. Peixes como salmão, sardinha e atum oferecem proteína, ômega-3 e vitaminas do complexo B. Feijão e folhas verde-escuras ajudam no aporte de ferro e folato. Leite e derivados contribuem com proteínas e vitamina B12. Batata-doce, frutas cítricas e abacate também entram na composição de uma dieta que favorece a saúde dos fios, ao oferecer vitaminas antioxidantes e nutrientes ligados à renovação celular.
A médica ressalta, no entanto, que nenhum alimento isolado resolve a queda capilar. O efeito está na combinação alimentar ao longo do tempo, dentro de uma dieta variada, com ingestão proteica adequada e correção de deficiências quando elas existem. Em alguns casos, suplementação pode ser indicada, mas apenas depois de avaliação clínica e, quando necessário, exames laboratoriais.

Alterações hormonais, menopausa, hipotireoidismo, estresse crônico, pós-parto e alopecia androgenética também podem estar por trás do quadro de queda de cabelos. Foto: Magnific
Outro ponto importante, segundo a especialista, é que nem toda queda de cabelo tem causa nutricional. Alterações hormonais, menopausa, hipotireoidismo, estresse crônico, pós-parto e alopecia androgenética também podem estar por trás do quadro. Por isso, quando a queda persiste, o ideal é investigar a origem em vez de apostar apenas em produtos capilares ou suplementação sem orientação.
“Antes de pensar em tratamento ou suplemento, é preciso entender a causa. O cabelo pode refletir deficiência nutricional, mas também pode sinalizar alterações hormonais, metabólicas ou inflamatórias que exigem outra abordagem”, diz.
Por fim, a médica alerta que o cuidado com os fios precisa sair da lógica exclusivamente estética e entrar no campo da saúde. Em outras palavras, cabelos mais fracos, opacos ou com queda aumentada podem ser um reflexo visível de desequilíbrios internos ainda pouco percebidos.








