Em cinco anos, produto da agricultura familiar regional já soma cerca de 350 toneladas exportadas para a União Europeia, Estados Unidos e Oriente Médio, impulsionado pela qualidade certificada e sabor diferenciado
Pequenos produtores do Norte mineiro estão fortalecendo a internacionalização do mel produzido na região. Somente nos primeiros meses de 2026, eles já celebram a exportação de 42 toneladas para países como Suíça, Bélgica e Kuwait.
Dados da Cooperativa dos Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas (Coopemapi), responsável por intermediar as vendas notificam que, desde o início das exportações, em 2022, foram comercializadas cerca de 350 toneladas de mel para os Estados Unidos, União Europeia e Oriente Médio.
O sabor original extraído de plantas de uma área de transição entre o Cerrado e a Caatinga é um dos diferenciais que conquistaram o mercado europeu e árabe. Floradas nativas de café, abacate e aroeira resultaram em méis saborosos e únicos, com um perfil sensorial que possibilitou expandir a variedade do produto. O modo de produção praticamente artesanal é outro fator alinhado à demanda atual dos consumidores europeus, que valorizam produtos certificados e de origem sustentável.

Qualidade certificada e sabor diferenciado do mel do Norte de Minas conquistam paladar estrangeiro Foto – Portal MG Divulgação
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Apoio e qualificação
Iniciativas de apoio e qualificação, incluindo a obtenção de certificações específicas exigidas por compradores estrangeiros, impulsionaram o acesso ao mercado internacional. Neste sentido, o Sebrae Minas atua com os apicultores, desde 2016, por meio de capacitações, estratégias de acesso a mercados e participação em feiras do setor.
Walmath Magalhães, analista do Sebrae Minas informa que, em 2023, a entidade iniciou um processo de consultoria especializada, em parceria com a Coopemapi.
Segundo ele, um profissional contratado mapeou o comportamento do consumidor europeu e identificou oportunidades. O estudo revelou a valorização de méis certificados, voltados à alimentação saudável e com propriedades funcionais.
“Em 2024, levamos um grupo de apicultores para uma missão técnica, na Suíça. Eles perceberam que fatores como embalagem e informações nutricionais são decisivos para a comercialização. Além disso, entenderam que a certificação não aumenta vendas, mas traz credibilidade para alguns mercados”, explica o analista do Sebrae Minas.
Atualmente, a entidade atua no apoio à obtenção das certificações Naturland e Bio Suisse, dois dos mais rigorosos padrões de agricultura orgânica na Europa. “Oferecemos suporte técnico para execução de boas práticas de manejo, garantindo uma produção mais limpa e organizada”, reforça Magalhães.
Ele também adiantou que, para o mês de setembro deste ano, está prevista uma nova missão técnica para a Inglaterra e norte da Alemanha.

Floradas nativas de café (foto), abacate e aroeira resultaram em méis saborosos e únicos Foto Embrapa/Divulgação
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Expansão e mercado internacional
O apicultor Gilson Gonçalves Ferreira, de 49 anos, celebra o aumento na produção do mel em 15 vezes nos últimos sete anos e, também, o envio do produto para o mercado externo. “A produção inicial era de 100 quilos a cada seis meses. Hoje, são 1,5 mil quilos e um crescimento médio de 10% a cada ano”, conta.
Na propriedade, que fica na zona rural de Bocaiuva, ele conta com a ajuda de três de seus quatro filhos.
Ferreira conta que os apiários estão distribuídos também em áreas cedidas por parceiros da região, fortalecendo uma rede de colaboração entre produtores. O mel produzido é predominantemente nativo, com destaque para floradas de eucalipto. “A entrada na cooperativa abriu portas para a exportação, pois ela funciona como um elo entre o produtor e o mercado, garantindo a entrega ao consumidor final”, ressalta o apicultor.
Produto competitivo
O Luciano Fernandes, presidente da Coopemapi destaca que o crescimento individual acompanha o avanço coletivo da apicultura no Norte de Minas. “Hoje, o mel produzido na região se consolida como um produto competitivo, com valor que varia conforme a florada e o período de comercialização”, explica.
Fernandes ainda completa: “Nosso desafio é profissionalizar o setor, e garantir volume de mel produzido para o mercado externo. Questões como quebra de safra – redução drástica na produção esperada, causada por fatores climáticos adversos -, e fluxo de caixa ainda impactam o setor, exigindo maior organização e gestão”, enfatiza o presidente da Coopemapi.
A cooperativa completa, em 2026, dez anos de atuação, com cerca de 200 integrantes, e estabeleceu as raízes em Bocaiúva, cidade com cerca de 48 mil habitantes.

Pequenos produtores do Norte mineiro estão fortalecendo a internacionalização do mel produzido na região Foto Sistema Faemg/Divulgação
Equilíbrio entre exportação e mercado interno
Segundo ele, a ampliação do acesso ao mercado internacional se deu por meio de uma missão realizada pelo Sebrae Minas, para a Suíça, em 2024. “Agora, estamos trabalhando para realizar o nosso sonho, que é exportar o mel processado. Hoje, o produto é embalado com a identidade deles, e com a indicação de que é um produto brasileiro, produzido pela agricultura familiar”, pontua.
A estratégia da Coopemapi também busca equilibrar a atuação entre mercado externo e interno. O mercado europeu é um dos maiores consumidores mundiais de mel, representando cerca de 20% do consumo global. Por pessoa/ano, varia entre 500g e 1,2 kg, superando drasticamente a média brasileira, que é de 60g a 240g. Por isso, a participação em feiras e eventos no Brasil continua sendo incentivada, especialmente, para fortalecer as vendas no varejo e manter a presença no território nacional.








