A combinação entre crédito rural mais acessível, programas como o Moderfrota e máquinas adaptadas às necessidades da agricultura familiar pode favorecer uma recuperação gradual do mercado de mecanização agrícola
(Foto: Governo do Piauí)
O reforço dos recursos para a agricultura familiar e a manutenção de linhas de financiamento para aquisição de máquinas agrícolas renovaram as expectativas da indústria para a safra 2026/2027.
Na avaliação de uma das maiores fabricantes nacionais de tratores e implementos voltados aos pequenos e médios produtores, o cenário cria condições mais favoráveis para a retomada dos investimentos, embora os resultados dependam da efetiva contratação do crédito rural.
O gerente da Agritech, Cesar Roberto Guimarães de Oliveira, acredita que a ampliação dos recursos, aliada à redução das taxas de juros, representa um estímulo importante para um segmento que enfrentou retração da demanda nos últimos meses.
“O governo colocou uma quantidade maior de recursos e com juros mais amigáveis, o que é positivo. Sentimos os efeitos da redução do poder de compra dos consumidores nos últimos meses. Quando dói no bolso do brasileiro, ele tira o pé”, afirma.
Nesta edição do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o Governo Federal destinou R$ 85,2 bilhões, volume 9% superior aos R$ 78,2 bilhões da safra anterior.
As linhas de custeio passam a operar com juros entre 1% e 7,5% ao ano, enquanto as linhas de investimento terão taxas entre 1% e 5% para aquisição de máquinas e equipamentos e de até 7,5% para outras finalidades.
Apesar do ambiente mais favorável, o executivo ressalta que o mercado ainda opera com cautela.
Segundo ele, o interesse demonstrado pelos produtores em eventos do setor ainda não se traduz automaticamente em vendas, principalmente pela elevada dependência de financiamentos.
“O mercado está movimentado. A presença em feiras do setor indica interesse, mas interesse não é sinônimo de fechamento de negócios. O segmento depende de quase 90% de financiamento. São poucos os produtores que compram à vista”, destaca.
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Além do Pronaf, a expectativa da fabricante também está voltada ao Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), considerado uma das principais ferramentas de incentivo à mecanização no campo.
Para a safra 2026/2027, o Governo Federal destinou R$ 5,8 bilhões ao programa. As operações terão juros de 11,5% ao ano para produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e de 12,5% para os demais produtores.
O financiamento contempla produtores rurais e cooperativas com renda bruta anual de até R$ 45 milhões, com prazos de pagamento de até sete anos para máquinas novas e até quatro anos para equipamentos usados.
Na avaliação de Oliveira, o Moderfrota desempenha papel estratégico ao facilitar a renovação do parque de máquinas e ampliar o acesso dos produtores à mecanização, fator diretamente relacionado ao ganho de produtividade no campo.
“O Moderfrota pode criar um ambiente mais favorável para que um número cada vez maior de produtores tenha acesso à mecanização, aumentando a produtividade e a competitividade da agricultura brasileira. Mas os números precisam sair do papel efetivamente”.
Segundo a empresa, a efetividade do programa dependerá da velocidade de liberação dos recursos e da capacidade dos produtores de acessar o crédito disponível.
Equipamentos desenvolvidos para a agricultura familiar
De acordo com Oliveira, a diversidade de culturas e sistemas produtivos exige máquinas adaptadas às diferentes realidades encontradas nas pequenas propriedades.
“Nós atendemos principalmente o pequeno e médio produtor envolvido com a agricultura familiar. Por isso, existe uma preocupação constante em desenvolver tratores que atendam às características de cada atividade produtiva deste setor”.
“Somos fabricantes e não apenas montadores. Optamos por produzir tratores de acordo com a necessidade do agricultor, seja altura, largura ou outras características. Isso encarece a fabricação, mas nos torna diferentes no mercado”, explica.








