Quando a relação com a comida se torna um problema de saúde (Foto: Divulgação)
Os transtornos alimentares estão entre os problemas de saúde mental que mais impactam a qualidade de vida e o funcionamento do organismo, podendo provocar consequências físicas, emocionais e hormonais importantes. Apesar de cada vez mais frequentes, essas condições ainda são cercadas por dúvidas e preconceitos, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico e o tratamento precoces.
Para esclarecer o tema e alertar sobre os sinais que merecem atenção, a endocrinologista Fernanda Magalhães explica como os transtornos alimentares afetam o corpo, os riscos associados e a importância de buscar ajuda especializada o quanto antes.
O que são os transtornos alimentares e como eles podem impactar o funcionamento do organismo?

Entre os transtonos alimentares mais conhecidos estão a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e o transtorno da compulsão alimentar. Foto: Tumisu/Pixabay
Os transtornos alimentares são condições de saúde mental caracterizadas por alterações importantes no comportamento alimentar, preocupação excessiva com peso e imagem corporal e uma relação disfuncional com a comida. Entre os mais conhecidos estão a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e o transtorno da compulsão alimentar.
Essas condições afetam praticamente todo o organismo. Podem causar alterações hormonais, problemas cardiovasculares, perda de massa óssea, distúrbios gastrointestinais, enfraquecimento do sistema imunológico, além de impactos importantes na saúde mental e emocional.
Quais são os principais prejuízos físicos causados por transtornos como anorexia, bulimia e compulsão alimentar?
Na anorexia nervosa, são comuns perda de peso acentuada, desnutrição, alterações cardíacas, osteoporose precoce, anemia e ausência de menstruação.
Na bulimia, os vômitos frequentes podem provocar erosão dentária, refluxo, inflamação do esôfago, desidratação e alterações eletrolíticas que aumentam o risco de arritmias cardíacas.
Já no transtorno da compulsão alimentar, pode haver ganho excessivo de peso, obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol elevado, apneia do sono e outras complicações metabólicas.

A compulsão alimentar pode gerar ganho excessivo de peso, obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol elevado, apneia do sono e outras complicações metabólicas. Foto: Mohamed Hassan/Pixabay
Como os transtornos alimentares afetam o metabolismo e a saúde hormonal dos pacientes?
O organismo entra em estado de adaptação diante da restrição alimentar ou dos comportamentos compensatórios. Na anorexia, por exemplo, ocorre redução da taxa metabólica para economizar energia. Também podem surgir alterações importantes nos hormônios ligados à reprodução, à tireoide, ao crescimento e à regulação da fome e da saciedade.
Muitas pacientes apresentam irregularidade menstrual ou interrupção da menstruação. Além disso, podem ocorrer alterações dos níveis de estrogênio, testosterona, cortisol, leptina e grelina, comprometendo a saúde óssea, reprodutiva e metabólica.
Quais sinais podem indicar um transtorno alimentar mesmo antes de alterações importantes no peso?
Nem sempre a mudança de peso é o primeiro sinal. Muitas vezes os sintomas aparecem por meio de comportamentos e mudanças emocionais.
Entre os principais sinais estão a preocupação excessiva com calorias e peso, medo intenso de engordar, restrição alimentar frequente, jejum prolongado, episódios de compulsão, prática excessiva de exercícios físicos, uso de laxantes ou vômitos provocados.
Fisicamente, podem surgir cansaço constante, alterações menstruais, dores abdominais, constipação, pele seca, cabelos quebradiços, unhas frágeis e alterações dentárias.

Nem sempre a mudança de peso é o primeiro sinal de um transtorno alimentar. Muitas vezes os sintomas aparecem por meio de comportamentos e mudanças emocionais. Foto: unknownuserpanama/Pixabay
LEIA TAMBÉM:
→ Alimentos aliados para quem quer abandonar o cigarro
Quando é o momento de procurar ajuda?
A ajuda deve ser buscada assim que a preocupação com alimentação, peso ou imagem corporal começar a interferir na rotina, nos relacionamentos ou na saúde física e emocional. A identificação precoce é fundamental para evitar complicações e aumentar as chances de recuperação.
O tratamento costuma envolver uma equipe multidisciplinar formada por médicos, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais especializados.








