Veterinária explica como fezes alteradas, coceira e desânimo podem ser sinais de que a alimentação precisa de ajustes (Foto: Divulgação)
Nem sempre o alerta vem em forma de febre ou diagnóstico complicado. Às vezes, começa com fezes mais moles do que o habitual, uma coceira que não passa ou aquele desânimo inesperado no pet que sempre foi ativo. Diante desses sinais, muitos tutores pensam imediatamente em doença. Mas, em alguns casos, o problema pode estar em algo mais básico: a alimentação.

Assim como acontece com os humanos, a nutrição exerce influência direta sobre a digestão, a energia, a pele e até o comportamento dos pets. Foto: cesar_abud/Pixabay
Assim como acontece com os humanos, a nutrição exerce influência direta sobre a digestão, a energia, a pele e até o comportamento dos pets. “Na rotina clínica, é comum receber animais com exames normais, mas com sinais persistentes de desconforto. Nesses casos, a alimentação costuma ser um dos primeiros pontos que precisam ser reavaliados”, explica a médica-veterinária Yeda Markowitsch.
Segundo a especialista, o organismo do pet costuma reagir rapidamente a dietas que não atendem plenamente às suas necessidades individuais, seja pela composição, pela digestibilidade ou pela tolerância a determinados ingrediente.
Fique de olho
Pensando nisso, médica-veterinária destaca três pontos que merecem atenção dos tutores:
Alterações intestinais recorrentes: Mudanças frequentes na consistência das fezes costumam ser um dos primeiros sinais de que a dieta não está adequada às necessidades individuais do pet. Isso acontece porque o intestino é um dos sistemas mais sensíveis à qualidade, à composição e à digestibilidade dos alimentos.
Fezes persistentemente amolecidas podem indicar que o organismo não está conseguindo digerir ou absorver corretamente determinados nutrientes, seja pelo excesso de ingredientes de difícil digestão, pela presença de componentes que o animal não tolera ou por desequilíbrios na proporção entre proteínas, fibras e gorduras. Já fezes muito ressecadas podem estar relacionadas a dietas pobres em umidade, fibras inadequadas ou baixa ingestão de água. “O intestino funciona como um termômetro da alimentação. Quando a dieta não está bem ajustada, ele costuma ser o primeiro a demonstrar”, explica Yeda.
O excesso de gases frequentes também merece atenção. Segundo a especialista, esse quadro costuma estar associado à fermentação intestinal, que ocorre quando os alimentos não são totalmente digeridos e acabam sendo fermentados pela microbiota. “Esse processo gera desconforto, distensão abdominal e indica que algo na composição ou na digestibilidade da dieta precisa ser revisto”, completa.

Apatia, cansaço frequente ou a perda de interesse por atividades que antes faziam parte da rotina também podem ter relação direta com a alimentação. Wictorrosenthal/Pixabay
Mudanças na pele e na pelagem: Coceiras persistentes, irritações na pele e queda excessiva de pelos nem sempre têm origem exclusivamente dermatológica. Em muitos casos, esses sinais estão diretamente relacionados à alimentação, especialmente quando a dieta apresenta deficiências nutricionais ou ingredientes que o organismo do pet não tolera bem.
A pele é um dos tecidos com maior demanda metabólica do corpo e depende de um aporte adequado de ácidos graxos, proteínas de boa qualidade, vitaminas e minerais para se manter íntegra e saudável. Quando esses nutrientes estão em falta ou em desequilíbrio, a resposta costuma aparecer em forma de inflamação, sensibilidade e alterações na pelagem.
“A pele e os pelos funcionam como um espelho do estado nutricional do animal. Dietas inadequadas podem comprometer a barreira cutânea, facilitando coceiras, irritações e queda de pelos. Pelagem opaca, sem brilho, quebradiça ou com crescimento irregular também pode indicar que a dieta não está suprindo plenamente as necessidades do pet”, alerta
Oscilações no nível de energia e no comportamento: Apatia, cansaço frequente ou a perda de interesse por atividades que antes faziam parte da rotina também podem ter relação direta com a alimentação. A ingestão inadequada de nutrientes compromete o metabolismo e a disponibilidade de energia, afetando não apenas o corpo, mas também o comportamento do animal.
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Equilíbrio é fundamental
Quando a dieta apresenta desequilíbrios, seja por excesso, deficiência ou baixa qualidade dos ingredientes, o organismo tende a priorizar funções básicas, reduzindo a disposição para brincadeiras, exercícios e interação.“O comportamento costuma ser um dos primeiros indicadores de que algo não está funcionando bem no metabolismo do pet”, pontua Yeda.

Quando a dieta apresenta desequilíbrios, o organismo dos pets tende a priorizar funções básicas, reduzindo a disposição para brincadeiras, exercícios e interação. Foto: crizgabi/Pixabay
A veterinária ressalta que qualquer alteração persistente deve ser avaliada por um profissional. Ainda assim, ela chama atenção para o papel central da alimentação na prevenção de problemas de saúde.
“Dietas formuladas com ingredientes de qualidade, boa digestibilidade e proporção adequada de nutrientes contribuem para reduzir inflamações intestinais, melhorar a absorção dos nutrientes e refletir diretamente na energia, na saúde da pele e na qualidade da pelagem. Por isso, antes de pensar em tratamentos complexos, vale observar o básico: o que está sendo oferecido diariamente no pote. Em muitos casos, ajustes nutricionais bem orientados são suficientes para promover mais conforto, equilíbrio e qualidade de vida ao pet”, conclui.








