Cadeia produtiva do setor é formada pelos drones, pela tecnologia embarcada – incluindo uma infinidade de sensores – e por ferramentas de processamento das imagens. Foto: Divulgação

Várias projeções internacionais vêm apontando para um crescimento global no setor de drones de até 30% ao ano, pelo menos, até 2020. No Brasil, não existem ainda dados oficiais, exceto as pesquisas informais que o MundoGEO, promotor desde 2015 da feira DroneShow, faz regularmente, consultando a oferta do mercado e os dados oficiais divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

“É importante salientar que muita coisa pode mudar no ritmo de crescimento, tendo em vista alguns fatores, como possíveis flexibilizações na regulamentação, rápido desenvolvimento tecnológico e a imprecisão na definição do retrato da área de prestação de serviços”, comenta Emerson Granemann, CEO do MundoGEO e idealizador da DroneShow.

A cadeia produtiva do setor é formada pelos drones, pela tecnologia embarcada – incluindo uma infinidade de sensores – e por ferramentas de processamento das imagens. Completam essa cadeia os prestadores de serviços, uma parte que, hoje, vem crescendo muito e se pulverizando.

Tendências

De acordo com o executivo, no Brasil e no restante do mundo é possível sentir três tendências. Uma delas gira em torno do cenário de empresas jovens, criadas para atuar no segmento, e que se multiplicam para atender muitas necessidades, mas nem sempre têm capacidade para atender grandes demandas.

CEO do MundoGEO, Emerson Graneman aponta como tendência do setor a criação de empresas jovens, que se multiplicam para atender algumas necessidades de mercado, mas nem sempre têm capacidade para grandes demandas. Foto: Divulgação

“Dessa forma, existem duas alternativas que vêm se apresentando: grandes demandantes preferem absorver a tecnologia e montar processos internos para atender suas necessidades, como é o caso de algumas empresas que atuam no setor florestal e na agricultura, mais especificamente no setor de cana-de-açúcar”, aponta Granemann.

Outra tendência, conforme o CEO do MundoGeo “são empresas já existentes nos setores de mapeamento, inspeções, assessoria agrícola, entre outras, que estão incorporando a tecnologia dos drones aos produtos ofertados aos seus tradicionais clientes”.

Dados do mercado nacional

Voltando aos números do mercado nacional, em 2017, a MundoGEO mapeou 720 empresas do setor de drones no Brasil e traçou o primeiro retrato do perfil das empresas e dos mercados que elas estavam buscando, até então, conforme mostra o quadro abaixo.

Perfil das empresas da cadeia produtiva do setor de drones. Quadro: Divulgação MundoGEO/DroneShow

Também é possível analisar o perfil dos clientes, de acordo com o quadro abaixo:

Principais clientes do setor de drones no País são das áreas de mapeamento e topografia, seguido por agricultura, florestal e meio ambiente. Quadro: Divulgação MundoGEO/DroneShow

Ao analisar os dados oficiais do Decea e da Anac, que constam na tabela abaixo, relata o CEO do MundoGeo, “a evolução dos números é impressionante, mas também revela uma grande diferença de drones e pilotos registrados”.

Conforme o executivo, isso significa que “ainda é grande o número de operadores, quer seja para uso recreacional ou profissional, que não solicita autorização no sistema do Decea/Sarpas para operar seu drone”.

Faltam números da Anatel

“Infelizmente, na pesquisa que realizamos não foi possível acessar os dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) que, com certeza, vão apontar uma quantidade ainda maior que a Anac, sem falar naqueles drones que nem registo têm. Caberá também levantar junto às seguradoras a quantidade de seguro obrigatório já existentes”, diz Granemann.

Na visão do executivo, houve um avanço do segmento no País, especialmente por causa do “excelente trabalho da Anac e do Decea, que estão atuando na vanguarda mundial do setor de drones”.

“Além disso, os órgãos se segurança estão mais informados sobre o assunto e atuando primeiramente na ponta, orientando e iniciando um trabalho mais ostensivo de fiscalização, que vem permitindo em alguns casos punições fortes sob o ponto de vista penal e financeiro aos operadores responsáveis e co-responsáveis ou contratantes.”

Expectativa para 2019

Em 2019, “a expectativa é excelente também para as aplicações de mapeamento”. “O Ministério da Defesa fez, finalmente, um movimento no fim do ano passado, apesar de tímido ainda, e lançou uma portaria flexibilizando suas regras para quem quer usar drones para produção de dados precisos”. comenta Granemann.

Ele ressalta que “conhecer o mercado ajuda as empresas a orientar suas ações estratégicas e mostra a força econômica do setor”. “Por isso, a DroneShow convida toda a comunidade para participar na nova pesquisa de mercado. Os dados estão sendo compilados até 31 de janeiro e serão divulgados em fevereiro.”

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Fontes: MundoGEO e DroneShow