O debate trouxe a perspectiva da indústria sobre como converter informações técnicas em estratégias concretas no desenvolvimento de soluções agrícolas
O desenvolvimento de soluções eficazes para o agronegócio exige mais do que análise técnica. Demanda a capacidade de transformar dados em decisões e decisões em vantagem competitiva. Visando difundir informações para quem busca transformar análises em receita e diferencial competitivo para o Agro, a Percevia, em parceria com o SNASH (SNA Startup Hub), realizou um webinar na última quarta-feira (08), sobre pesquisa e desenvolvimento no agro, formulação de insumos e bioinsumos, além de inovação aplicada ao agronegócio.
O encontro foi moderado por Gerson Fett, diretor técnico da Percevia – startup Premium do SNASH, e contou com a participação de Marcos Malta, coordenador de pesquisa e desenvolvimento da Brenntag, que trouxe a perspectiva da indústria sobre como converter informações técnicas em estratégias concretas no desenvolvimento de soluções agrícolas.
Caracterização analítica
Ao longo do debate, os especialistas destacaram que a caracterização analítica é um dos pilares fundamentais para garantir que uma formulação deixe de ser apenas uma hipótese e se torne um produto com desempenho previsível.
Segundo Marcos Malta, a caracterização do produto deve ser entendida como uma ferramenta essencial para o formulador, permitindo compreender o sistema que está sendo desenvolvido a partir de dados concretos. “Esse processo valida a transição de uma ideia empírica para uma solução robusta, capaz de atender as exigências do campo. A análise, nesse contexto, deixa de ser apenas um suporte técnico e passa a orientar, diretamente, as decisões de pesquisa e desenvolvimento”.
Formulação
Gerson Fett reforçou que, em níveis mais avançados, a formulação vai muito além da simples mistura de componentes. Trata-se de um sistema físico-químico estruturado, que envolve variáveis como tamanho de partículas, energia interfacial e organização de fases. “Esse entendimento é essencial para garantir estabilidade e desempenho, especialmente em um ambiente como o agrícola, marcado por alta variabilidade”.

Desafios adicionais
No campo, fatores como temperatura, qualidade da água, misturas em tanque e diferentes formas de aplicação tornam o comportamento dos produtos menos previsível. Essa complexidade impõe desafios adicionais ao desenvolvimento de formulações. Como destacou Marcos Malta, muitas vezes o produto é concebido para um cenário específico, mas seu uso final pode ocorrer em condições completamente distintas, o que exige maior robustez e capacidade de adaptação.
Análises laboratoriais
Diante desse cenário, as análises laboratoriais desempenham papel decisivo. Desde testes mais simples, como pH, viscosidade e cor, até técnicas avançadas, como cromatografia, espectrometria e microtomografia, os dados obtidos orientam ajustes fundamentais no desenvolvimento. Alterações em dosagem, escolha de matéria-prima ou até na ordem de adição dos componentes podem ser definidas a partir dessas informações, conferindo maior precisão ao processo.
Terceirização
Os especialistas também destacaram que nem todas as empresas precisam internalizar toda a infraestrutura analítica. Em muitos casos, a terceirização de análises específicas se mostra mais eficiente, especialmente quando o uso é pontual ou exige alto grau de especialização. A decisão, segundo Malta, deve considerar o custo-benefício e a relevância estratégica da informação para o produto final.
Controle de qualidade de matérias-primas
Outro ponto crítico abordado foi o controle de qualidade das matérias-primas, especialmente na transição do laboratório para a escala industrial. Garantir que os insumos utilizados em grandes volumes mantenham as mesmas características daqueles testados em pequena escala é um dos principais desafios da produção. Isso exige rigor nos processos de análise e controle de entrada, evitando variações que possam comprometer o desempenho do produto.
Integração entre as áreas
A integração entre as áreas da empresa também foi apontada como fator determinante para o sucesso. O setor de pesquisa e desenvolvimento precisa atuar de forma articulada com a fábrica, a área de qualidade, compras e até o comercial. Enquanto a produção define a viabilidade operacional, o controle de qualidade assegura padrões, e o setor comercial contribui com informações de mercado e precificação. Essa interação constante garante que as soluções desenvolvidas sejam não apenas tecnicamente viáveis, mas também competitivas.
Monitoramento em campo
Além do desenvolvimento em laboratório, o monitoramento em campo foi destacado como etapa indispensável. Testes como absorção foliar e resistência à chuva permitem avaliar a eficácia real dos produtos em condições práticas. Ensaios que simulam precipitação, por exemplo, ajudam a medir quanto do ativo permanece na planta após a aplicação, fornecendo dados essenciais para recomendações agronômicas e ajustes na formulação.
Conexão entre intuição e resultados
Ao final, o webinar reforçou que a caracterização analítica é o elo que conecta a intuição ao resultado mensurável. Em um setor marcado por variáveis ambientais e operacionais, a combinação entre conhecimento empírico e análise técnica é o que permite desenvolver soluções mais seguras, eficientes e adaptadas à realidade do campo.
Capacidade de validação
A principal conclusão é que inovação no agronegócio não depende apenas de novas ideias, mas da capacidade de validá-las, escalá-las e aplicá-las com consistência. Nesse processo, a integração entre áreas, o uso estratégico de dados e a compreensão aprofundada dos sistemas físico-químicos são fatores decisivos para transformar pesquisa em resultado e conhecimento em competitividade.
Confira o webinar na íntegra.
https://www.youtube.com/watch?v=FQoiIVlrzGY








