Eficiência do trabalho na pecuária de leite é a motivação chave para a revolução com robôs, levando em conta a dificuldade de encontrar trabalhadores rurais e de mantê-los nas fazendas

Um fazendeiro norte-americano, utilizando um sistema de ordenha robotizada em sua fazenda, que possui 2,2 mil vacas leiteiras, conseguiu ganhos de 30% a 40% graças à ordenha robotizada. Os números foram apresentados durante a World Dairy Expo, maior feira de pecuária de leite do mundo, realizada em outubro de 2018 na cidade de Madison, no estado de Wisconsin, Estados Unidos.

Comandando uma propriedade rural localizada em Plymouth, no estado de Indiana (EUA), o pecuarista Brian Houin informa que os 36 robôs Lely Astronaut têm operado em um novo confinamento do tipo free stall, desde 1º de janeiro de 2018.

Empresa internacional com bases familiares e fundada em 1948 na Holanda, a Lely abriu suas portas no Brasil no ano de 2013, no município de Carambeí, Paraná. O objetivo da companhia, criada pelos irmãos Cornelis van der Lely e Arij van der Lely, é “tornar a vida dos fazendeiros mais fácil, com soluções inovadoras e serviços personalizados”.

Robôs x tradição

Em entrevista concedida ao jornalista Bernard Tobin, do site Real Agriculture, Houin conta que sua fazenda abriga 12 lotes, cada um contendo três robôs para a ordenha de 180 vacas.

Em outra sala, ordenha de forma convencional outras 1,8 mil vacas, três vezes ao dia, dando ao pecuarista a oportunidade de comparar os dois sistemas de ordenha. No total, administra 36 robôs Lely Astronaut e 2,2 mil vacas em ordenha, que produzem 86 mil litros de leite por dia.

É necessário ressaltar que o sistema free stall ou sistema de baias livres, usado na fazenda de Plymouth (Indiana/EUA), também vem sendo amplamente divulgado e empregado em propriedades rurais do Brasil, Trata-se de um método de alojar os animais livremente, em um complexo de construções e áreas independentes, porém comunicando-se entre si.

Esse tipo de alojamento, de acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), difundiu-se nos países onde o fator “mão de obra” incide fortemente sobre o custo de produção de leite. Esse sistema é recomendado para rebanhos acima de 60 vacas em lactação.

Baias livres

Free stall conta com baias livres e individuais onde os animais entram e saem, espontaneamente, para repousarem sobre um piso também coberto por cama. Foto: Divulgação

Basicamente, existem dois tipos de baias livres:

1) Loose housing: por ele, os animais repousam coletivamente em um local de terra batida ou concretada, cobertos por uma camada de cama que pode ser de palha de trigo, palha de arroz, areia, esterco desidratado, cepilho de madeira e outros materiais.

2) Free stall: são baias individuais onde os animais entram e saem, espontaneamente, para repousarem sobre um piso também coberto por cama. O tipo free stall, hoje predominante no Brasil, apresenta as seguintes vantagens: redução da área coberta; menor área de repouso necessária (2,80 metros quadrados por cabeça), quando comparada com a de repouso coletivo (5,75 metros quadrados por cabeça); reduz em 75% a quantidade de cama necessária, e d) as vacas permanecem mais limpas.

O sistema de estabulação livre consiste, geralmente, de cinco áreas: de alimentação e confinamento, repouso, exercício, ordenha (curral de espera e sala de ordenha) e de isolamento (baias para maternidade e tratamento).

Revolução robótica

Pecuarista norte-americano Brian Houin acredita que os robôs Lely Astronaut, , disponíveis no Brasil, proporcionam benefícios de conforto às vacas leiteiras e são de fácil operação pelo usuário. Foto: Divulgação Lely

O pecuarista norte-americano Brian Houin afirma que a eficiência do trabalho é a motivação chave para sua revolução robótica, considerando a dificuldade de encontrar trabalhadores rurais e mantê-los na fazenda, além da confiança, que é um desafio crescente.

Ele também acredita que os robôs proporcionam benefícios de conforto às vacas e são de fácil operação pelo usuário, permitindo aos fazendeiros contar uma história melhor aos consumidores que querem saber mais sobre como os animais são manejados e cuidados.

Houin garante que os robôs proporcionaram entre 30% e 40% de economia de trabalho em seus primeiros nove meses, quando comparados à sala de ordenha convencional.

Ainda observou que as vacas no confinamento dos robôs estão produzindo de dois a três litros de leite a mais por vaca, um volume acima das vacas ordenhadas de forma convencional, sem qualquer custo adicional de alimento.

Manutenção

Outro medidor chave para Houin é a manutenção. Até agora, os robôs parecem estar em vantagem quanto ao custo de manutenção mensal médio de 13,06 dólares por vaca, comparado a 17,36 dólares da sala de ordenha convencional.

Durante o evento nos EUA, ele não mencionou a dificuldade de comparar robôs novos, com uma sala de ordenha que já tem 18 anos de uso, mas a evidência inicial é promissora.

Até agora, o pecuarista norte-americano tem aprovado os robôs por acreditar que “a economia de trabalho é, certamente, um incentivo suficiente para as fazendas leiteiras maiores investirem nessa tecnologia”.

No Brasil

A empresa norte-americana Lely oferece soluções em automação para praticamente todas as atividades relacionadas ao manejo e instalações para vacas leiteiras, desde a ordenha até a limpeza, com o objetivo de prover um futuro sustentável, lucrativo e agradável às fazendas.

Presente em mais de 60 países, conta com 1,2 mil colaboradores e mais de 1,6 mil patentes vivas. Para atender à América Latina, a Lely chegou ao Brasil em 2013 e se instalou em Carambeí (PR).

Sua rede de atendimento, conhecida como Lely Center, atende às regiões leiteiras brasileiras e outros países latinos, com estrutura de suporte técnico, peças e vendas. Para mais informações, acesse www.lely.com. Contato com revendedor no Brasil pelo telefone 42 3231 4465.

Saiba mais

Em salas mais sofisticadas, robô também é usado para ordenhar vacas leiteiras. Foto: Divulgação DeLaval

Outras empresas no Brasil, além da Lely, também oferecem sistemas de ordenha robotizada. É o caso da DeLaval, que apresentou ao mercado nacional o “Programa Automação”, no ano de 2015.

De acordo com a companhia, o produtor rural que optar pelo Programa contará com as melhores inovações da empresa, integradas por meio de softwares de gerenciamento, como o VMS™ – Sistema de Ordenha Robotizada, que contribui na redução da mão de obra na propriedade, controle e precisão das informações do rebanho e integração total para otimizar a gestão na fazenda.

O primeiro VMS™ DeLaval da América Latina foi instalado na propriedade do pecuarista Armando Rabbers, em 2013. De lá para cá, o pioneiro desta revolução robótica no Brasil vem ordenhando mais de 5,33 mil litros de leite por dia, com apenas 138 animais em lactação.

Ele também é proprietário da empresa Genética ARM que, assim como sua propriedade rural, funciona na região de Castro, Paraná. Veja outros exemplos de sucesso da DeLaval em reportagem veiculada no site Milkpoint (http://ow.ly/a8Qe30mI79H) ou acesse www.delaval.com/pt-br. Contato do revendedor no Brasil pelo telefone 19 3514-8201.

Mais detalhes sobre free stall, confira no site da Embrapa pelo link http://ow.ly/nh2g30mI7aL.

Fontes: Lely, Embrapa, MilkPoint e DeLaval