É ela que impede, por exemplo, a entrada de pragas exóticas capazes de dizimar lavouras ou a circulação de produtos adulterados que colocam em risco a saúde pública (Foto: Anffa Sindical)
Responsável por proteger a produção rural contra pragas, doenças e fraudes, a defesa agropecuária é um dos pilares menos visíveis e, ao mesmo tempo, mais estratégicos do agronegócio brasileiro.
Em um país que figura entre os maiores exportadores de alimentos do mundo, o trabalho de fiscalização e vigilância sanitária sustenta não apenas a segurança alimentar da população, mas também a competitividade e a credibilidade do Brasil no comércio internacional.
Na prática, a defesa agropecuária reúne um conjunto de ações técnicas voltadas à sanidade vegetal e animal, ao controle de insumos, à fiscalização de indústrias e ao monitoramento de fronteiras.
É ela que impede, por exemplo, a entrada de pragas exóticas capazes de dizimar lavouras ou a circulação de produtos adulterados que colocam em risco a saúde pública.
A defesa também contrinui para assegurar a conformidade sanitária exigida por mercados internacionais, permitindo a sustentação de acordos comerciais e evitando embargos que poderiam gerar prejuízos bilionários.
A primeira barreira contra ilícitos

Auditores fiscais federais agropecuários apreendem 3 mil toneladas de sementes irregulares em opreção realizada em agosto do ano passado. Foto: Anffa Sindical
Nos últimos anos, o tema ganhou novos contornos diante do avanço do contrabando de agrotóxicos proibidos, da adulteração de alimentos e da entrada irregular de insumos agropecuários no país.
O cenário intensificou a pressão sobre as fronteiras brasileiras e aproximou a defesa agropecuária do debate sobre segurança pública, especialmente pela atuação crescente de organizações criminosas nesse tipo de ilícito.
Um dos principais focos de alerta atualmente é o Paraquat, herbicida banido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2020, devido à sua alta toxicidade e à associação com doenças neurológicas, como o Parkinson.
Como o produto ainda é permitido em países vizinhos e possui baixo custo, tornou-se alvo frequente de contrabando para abastecer o mercado ilegal brasileiro.
Além dos defensivos agrícolas, a entrada clandestina de material vegetal, como mudas e até oliveiras centenárias, representa risco sanitário relevante.
A introdução de pragas e doenças pode comprometer cadeias produtivas inteiras e afetar mercados externos, onde as exigências sanitárias são cada vez mais rigorosas.
“A sociedade ainda não dimensiona a complexidade dessas ocorrências. A fiscalização agropecuária é a primeira barreira contra produtos que colocam em risco a saúde pública e a economia”, afirma Janus Pablo de Macedo, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical).
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Do campo à mesa…e às fronteiras
Os auditores fiscais federais agropecuários (AFFAs), vinculados ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), atuam em todas as etapas da cadeia produtiva.
Fiscalizam propriedades rurais, indústrias e estabelecimentos comerciais, realizam inspeções sanitárias e emitem certificações que viabilizam exportações e importações.
Também estão presentes em portos, aeroportos e regiões de fronteira, onde integram operações com forças policiais para coibir o ingresso de produtos ilegais.
Segundo Henrique Pedro Dias, diretor de Política Profissional do Anffa Sindical, o perfil das ocorrências mudou nos últimos anos.
“Hoje lidamos com logística estruturada e organizações criminosas. Isso exige preparo técnico constante e integração entre órgãos para proteger o consumidor, a produção nacional e a competitividade do país”, destaca.
Fonte: Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários








