Café brasileiro passa até 90 dias a menos no pé do que os plantados em outros países, como a Colômbia. Equipamento Sprouting Process faz com que o grão continue se desenvolvendo após a colheita como se estivesse ainda no pé. Foto: Divulgação Café do Moço

Uma bombona de plástico composta por uma válvula, que cria um ambiente anaeróbico, inibe a presença de gás carbônico causador de bactérias e fungos no café, após a colheita. Esse processo, criado pelo barista e torrefador Leo Moço, faz com que as enzimas presentes na casca do grão desenvolvam uma fermentação natural, promovendo muito mais aroma e sabor ao produto. Similar ao que desenvolve o malte da cerveja, o método dura entre 10 e 20 dias e pode ser implementado com grãos de café de todas as regiões do País.

A história da criação do barista foi escolhida pela revista A Lavoura para lembrar o Dia Nacional do Café e do Cafeicultor, comemorado em 24 de maio em todo o Brasil.

Criado em 2017, o Sprouting Process criado por Léo Moço, um dos grandes nomes do segmento no Brasil, visa melhorar as características dos grãos de cafés nacionais. Hoje, a técnica se expande por todo o País e seus primeiros resultados são extremamente satisfatórios.

A ideia do barista surgiu após a observação de que o café brasileiro passa até 90 dias a menos no pé do que os plantados em outros países como a Colômbia, impedindo o desenvolvimento completo do fruto.

“Pensei em maneiras de fazer com que o café brasileiro se desenvolvesse após a colheita como se estivesse ainda no pé. Durante o Sprouting Process, os grãos tem seu potencial de germinação prolongando, como se estivéssemos colhendo cafés prematuros e utilizando a bombona como incubadora no desenvolvimento de supergrãos”, explica Leo Moço.

Atestado por técnicos

Sprouting Process é composto poruma bombona de plástico com uma válvula (amostra a direita), que cria um ambiente anaeróbico, inibindo a presença de CO2 causador de bactérias e fungos no café, após a colheita. Foto: Divulgação Café do Moço

Em uma fazenda no município de Carlópolis, no interior do Paraná, a técnica resultou no aumento de mais de dez vezes no valor da saca produzida, partindo de R$ 450 para R$ 5 mil.

Diferente do que muitos podem imaginar, o processo revolucionário não é guardado a sete chaves, muito pelo contrário. Em uma parceria inédita com o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Leo Moço está difundindo o Sprouting Process para pequenos produtores do Estado do Paraná. O barista já treinou quase 40 técnicos do Estado que estão aplicando o método em suas regiões. O impacto chega em mais de 100 produtores em solo paranaense.

Coordenadora do Projeto “Mulheres do Café do Norte Pioneiro do Paraná”, Cíntia Mara Lopes de Souza afirma que os cursos ministrados por Leo Moço modificaram a forma de atuação dos agricultores familiares.

“Com as dicas e informações, os produtores perceberam que a qualidade do café é definida no processo de uma colheita seletiva, com grãos na maturação correta, com os diferentes processos de secagem, o que vai agregando mais valor ao produto”, diz ela.

No ano passado, o Paraná produziu cerca de 1,1 mil sacas de café, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Ótica social

As vantagens econômicas deste processo também são importantes sob a ótica social. “Houve uma percepção de que é possível qualificar o jovem cafeicultor e fazer com que ele tenha uma boa renda, sem abandonar a sua propriedade, principalmente os jovens e as mulheres que estão se adaptando muito bem a essas mudanças de manejo e de investimento”, relata Cíntia.

Atualmente, o projeto atende 14 municípios de regiões próximas a Santo Antônio da Platina e Cornélio Procópio, no interior do Paraná, somando aproximadamente 250 famílias cafeicultoras, o equivalente a cerca de mil pessoas.

“Desde 2013, aumentou significativamente a produção da agricultura familiar para os cafés especiais. As famílias são capazes de colher e de apresentar amostras para os potenciais compradores. A qualidade do que é produzido faz com que vários países procurassem esse café”, conta a coordenadora.

De acordo com ela, as exportações se tornaram mais frequentes, especialmente para países como Austrália e Japão: “São cafés completamente diferentes, que vão ao encontro do que as cafeterias ou esses clientes querem. São microlotes, com pequenas quantidades, com grãos de atributos exóticos e diferenciados”.

Ainda em 2019, o Café do Moço fará um concurso regional para eleger os melhores cafés feitos sob o Sprouting Process. Os detalhes sobre as premiações serão divulgados em breve. 

Para mais informações, acesse o site www.cafedomoco.com.br.

Fonte: Café do Moço