Faz parte da lista de pragas quarentenárias a Lobesia botrana, uma traça-da-uva ou traça europeia dos cachos da videira já descrita em países da Europa, Ásia e África. Foto: Divulgação

Evitar o ingresso de pragas quarentenárias ausentes no Brasil é o principal objetivo do Programa Nacional de Prevenção e Vigilância de Pragas Quarentenária Ausentes (PNPV), publicado no Diário Oficial da União, dia três de julho, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Conforme a portaria n° 131, o programa também visa manter um sistema de vigilância para detectar e identificar as pragas nas áreas mais vulneráveis, além de aplicar medidas de mitigação de risco nos casos de suspeita de entrada de uma praga quarentenária ausente.

O PNPV prevê que sejam criados planos nacionais específicos de prevenção e vigilância para cada praga considerada como prioritária, a partir de critérios definidos pelo Departamento de Sanidade Vegetal do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento.

“Regulamentar pragas como quarentenárias facilita o comércio internacional de produtos agrícolas”, explica o engenheiro agrônomo Marcelo Lopes da Silva, doutor em  em Ciências Biológicas (Entomologia) e pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, trata-se também de uma medida reconhecida pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para evitar a introdução de pragas ou barreiras injustificadas às exportações e ainda uma questão de segurança nacional.

De acordo com a Embrapa, “a detecção precoce evita perda de mercados importadores de produtos agrícolas do Brasil, aumento de custos de produção, insegurança na regulamentação de medidas de controle e também impactos ambientais pela  utilização de medidas para erradicação ou supressão populacional da praga”.

Livro com 20 pragas e doenças

Objetivo do livro é desenvolver metodologia para priorizar pragas de maior potencial de dano. Foto: Embrapa

As 20 pragas e doenças que apresentam mais riscos para economia brasileira estão identificadas no livro “Priorização de Pragas Quarentenárias Ausentes no Brasil”. Elaborada pelo Departamento de Sanidade Vegetal, em parceria com especialistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a publicação foi lançada nesta quinta-feira, 4 de julho, no Mapa.

O principal objetivo do livro é desenvolver uma metodologia para priorizar as pragas de maior potencial de dano, desenvolver planos mais robustos de prevenção e evitar os riscos de entrada de novas doenças para as plantas. A partir da priorização, a publicação quer garantir atenção especial às pragas quarentenárias para o trabalho de vigilância e barreira sanitária, pesquisa e legislação.

Coordenadora geral de Proteção de Plantas do Ministério da Agricultura, Graciane Gonçalves ressalta a importância de prestar atenção às pragas que não são encontradas no Brasil, mas que requerem cuidados específicos e mais elaborados pelos riscos que trazem a saúde das plantas.

“Temos as pragas presentes, sob controle oficial, e as ausentes, que não estão no Brasil, mas são de preocupação. A nossa lista de pragas quarentenárias ausentes tem quase 700 pragas, mas dentre essas, algumas merecem um trabalho mais estruturado de prevenção pelo impacto que elas podem causar, pelos riscos que têm”, explica Graciane.

Para mais informações sobre o lançamento do livro “Priorização de Pragas Quarentenárias Ausentes no Brasil”, clique aqui!

Fontes: Ministério da Agricultura e Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia