Intervenção de auditores ao longo da cadeia produtiva reforça a segurança dos pescados e ajuda a coibir a venda de espécies comercializadas como bacalhau (Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde/DF)
Durante a Semana Santa, o aumento do consumo de pescados exige atenção redobrada com a qualidade, a conservação e também com a procedência dos produtos. O que muitos consumidores não veem é que, por trás do peixe disponível nos pontos de venda, há uma atuação contínua de fiscalização para evitar que problemas como armazenamento inadequado, quebra da cadeia de frio, comercialização irregular e até fraudes cheguem à mesa.
Entre os pontos de atenção neste período está a venda de peixes que não são bacalhau, mas são comercializados como se fossem. O bacalhau verdadeiro corresponde a espécies específicas, como o Gadus morhua, enquanto outros peixes salgados e secos podem ser vendidos de forma enganosa, induzindo o consumidor ao erro.
Por se tratar de um alimento altamente perecível, o pescado também está mais suscetível a falhas de conservação, especialmente em períodos de alta demanda. Situações como exposição fora da temperatura ideal ou venda de produto descongelado como fresco são exemplos de irregularidades que podem comprometer a segurança do consumo.
Diante desse cenário, os auditores fiscais federais agropecuários (Affas) atuam ao longo de toda a cadeia produtiva, desde a origem até a comercialização, verificando as condições sanitárias, a rotulagem e a conformidade dos produtos, além de retirar de circulação itens fora dos padrões exigidos.
As ações são intensificadas em períodos como a Semana Santa, quando há maior volume de produção, transporte e venda. A fiscalização também identifica problemas recorrentes relacionados à conservação e à rastreabilidade dos pescados, especialmente em períodos de maior demanda.

O pescado é um alimento altamente perecível e precisa ser mantido sob refrigeração adequada, com temperatura próxima de zero grau. Foto: Pixabay
Para a delegada do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) em Santa Catarina, Cristhiane Cattani, as principais irregularidades estão ligadas à forma como o produto é armazenado e à ausência de informações sobre sua origem. “O pescado é um alimento altamente perecível e precisa ser mantido sob refrigeração adequada, com temperatura próxima de zero grau. A falta de gelo ou de conservação correta compromete rapidamente a qualidade do produto. Outro ponto crítico é a ausência de identificação, que impede o consumidor de saber a procedência e se aquele pescado passou por inspeção oficial, o que aumenta o risco de contaminações e doenças”, explica.
Ela ressalta que a fiscalização atua justamente para garantir esses parâmetros ao longo da cadeia produtiva. “A segurança do pescado envolve um conjunto de fatores, como conservação adequada, rastreabilidade e inspeção oficial. São esses critérios que asseguram que o produto chegue ao consumidor em condições seguras e dentro dos padrões exigidos”, completa.
Segundo o presidente da entidade, Janus Pablo Macedo, o trabalho da fiscalização é essencial para evitar riscos que não são perceptíveis ao consumidor. “Muitas irregularidades não são visíveis a olho nu, mas podem comprometer a qualidade e a segurança do alimento. A atuação do auditor é justamente impedir que esses problemas cheguem ao consumidor”, afirma.
Ele destaca que o controle ao longo da cadeia produtiva também é fundamental para coibir práticas irregulares no mercado. “Além das questões sanitárias, há uma verificação técnica que envolve a identidade e a conformidade dos produtos. Isso ajuda a evitar fraudes e garante que o consumidor esteja adquirindo exatamente o que está sendo ofertado”, acrescenta.
Embora a fiscalização atue de forma contínua, o consumidor também pode adotar cuidados simples na hora da compra, especialmente em um período marcado por maior consumo de pescado.
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O que observar na hora de comprar pescado
Conservação e temperatura: o peixe deve estar mantido sob refrigeração adequada, em balcões com gelo ou equipamentos próprios. Produto exposto fora da temperatura ideal ou com excesso de líquido ao redor pode indicar falha na conservação.
Aparência, odor e textura: olhos brilhantes e salientes, carne firme e odor suave são indicativos de frescor. Cheiro forte, coloração opaca ou textura amolecida podem indicar deterioração.
Sinais de descongelamento inadequado: em produtos congelados, a presença de gelo em excesso, cristais grandes ou aspecto “empedrado” dentro da embalagem pode indicar que o alimento passou por descongelamento e foi recongelado, o que compromete a qualidade e a segurança.

Observar conservação e temperatura é essencial na hora de comprar pescado. Foto: Anaterate-Pixabay
Atenção ao bacalhau: o consumidor deve verificar a rotulagem e a espécie informada. Nem todo peixe salgado é bacalhau, e a identificação correta no rótulo é essencial para evitar enganos.
Procedência e condições do local: dê preferência a estabelecimentos regularizados e observe a higiene do ambiente. Informações claras sobre origem e armazenamento são sinais de maior segurança.
A atuação dos auditores fiscais federais agropecuários integra o sistema de defesa agropecuária do país e contribui diretamente para a proteção da saúde da população, a transparência nas relações de consumo e a confiança nos alimentos disponíveis no mercado.








