Principal doença da citricultura no Brasil, o greening causa danos severos, por exemplo, em cultivos de laranja. Foto: Divulgação

Tamarixia radiata pode até ser um nome científico até então desconhecido, mas seu efeito para cultivos agrícolas vem se propagando pelo Brasil por ser naturalmente poderoso. Trata-se de uma vespinha inimiga do psilídeo, utilizada para o controle biológico – ou seja, sem uso de qualquer agroquímico – desse inseto transmissor do greening, que é considerada a pior doença da produção de citros, como laranja e limão, no País.

De acordo com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) – associação privada, sem fins econômicos –, a utilização dessa “vespinha do bem” apresenta alta eficiência: uma fêmea apenas pode controlar até 400 psilídeos. Em campo, pesquisas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) comprovaram que há a eliminação de até 70% da população dessa praga.

Em julho, o Fundecitrus atingiu a marca de três milhões dessas vespas produzidas desde a criação de seu Laboratório de Controle Biológico, em 2015. A soltura da Tamarixia radiata não causa nenhum dano para a lavoura e para a saúde dos produtores rurais, além de não provocar nenhum desequilíbrio ambiental.

O Laboratório, que tem a capacidade para criar até 100 mil T. radiata por mês, recebe o apoio da Bayer CropScience como parte da parceria “Citrus Unidos”. Esse acordo foi firmado entre as instituições que têm como objetivo desenvolver novos produtos e tecnologias sustentáveis para a agricultura brasileira.

Ferramenta para manejo externo

Vespinha Tamarixia radiata é inimiga natural do psilídeo, inseto-praga causador do greening. Foto: Divulgação

Segundo o Fundecitrus, a T. radiata é uma ferramenta importante no controle externo do greening, feito nos arredores das fazendas, em locais com a presença de murtas (damas da noite) e plantas de citros que não recebem o controle recomendado para a doença, como em vilas, bairros rurais e pomares abandonados.

Comumente, o psilídeo utiliza essas plantas para se alimentar e se reproduzir, podendo migrar para pomares comerciais. Conforme a bióloga bióloga Clara Delgado, responsável pelo Laboratório de Controle Biológico, quando não é possível realizar a troca dessas árvores por outras espécies ornamentais e frutíferas, que não são atrativas ao psilídeo, após a soltura das vespinhas, a Tamarixia radiata deposita seus ovos embaixo das ninfas do psilídeo, que servem de alimento para as larvas quando elas nascem.

“Hoje a produção do Laboratório de Controle Biológico é utilizada no manejo do greening nas áreas externas das fazendas e liberada no parque citrícola pelas equipes regionais do Fundecitrus”, conta a especialista.

As áreas para soltura das vespinhas são identificadas pelo Alerta Fitossanitário do Fundo de Defesa da Citricultura, sistema que detecta os locais e momentos com alta população de psilídeo no parque citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste de Minas Gerais.

Monitoramento obrigatório

A Instrução Normativa nº 53, publicada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em outubro de 2008, orienta que a fiscalização por parte do produtor rural é obrigatória. Nesse processo, ele deve inspecionar e eliminar as plantas com greening.

Essas inspeções devem ser feitas, pelo menos, a cada três meses e os resultados encaminhados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, por meio de relatórios semestrais. Talhões com incidência superior a 28% de plantas com sintomas devem ser totalmente eliminados, conforme indica a IN 53.

A doença

Citricultores devem monitorar incidência do greening e eliminar plantas doentes. Foto: Cocamar/Div. FotosPúblicas

Também conhecido como huanglongbing e HLB, o greening ataca todos os tipos de citros e não há cura para as plantas doentes.  As árvores novas afetadas não chegam a produzir e as adultas, em fase de produção, sofrem uma grande queda prematura de frutos e definham ao longo do tempo.

Causada pela bactéria Candidatus Liberibacter asiaticus, essa praga é atualmente a principal responsável pela doença no Brasil, presente em mais de 99% das plantas doentes. Logo no início, quando o problema foi detectado pela primeira vez no País, em 2004, outra bactéria – a CandidatusLiberibacter americanus – era a principal, mas perdeu importância ao longo do tempo e, hoje, afeta menos de 1% das plantas doentes.

As causas da sua redução são as menores taxas de transmissão e maior sensibilidade a altas temperaturas, de acordo com relato do Fundecitrus.

As bactérias do greening são transmitidas pelo psilídeo Diaphorina citri, inseto de coloração branca acinzentada e manchas escuras nas asas, com comprimento de dois a três milímetros, e muito frequente nos pomares nas épocas de brotação das plantas. O controle da doença exige o plantio de mudas sadias, a eliminação das plantas doentes e o controle do psilídeo.

A eliminação das plantas doentes é obrigatória por lei, podendo o citricultor ser multado de 501 a 3.500 UFESPs (o valor da UFESP em 201´e´de R$ 26,53).

Como tudo começou

Conforme relata o Fundecitrus, o grenning foi encontrado pela primeira vez na Ásia, há mais de cem anos e identificado no Brasil há 15 anos, nas regiões Centro e Leste do Estado de São Paulo. Hoje, está presente em todas as regiões citrícolas paulistas e pomares de Minas Gerais e Paraná, além de Argentina e Paraguai, na América do Sul, em quase todos os países da América Central e Caribe, e México e Estados Unidos, na América do Norte.

Os pomares com alta incidência da doença e sem o adequado controle do inseto vetor representam uma séria ameaça aos pomares vizinhos, porque as plantas doentes servem como fonte da bactéria, que será adquirida pelos psilídeos ao se alimentarem ou se reproduzirem nelas.

Ao se alimentarem em plantas sadias, os insetos disseminam a bactéria e a doença pelo próprio pomar e para outras propriedades da região.

10 Mandamentos para controle

Manual gratuito traz orientações de controle do greening. Foto: Fundecitrus

Desenvolvido pelo Fundecitrus, o Manual de Manejo do Greening é direcionado para citricultores, engenheiros agrônomos, técnicos e demais profissionais do setor citrícola. Ele traz informações detalhadas sobre os dez mandamentos para o sucesso do controle da doença.

No material também são apresentadas estratégias para a gestão das informações para o manejo do greening, como monitoramento do inseto transmissor, psilídeo Diaphorina citri, controle, inspeção de plantas e histórico de ocorrência da doença.

Para download gratuito, acesse o link www.fundecitrus.com.br/doencas/greening.

Aplicativo Siceg

No ano passado, o Fundo de Defesa da Citricultura lançou o aplicativo Sistema de Controle Externo de Greening (Siceg), que ajuda o citricultor a controlar o greening. O app permite o cadastro, mapeamento e georreferenciamento das plantas de citros e murtas localizadas ao redor da propriedade citrícola, que estão servindo como fonte de contaminação da doença.

Pelo aplicativo, é possível catalogar a distância que essas árvores se encontram dos pomares e quais ações estão sendo executadas para o controle da doença. O app está disponível gratuitamente para os sistemas operacionais Android e IOS. Após o download, é necessário entrar em contato com o Fundecitrus para cadastro de login e senha pelo 0800 112 155.

Para mais informações, acesse www.fundecitrus.com.br.

Fonte: Fundecitrus