Geração de bioeletricidade, em 2018, foi o equivalente ao consumo anual de 11,4 milhões de residências e evitou a emissão de 6,4 milhões de CO2. Foto: Ilustrativa

A geração de energia “carbono zero” é um dos principais potenciais da matriz energética brasileira que vem ganhando destaque por meio da produção limpa e renovável, feita a partir de biomassas oriundas da moagem da cana-de-açúcar (bagaço e palha), restos de madeira, biogás, carvão vegetal, casca de arroz, capim-elefante, entre outras.

Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) indicam que a capacidade instalada, atualmente outorgada no País pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), é de 169.664 megawatts, representando 9% da matriz elétrica do Brasil, que ocupa a quarta posição, sendo superada pelas usinas de fonte hídrica, termelétricas a gás natural e eólicas.

A posição estratégica da bioenergia estimula o interesse do setor que busca informações e atualizações de plantas industriais. Nesse sentido, a 27ª Fenasucro & Agrocana – Feira Internacional de Bioenergia, que acontecerá de 20 a 23 de agosto, em Sertãozinho (SP), conta com o tema “Renovando seus negócios” e apresentará soluções e conteúdos voltados para o cenário da matriz bioenergética.

“Os anos de 2018 e 2019 vêm mostrando a relevância da bioenergia e, por isso, inúmeras empresas querem se relacionar e desenvolver produtos para esse setor”, afirma Paulo Montabone, diretor da feira.

RenovaBio

Bioeletricidade sucroenergética para rede tem potencial para crescer em torno de 60% até 2030. Foto: Divulgação

Representantes do setor acreditam que, por meio do programa RenovaBio – Política Nacional de Biocombustíveis criada para garantir o papel estratégico dos biocombustíveis e a segurança energética –, a bioeletricidade sucroenergética para a rede tem potencial para crescer em torno de 60% até 2030, saindo de 21,5 mil gigawatts por hora em 2018, para 34 mil GWh até 2030.

A geração de bioeletricidade, no ano passado, foi o equivalente ao consumo anual de 11,4 milhões de residências e evitou a emissão de 6,4 milhões de gás carbônico (CO2), o que só pode ser possível com o cultivo de 45 milhões de árvores nativas ao longo de 20 anos.

“Existe um grande potencial a se trabalhar. Mesmo com o potencial de crescimento até 2030 utilizaremos apenas 20% da capacidade de produção. É o momento de modernização do setor elétrico e a bioeletricidade tem muita competitividade”, afirma Zilmar José de Souza, gerente de Bioeletricidade da Unica.

Novas tecnologias

Projeto Sucre trabalha com desenvolvimento de bioenergia por meio da palha da cana. Foto: Divulgação

O potencial e as inovações no setor de geração de energia “carbono zero” envolvem a produção de pesquisas em busca de novas tecnologias como o Projeto SUCRE (Sugarcane Renewable Electricity), realizado pelo Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

Esse trabalho conta com o financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (Global Environment Facility – GEF, em ingles), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Os aspectos do projeto, que visa ao aumento da produção de eletricidade com baixa emissão de gases de efeito estufa (GEEs) na indústria de cana-de-açúcar, também serão apresentados na 27ª Fenasucro & Agrocana, durante o 9º Seminário de Bioeletricidade, marcado para 21 de agosto, a partir das 9h30, no auditório Fenasucro.

Na ocasião, o pesquisador Marcos Watanabe destacará a identificação e sugestão de soluções para transpor as barreiras tecnológicas, econômicas e agroambientais para o uso pleno e sistemático da palha da cana-de-açúcar para a produção de bioeletricidade.

“O uso da palha da cana-de-açúcar tem potencial para atender 100% da demanda residencial atual de todo o país”, afirma Watanabe.

O evento

Todas as discussões que envolvem o setor sucroenergético e de bioenergia serão tratadas durante a 27ª Fenasucro & Agrocana, que será realizada entre os dias 20 e 23 de agosto, em Sertãozinho (SP).

Realizado pelo CEISE Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis) e organizado pela Reed Exhibitions Alcantara Machado, a feira reunirá empresários do Brasil e do exterior em busca de projetos e soluções focados nas oportunidades e perspectivas de negócios envolvendo a matriz energética sustentável.

A Feira Internacional de Bioenergia também apresentará uma grade de eventos de conteúdo com a presença de representantes de diversas entidades, órgãos governamentais, universidades, empresas multinacionais, entre outros, que abordarão temas como RenovaBio, bioeletricidade, transporte e logística, mercado sucroalcooleiro e indústria 4.0.

O pré-credenciamento da 27ª Fenasucro & Agrocana está aberto pelo site www.fenasucro.com.br.

Fonte: Fenasucro & Agrocana