Carne Carbono Neutro (CCN) é produzida em sistemas integrados com a presença de árvores plantadas, que são responsáveis pelo sequestro de carbono e possibilitam a neutralização da emissão de metano dos animais em pastejo, além de proporcionar conforto térmico ao gado. O foco do sistema é o componente florestal. Foto: Divulgação

O Recôncavo Baiano é o mais novo local de instalação de Unidades de Referência Tecnológica (URT) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. O objetivo é avaliar a produção de bovinos de corte em sistema silvipastoril para a produção de Carne Carbono Neutro (cria, recria e terminação), em solos do tipo massapé, até 2021.

A Carne Carbono Neutro (CCN) é produzida em sistemas integrados com a presença de árvores plantadas, que são responsáveis pelo sequestro de carbono e possibilitam a neutralização da emissão de metano dos animais em pastejo, além de proporcionar conforto térmico ao gado. O foco do sistema é o componente florestal.

Para esse trabalho na Bahia, os pesquisadores da Embrapa Gado de Corte e da Embrapa Florestas contam com o suporte da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura do Estado da Bahia para conduzir os experimentos.

“A URT é uma das formas que a Embrapa encontra de transferir as tecnologias usadas dentro dos nossos centros para o meio rural. A implantação do ILPF é o meio utilizado para efetivar essa troca. Para os animais, há um aumento de produtividade, pois, com a existência das árvores, conseguimos oferecer um conforto térmico, por exemplo, e isso impacta na qualidade da carne produzida nessa fazenda”, explica a zootecnista e pós-doutora em Ciência Animal e Pastagens Fabiana Villa Alves, pesquisadora da Embrapa Gado de Corte e um das responsáveis pela proposta.

Para o pecuarista Emílio Azevedo, proprietário de uma fazendas onde uma das URTs será instalada, “a Embrapa nos apresentou os resultados que já foram obtidos em outros estados e, por já ter uma vivência com outras ações de preservação ambiental, decidimos implementar aqui. A expectativa é que, ao fim do ciclo do eucalipto, possamos ter uma renda adicional com a colheita do eucalipto”, acredita Azevedo.

Monitoramento

Selo da Carne Carbono Neutro da Embrapa. Foto: Divulgação

A área da URT tem ao redor de 15 hectares e nela os pesquisadores monitorarão os componentes solo, forrageiro, microclimático, animal e socioeconômico do sistema para ao fim “sistematizar informações referentes ao microclima, produção forrageira, carbono no solo, desempenho animal e socioeconomia, visando o cálculo da neutralização de gases de efeito estufa, no Recôncavo Baiano”, detalha o agrônomo e doutor em Zootecnia Roberto Giolo de Almeida, também pesquisador da Embrapa.

Ele ainda comenta que a espécie forrageira empregada será a braquiária; a arbórea, eucalipto; e os animais, raça Nelore.

Fabiana e Giolo ressaltam que o trabalho focará nas possibilidades dos sistemas integrados para a região Nordeste do País, onde é possível, além do uso de gado de corte e eucalipto, integrar bovinos de leite e ovinos com espécies frutíferas ou nativas, por exemplo, como componente florestal.

Com iniciativas ainda incipientes na região, eles apostam no potencial de crescimento da tecnologia. De modo geral, os pesquisadores avaliam que existe um potencial elevado de gerar produtos direcionados para o segmento premium, seja para nichos de mercados no Brasil ou para exportação, atendendo às exigências por práticas sustentáveis do mercado europeu, por exemplo.

Estima-se que, no Brasil, o conceito CCN possa atingir 1,5 milhão de hectares ou 1% do rebanho brasileiro, o que equivale a aproximadamente 2,2 milhões de cabeças de gado.

Fonte: Embrapa Gado de Corte