O CEO do SNASH, Leonardo Alvarenga, apresentou o hub como um ecossistema de inovação voltado ao agronegócio e à sustentabilidade conectando startups, empresas, investidores e o setor público (Foto: Larissa Machado)
O Inova Agro Tour RJ 2026, promovido pelo SNASH (SNA Startup Hub), aconteceu na última segunda-feira (08), na sede da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), no Rio de Janeiro. O evento reuniu startups, especialistas, investidores, cooperativas, empresas de tecnologia e representantes do setor para debater inovação, sustentabilidade e os impactos das transformações tecnológicas no agronegócio brasileiro.
Realizado com patrocínio da Senior Sistemas e apoio financeiro da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), o encontro fez parte de uma iniciativa nacional voltada ao fortalecimento do ecossistema de inovação no agro, promovendo a aproximação entre universidades, centros de pesquisa, empresas, investidores e startups em busca de soluções para os desafios atuais e futuros do setor.
Abertura
A programação foi aberta com a fala de boas-vindas do presidente da SNA, Antonio Alvarenga. Ele destacou os pilares de educação, comunicação e inovação da instituição, ressaltando iniciativas como a Faculdade SNA Digital, o Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos), as revistas A Lavoura e Animal Business Brasil, e o SNASH.
Agro e Sustentabilidade
Em seguida, o CEO do SNASH, Leonardo Alvarenga, apresentou o hub como um ecossistema de inovação voltado ao agronegócio e à sustentabilidade conectando startups, empresas, investidores e o setor público. Ele destacou a atuação nacional da iniciativa, os programas de aceleração e ações como mentorias, captação de investimentos, participação em eventos internacionais e o Farmlab da IPA Fazendinha da Penha, voltado ao desenvolvimento de provas de conceito.

Tecnologia ao produtor
Outro destaque da programação foi o painel “Panorama Atual para o Agro Brasileiro”, moderado por Fátima Martins, Head Comercial do Agro da XP, com participação de Jerônimo Goergen, presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (ACEBRA).
Durante o debate, Fátima ressaltou a importância de levar conhecimento e tecnologia ao produtor rural, além da necessidade de fortalecer a comunicação do setor para apresentar ao mundo “o agro real” e atrair investidores internacionais.
Jerônimo Goergen apresentou uma análise crítica sobre os desafios estruturais do agronegócio brasileiro.
Entre os temas abordados, destacou o endividamento crescente dos produtores, os problemas relacionados à infraestrutura e armazenagem, a necessidade de ampliar a conectividade no campo e a importância de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção nacional.
Também defendeu maior pragmatismo na condução das políticas para o setor e o avanço da transição energética com maior utilização de biodiesel e etanol produzidos no país.
IA e transformação da gestão no agro

Graciele Lima, Head de Produtos da Senior Sistemas – Foto: Larissa Machado
Na palestra “Da Intuição aos Algoritmos: o Novo Modelo de Gestão do Agronegócio”, Graciele Lima, Head de Produtos da Senior Sistemas, destacou o papel da inteligência artificial na transformação da gestão agropecuária. Ela frisou ainda que, além dos desafios ligados ao clima, logística e custos, o setor enfrenta a necessidade de decisões cada vez mais orientadas por dados.
A executiva apresentou aplicações práticas da IA no campo, como mapeamento agrícola e simulação de cenários econômicos, ressaltando que a tecnologia não substitui profissionais, mas fortalece a tomada de decisão e reduz tarefas operacionais.
“Tive a honra de estar no Inova Tour no Rio 2026, promovido pelo SNASH. Foi um evento com muita troca, discussões de alto nível e conteúdo rico, discutindo além dos desafios, principalmente as oportunidades que o Agro e as inovações tecnológicas trazer para a economia do país. Nomes como Acebra, SLC, Sicredi, XP Agro, OCB juntos trazendo insights dos diversos prismas da cadeia do Agro, mas com um único propósito inovar através da conexão e digitalização do Agro. Parabéns time da SNASH e SNA pelo ótimo evento. É muito bom para a Senior Sistemas estar conectada a esse ecossistema”, enfatizou Graciele Lima.
Conectividade + acessibilidade
O painel “Adoção de Inteligência Artificial no Campo: Onde Estamos e Para Onde Vamos”, moderado por Leandro Sarto, da Senior Sistemas, debateu os desafios da conectividade e da implementação da IA no agro. Participam do painel Renato Seraphim, Consultor Sênior do Agro da Focus Partners; Daniele Lopes, Coordenadora de Inovação da SLC; e Lucas Koren, fundador da IMBR Agro.

Em sua fala, Lucas Koren, destacou a diferença entre automação e inteligência artificial e defendeu o uso de agentes de IA integrados a ferramentas simples, como WhatsApp e Telegram, para ampliar o acesso à tecnologia no campo.
Já Renato Seraphim, afirmou que a IA deve ser vista como estratégia de negócio, contribuindo para produtividade, rentabilidade e redução de riscos.
Durante sua exposição, Daniele Lopes, da SLC, ressaltou que o principal desafio está na preparação das pessoas para interpretar e utilizar corretamente as ferramentas baseadas em dados e algoritmos.
Potencial de crescimento
Na segunda parte do evento, o público prestigiou painéis que abordaram assuntos estratégicos no contexto da inovação agropecuária.
Foram debatidos temas como a tecnologia no pujante cooperativismo do setor, a busca por fontes limpas e renováveis de energia, além do potencial de crescimento oferecido por essas ferramentas e métodos. Representantes de prestígio desses ramos puderam apresentar suas percepções e responder às perguntas da plateia.
Inovação no Cooperativismo do Agro
O debate foi moderado por Abdul Nasser, superintendente do Sistema OCB/RJ, e contou com a participação de Katyane Martins, Consultora de Inovação do Sicredi; Graciele Lima, Head de Produtos da Senior Sistemas e Rafael Martins, diretor da Região Serrana-RJ do Sicredi PR/SP/RJ.
A conversa abordou a tradição e pujança do cooperativismo agrícola, bem como os desafios de expansão e inovação para esse segmento. Os painelistas também apontaram como novas gerações de agricultores vêm permanecendo na profissão, num fenômeno que reverteu o antigo êxodo rural.
LEIA TAMBÉM:
SNA dá posse a três expoentes do Agro como novos membros da Academia Nacional de Agricultura
Agro regenerativo e inteligência biológica são temas de webinar realizado pelo CI Orgânicos e SNASH
CVM explica em evento no SNASH novas regras de crowdfunding para incluir agronegócio
Abdul Nasser ponderou que a inteligência artificial, a exemplo de outras tecnologias, pode ser assimilada igualitariamente se o público-alvo estiver preparado e capacitado.
Graciele Lima disse que o modelo cooperativista é adequado nesse sentido, permitindo que associados recebam a orientação técnica, otimizando sua produção.
Katyane Martins acrescentou que ouvir os cooperados é parte essencial do processo, já que os produtores apresentam demandas próprias que sujem a partir de ciclos inovadores. Por fim, Rafael Martins lembrou que a adoção de novas tecnologias pode incentivar a melhor organização financeira dos associados, bem como o planejamento sucessório e as parcerias logísticas.

Transição Bioenergética
Moderado por Sylvia Waschner, diretora da SNA, o painel teve participação de André Nassar, presidente executivo da ABIOVE; Iran Santos, diretor de Agronegócios da Vibra Energia e Jeronimo Goergen, presidente da ACEBRA.
O principal eixo temático do debate foi o papel do agronegócio na nova matriz energética brasileira, levando em consideração o protagonismo do setor.
Também esteve em pauta a necessária integração entre produtores e indústria, tendo em vista o excedente de um lado e a capacidade de processamento de outro, agregando valor às commodities e aproveitando os corredores de exportação já consolidados. E, nessa adaptação, a inteligência artificial desempenha papel determinante.
André Nasser disse que o agronegócio já está em fase avançada da transição energética, tendo em vista o emprego em larga escala do biodiesel e outros compostos. Ele ponderou, no entanto, que é necessário um esforço de interlocução para integrar essa inovação com outros setores, inclusive internacionais. Isso colocaria o país como player em tratativas comerciais do ramo.
Jeronimo Goergen manifestou-se no mesmo sentido, destacando que os derivados das enormes safras de soja e cana já são amplamente utilizados como para fins de energia, mas lembrou que sucessivas gestões federais falharam em regulamentar com agilidade e clareza a gama de biocombustíveis.
Iran Santos completou enaltecendo a competitividade e controle de custos como legado positivo da nova matriz, uma vez que a segurança energética está ligada à segurança alimentar, num ciclo produtivo virtuoso que supra as demandas crescentes da população.

Como a Inovação Pode Alavancar o Potencial do Agro
A mediação coube a Gabriela Capobianco, CEO da Capobianco Palhares Advogados. Participaram Christiane Haschka Fortes, Head de Inovação Américas da Yara International; Carolina Koike, gerente de Inovação e CVC da Atvos e Vinicius Dias, CEO da CWS Platform.
O objetivo do painel foi abordar os aspectos comerciais e jurídicos de inovações que vêm sendo incorporadas ao agronegócio e os desdobramentos práticos de uma transição tecnológica, digital e energética. Os debatedores também refletiram sobre esse processo em suas próprias companhias.
Christiane Haschka explicou que os ciclos habituais de inovação esbarram em prazos ou ideias, requerendo uma visão estratégica e de liderança nas empresas. Com frequência, a maturidade institucional e o grau de centralização das decisões influenciam bastante esse resultado. Para ela, o Brasil possui um grande potencial nesse sentido.
Carolina Koike repercutiu essa análise, salientando que gestores abertos a implementar mudanças estimulam seus colaboradores a buscar novas soluções.
Vinicius Dias pontuou que, devido à abundância produtiva do setor agrícola brasileiro, o foco em outras medidas acaba não recebendo a devida atenção. Ele explicou os diferentes tipos de investimento e o caráter técnico dessas decisões, ilustrando casos do agronegócio e a relação com inovação.
A moderadora Gabriela Capobianco enfatizou que processos de criação de uma governança interna também demandam tempo, recursos e precisam de gestores que compreendam as opções adequadas para o momento da empresa.

Veros é a Startup vencedora do SNASH Pitch Challenge
Paralelamente aos painéis técnicos do Inova Agro Tour, a sede do SNASH recebeu o SNASH Pitch Challenge, uma batalha de pitches que reuniu oito startups Premium do hub para apresentar soluções inovadoras voltadas ao agronegócio.
Com apresentações de até cinco minutos e avaliação de jurados da Finep e da Embrapa, a competição destacou tecnologias capazes de enfrentar desafios em áreas como rastreabilidade, sustentabilidade, inteligência artificial, comércio digital e gestão da cadeia produtiva.
A grande vencedora foi a Veros, que apresentou a plataforma Traceply, desenvolvida para garantir rastreabilidade e conformidade regulatória nas exportações agropecuárias.
Segundo o fundador, Luis Rollof, a solução ajuda empresas a atender exigências de mercados internacionais e regulamentações como EUDR, CSRD e Renovabio, reduzindo riscos de perda de mercado, multas e restrições ao crédito.
Atualmente, a startup já atende cerca de 60% do mercado brasileiro de café solúvel destinado à exportação e oferece relatórios personalizados conforme o país de destino dos produtos.

Entre os destaques da disputa também esteve a Conéctar, que ficou em segundo lugar, ao desenvolver uma infraestrutura de dados para a cadeia de perecíveis, conectando restaurantes e distribuidores de hortifrúti.
O fundador Mateus Sampaio destacou que o setor ainda é marcado por processos analógicos e fragmentados. “
É algo único hoje o que está acontecendo na nossa cadeia, que é muito fragmentada. Tudo o que precisamos é integração”, afirmou.
Em terceiro lugar, a startup Vaca Roxa demonstrou uma tecnologia capaz de identificar precocemente casos de mastite em vacas leiteiras, reduzindo perdas produtivas e o uso de medicamentos.
“Desenvolvemos uma raquete digital capaz de identificar vacas infectadas em até 40 segundos”, pontuou o fundador da empresa Roberto Valicheski.
As demais participantes apresentaram soluções voltadas para diferentes gargalos do agro. A CWS mostrou sua plataforma de comércio B2B para negociações complexas do agro. A 4rest apresentou um sistema de tokenização de áreas preservadas para valorização ambiental.
Já a Grisea levou biopolímeros produzidos a partir de algas marinhas para reduzir impactos dos fertilizantes convencionais. A Aurica destacou ferramentas de gestão de riscos socioambientais para a pecuária leiteira; e a IMBR Agro apresentou aplicações de inteligência artificial para apoio à tomada de decisão no campo.
Encerramento
O CEO do SNASH, Leonardo Alvarenga, fez um balanço positivo do evento, destacando a riqueza das discussões e manifestações de mais uma etapa do Inova Agro Tour. Ele agradeceu a todos, entre patrocinadores, parceiros de mídia e debatedores.
Confira a matéria da Record sobre o Inova Agro Tour RJ 2026.








