Especialistas reforçam como o ômega-3 atua na proteção do coração (Foto: Freepik)
O atum, além de versátil, se destaca como uma fonte prática de proteínas de alta qualidade, atendendo à crescente demanda por hábitos mais saudáveis. O mercado global de conservas de atum e sardinha deve alcançar US$16,38 bilhões em 2026 e ultrapassar US$27,74 bilhões até 2035, com crescimento médio anual de 6,03%.
No Brasil, cerca de 25 mil toneladas são capturadas anualmente, conforme o Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe). Segundo o nutricionista Marcio Augusto Trindade, apesar de ser uma proteína rica em nutrientes, é preciso ficar atento ao consumo elevado devido ao alto teor de mercúrio presente em peixes de grande porte.
“Quando consumido em excesso, o mercúrio pode ter efeitos tóxicos, principalmente sobre o sistema nervoso central. Em adultos, isso geralmente está associado a exposições mais elevadas e prolongadas. Já em grupos mais sensíveis, como gestantes, lactantes e crianças, o cuidado deve ser redobrado, pois o mercúrio pode interferir no desenvolvimento neurológico”, alerta.

O atum é uma fonte prática de proteínas de alta qualidade, atendendo à crescente demanda por hábitos mais saudáveis. Foto: bildgebende_momente/Pixabay
Nesse contexto, a recomendação não é evitar o atum, mas consumi-lo com equilíbrio. O especialista comenta que, de modo geral, orienta-se o consumo de duas a três vezes por semana, sempre alternando com outros peixes que apresentam menor teor de mercúrio, como a sardinha. Outro ponto importante destacado pelo especialista, é que nem todo tipo de atum apresenta o mesmo risco. Espécies menores, como o atum light enlatado, tendem a ter menor concentração de mercúrio quando comparadas a espécies maiores, como o atum albacora.
“Já o atum enlatado, preserva grande parte dos seus benefícios, especialmente no que diz respeito ao teor de proteína e de ômega-3, sendo uma opção prática para o dia a dia. No entanto, há algumas diferenças importantes: pode apresentar maior teor de sódio e, quando conservado em óleo, um valor calórico mais elevado. Por isso, vale dar preferência às versões em água e com menor teor de sal”, complementa o nutricionista.
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Benefícios do atum para a saúde do coração
Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, o pescado geral já corresponde a 51% do consumo mundial de proteínas de origem animal, evidenciando uma mudança significativa nos padrões alimentares. A produção global já supera 185 milhões de toneladas, sendo que mais da metade desse volume é proveniente da aquicultura.
Desde a década de 1960, o consumo per capita quase dobrou, passando de 9,1 quilos para 20,7 quilos por pessoa ao ano em 2022. A expectativa é de que esse crescimento continue até 2030, quando o mundo deverá demandar aproximadamente 24 milhões de toneladas adicionais de pescado por ano, de acordo com estimativas do IFC Brasil (2025).

O consumo regular é um dos pilares de uma dieta cardioprotetora, devido à presença de ácidos graxos ômega-3. Foto: ubert-Pixabay
Diante desse cenário, a nutróloga Juliana Couto Guimarães, explica que o atum é um verdadeiro “coringa” na cozinha e é rico em micronutrientes, incluindo as vitaminas B12 e D, além do mineral selênio. O consumo regular é um dos pilares de uma dieta cardioprotetora, devido à presença de ácidos graxos ômega-3 (como EPA e DHA). A atuação desses compostos ocorre de várias formas. A especialista destaca os principais benefícios do consumo para a saúde cardiovascular:
– Controle de lipídios: auxiliam na redução dos níveis de triglicerídeos circulantes no sangue
– Melhora da função vascular: promovem a saúde do endotélio (camada interna dos vasos sanguíneos), favorecendo uma circulação mais eficiente
– Ação anti-inflamatória: reduzem marcadores de inflamação sistêmica, que são fatores de risco para o desenvolvimento de placas nas artérias (aterosclerose)
– Efeito antiarrítmico: Possuem propriedades que auxiliam na estabilização do ritmo cardíaco, oferecendo uma proteção adicional contra arritmias.








