O avanço da técnica amplia a capacidade de detectar doenças precocemente, fortalece a biossegurança e reduz riscos para a produção animal (Foto: Divulgação)
A influenza aviária acelerou a adoção de novas estratégias de vigilância na medicina veterinária e reforçou o papel da biologia molecular na detecção precoce de doenças. Hoje, o diagnóstico laboratorial é um componente estratégico dos programas de vigilância sanitária, ampliando a capacidade de monitorar e controlar enfermidades de importância econômica para a produção animal. Técnicas como a PCR em tempo real permitem identificar agentes infecciosos muitas vezes antes do surgimento dos primeiros sinais clínicos, favorecendo respostas mais ágeis e reduzindo impactos econômicos.
Essa evolução acompanha um cenário de maior atenção à sanidade animal em todo o mundo. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) apontam que a influenza aviária de alta patogenicidade segue entre as principais ameaças à produção animal global, reforçando a importância do fortalecimento da vigilância laboratorial e do diagnóstico molecular para a detecção e controle da doença.

A vigilância sanitária passou a ocupar um papel central na prevenção de doenças que afetam a produção animal. Foto: ralphs_fotos/Pixabay
Segundo mestre em agronomia, Tatiani Janegitz, a vigilância sanitária passou a ocupar um papel central na prevenção de doenças que afetam a produção animal. Para ela, os desafios de sanidade e controle de doenças em aviários estão cada vez mais ligados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e à necessidade de reduzir o uso de antibióticos.
“Com a vigilância molecular, hoje conseguimos identificar a presença do agente causador muito antes da manifestação clínica, permitindo decisões rápidas que reduzem perdas produtivas, minimizam riscos sanitários e fortalecem toda a cadeia do agronegócio”, afirma a especialista.
LEIA TAMBÉM:
→ Prevenção é um dos principais pilares da produção animal moderna
Vigilância molecular fortalece a prevenção de doenças
Além do diagnóstico precoce, com a vigilância molecular é possível caracterizar geneticamente vírus e bactérias, acompanhar mutações, identificar variantes e compreender as rotas de disseminação dos patógenos. Essas informações baseiam decisões de biossegurança, fortalecem os programas sanitários e ajudam a preservar a competitividade da agropecuária brasileira nos mercados internacionais.
A experiência recente com enfermidades como influenza aviária, peste suína africana e febre aftosa mostrou que o custo da prevenção é significativamente menor do que o das medidas adotadas diante de surtos já instalados. Em um cenário cada vez mais rigoroso quanto aos requisitos sanitários, o monitoramento contínuo é uma estratégia indispensável para produtores, cooperativas e autoridades sanitárias.
Esse movimento também possibilitou o crescimento dos exames moleculares para outras doenças de grande impacto econômico. Além da influenza aviária, esses testes vêm sendo cada vez mais utilizados na detecção de enfermidades como brucelose, tuberculose bovina, leptospirose, mastite e diarreia neonatal, contribuindo para diagnósticos mais rápidos, maior precisão nas decisões clínicas e melhor controle sanitário dos rebanhos.

Testes têm contribuido para diagnósticos mais rápidos, maior precisão nas decisões clínicas e melhor controle sanitário dos rebanhos. Foto: publicdomainpictures/Pixabay
Para os próximos anos, a expectativa é de crescimento da demanda por exames moleculares como forma de garantir maior segurança para a produção animal. “Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais. O diagnóstico molecular passou a ser um investimento permanente em biossegurança, porque monitorar continuamente custa muito menos do que lidar com os prejuízos provocados por um surto sanitário”, destaca Tatiani.
Por fim, a especialista acrescenta que, além de proteger os animais, essa estratégia fortalece a competitividade da produção brasileira e contribui para manter a confiança dos mercados internacionais.








