Boas práticas na produção animal têm atraído investidores e aumentado o acesso a financiamento (Foto: Korin/Divulgação)
A agenda de bem-estar animal deixou de ser um diferencial periférico para ocupar o centro da estratégia da cadeia de proteína animal no Brasil. Em um contexto de crescente exigência de consumidores e investidores, práticas que conciliam produtividade, sustentabilidade e ética ganham espaço como instrumento de agregação de valor.
Para o consultor em agronegócio e sustentabilidade Fabricio Delgado, o tema reflete uma mudança concreta na dinâmica do setor. “É um tema extremamente contemporâneo e eu diria hoje real. Ao longo do tempo a gente vem falando em bem-estar animal, vem tratando o bem-estar animal e hoje estamos vivendo na realidade o bem-estar animal”.
O assunto será o do foco Fórum Estratégico de Bem-Estar Animal – Alinhando Propósito, Mercado e Performance, no dia 7 de maio, em São Paulo, organizado pela Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (Cobea) e pela certificadora Produtor do Bem.
A proposta do evento é evidenciar que, mais do que uma exigência reputacional, o tema já influencia preço, acesso a mercados e decisões de investimento.
Na visão da diretora de Sustentabilidade da Seara, Sheila Guebara, a convergência entre eficiência produtiva, inovação e bem-estar animal já se traduz em vantagem competitiva.
“Integração entre eficiência produtiva, bem-estar animal e inovação tecnológica vêm se consolidando como um diferencial competitivo na agregação de valor à proteína brasileira. Diante da crescente demanda global — com a população projetada para 10 bilhões até 2050 —, a eficiência deixa de ser apenas operacional e passa a ser estratégica, diretamente ligada à sustentabilidade e à segurança alimentar”, comenta.
Ela ressalta que o impacto dessa transformação é direto ao longo da cadeia.
“Para produtores e consumidores, o impacto é direto: quem cumpre metas de bem-estar tende a ser melhor remunerado, mostrando que ser sustentável também é rentável”, destaca.
A Seara concluiu, em 2025, a transição para o sistema de gestação coletiva em 100% das granjas integradas de suínos.
Com isso, a companhia se torna a primeira grande empresa do setor no Brasil a cumprir integralmente um compromisso público assumido há cerca de uma década e que antecipa em mais de 20 anos a exigência regulatória prevista pela Instrução Normativa nº 113 do Ministério da Agricultura, que estabelece a adoção do modelo até 2045.
ESG e crédito: o bem-estar animal entra no radar financeiro
O avanço da agenda ESG também tem impulsionado o tema dentro do mercado de capitais e crédito rural.
Segundo Celso Funcia Lemme, professor de Finanças e Sustentabilidade do Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o desafio está em traduzir essas práticas em valor econômico percebido.
“O analista de mercado precisa acompanhar essa mudança em curso. Nem sempre é evidente como as práticas de bem-estar animal impactam o valor de uma empresa, mas a agenda ESG ajuda a tornar isso mais claro — mostrando o tema como um fator de inovação, geração de valor e adaptação às novas demandas da sociedade”, pontua.
No sistema financeiro, esse movimento já se materializa em políticas concretas.
De acordo com Maria Silvia Chicarino, do Santander, a incorporação de critérios socioambientais ganhou força a partir da Resolução CMN nº 4.327/2014.
“Hoje, a capacidade de gestão socioambiental dos clientes é central na avaliação de risco. Nesse contexto, o bem-estar animal ganha relevância, especialmente na cadeia de proteína animal, por estar ligado a riscos reputacionais, operacionais e de mercado. No Santander, esse tema já faz parte da análise socioambiental e influencia diretamente a concessão de crédito”, explica.
A tendência também é observada no mercado de investimentos.
Para Bruno Bernardo, da Régia Capital, a adoção de protocolos e certificações pode ser determinante para viabilizar financiamento.
“Na Régia Capital, por exemplo, temos políticas e critérios de investimentos bastante rigorosos envolvendo proteína animal, a preocupação e o cuidado com o bem-estar animal é um dos critérios mínimos esperados para que um investimento possa vir a ser considerado sustentável”, afirma.
Ele acrescenta que os ganhos vão além da reputação.
“Para os investidores, esse evento reforça uma movimentação do mercado e um amadurecimento do tema no mercado brasileiro”, complementa.
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O evento
Leonardo Thielo de La Vega, sócio fundador da Produtor do Bem e cocriador da Cobea, diz que o desenho do evento reflete essa ambição.
“Teremos uma programação que nos darão uma visão macro de como mercado e cadeia de valor podem atuar conjuntamente para facilitar os avanços, em benefício de ambos no país”, observa.
A diretora-executiva da Cobea, Elisa Tjarnstrom, reforça o caráter estratégico do tema para o posicionamento do Brasil no cenário internacional. “
O tema está em evidência e nesse Fórum teremos a oportunidade de conhecer a visão de especialistas de diferentes setores sobre o tema, e como podemos trabalhar juntos para desbloquear suas barreiras no Brasil”, finaliza.
SERVIÇO:
Fórum Estratégico de Bem-Estar Animal – Alinhando Propósito, Mercado e Performance
Data: 7 de maio de 2026
Local: Radisson Blu São Paulo – Avenida Cidade Jardim, 625, Sala Faria Lima, Itaim Bibi, São Paulo (SP)
Inscrições: https://lnkd.in/dF3BsSeC








