Startup entrega resultados de análise genômica de alta qualidade com rapidez e precisão (Foto: Divulgação)
Permitir ao agricultor e ao agrônomo o uso mais racional e direcionado dos produtos, proporcionando economia de recursos e uma agricultura mais sustentável. Essa é uma das propostas da ByMyCell, Startup Premium do SNASH, hub de inovação apoiado pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).
Em entrevista à Revista A Lavoura, o CEO e fundador da ByMyCell, Rafael Silva Rocha, conta como têm sido a evolução da empresa de biotecnologia que surgiu há quatro anos, em Ribeirão Preto, com a objetivo de trazer tecnologia para ajudar produtores rurais a produzirem mais com menos, e as empresas a inovarem mais rápido.

o CEO e fundador da ByMyCell, Rafael Silva Rocha
Revista A Lavoura: Fale um pouco sobre como as ações da empresa têm contribuído para a evolução do segmento.
Rafael Silva Rocha: Nossa principal missão é fazer a ponte entre estes produtores que precisam de novas tecnologias, como, por exemplo, bioinsumos, mas não têm um suporte técnico para fazer uma adoção correta destes produtos, e as empresas que desenvolvem estes produtos mas não possuem as ferramentas para adequar as recomendações às reais necessidades dos produtores.Temos evoluído muito nesse processo, nessa comunicação, nessa ponte entre produtores e novas tecnologias, trazendo ferramentas de análises de solos de última geração, combinando análises biológicas (microrganismos), de fertilidade e identificação molecular de nematóides de forma rápida e a baixo custo. Isso faz com que as decisões de manejo sejam mais precisas e gerem resultados reais, e não apenas promessas de produtos milagrosos. Hoje, já com 4 safras de experiência, estamos em um processo de expansão e trazendo novas soluções para a agricultura que foram sendo demandadas pelos nossos clientes.
Revista A Lavoura: Como a ByMyCell e suas soluções têm impactado na transformação no modo como agricultores e indústrias lidam com o solo e a produção?
Rafael Silva Rocha: Vamos pensar no seguinte cenário. A empresa de bioinsumos A tem um portifólio de 10 produtos para várias culturas, enquanto que a empresa B também tem outros 10 produtos para as mesmas culturas. A empresa A fala que seus produtos são melhores que a B, e a B fala que também é melhor que A. Mas aí vem o grande problema. Temos mais de 5 milhões de propriedades rurais no Brasil, da Amazônia ao Rio Grande do Sul, passando pelo Cerrado, São Paulo e Nordeste. Temos uma variabilidade altíssima de solos, climas, variedades de culturas e, principalmente, histórico das áreas. Ou seja, posso dizer que nenhuma fazenda no Brasil é igual a outra. Mas, aí, a recomendação das empresas de insumos vai ser muito semelhante, mesmo levando-se em conta toda essa variação. Então, o que o produtor ganha é uma recomendação “na média” e a promessa de que o produto é melhor. Seria a mesma coisa que ir na loja de sapatos e só poder comprar uma bota número 42, independentemente do tamanho do seu pé. Não faria sentido. É aí que entramos com as nossas tecnologias, com o diagnóstico do solo, junto com uma rede de agrônomos e parceiros espalhados pelo Brasil e também várias empresas parceiras. O que o diagnóstico vai revelar é o raio-X do solo, apontar uma grande quantidade de informações que permitirá aos profissionais montarem o manejo mais adequado. Em alguns casos, os produtos da empresa A vão ser os mais indicados. Mas, no vizinho, podem ser os da empresa B. Em outros, vai ser até uma combinação do bionematicidade de A com o biofungicida de B. Às vezes, pode ser de qualquer das duas empresas, Nesse caso, o produtor pode ir pelo preço ou pela confiança da marca. Agora, pensemos isso para centenas de empresas de bioinsumos atuantes no Brasil e quase mil bioinsumos registrados?

Plataforma de nálise Rizobiota. Foto: Divulgação
Revista A Lavoura: Em uma visão mais generalizada, como a análise Rizobiota vem gerando impacto para pequenos, médios e grandes produtores?
Rafael Silva Rocha: Temos muitos casos já validados nesses últimos anos. Tivemos um produtor de tomate com duas estufas com as plantas muito doentes e que não sabia onde estava o problema. Nossa análise revelou que era com nematoide-das-gralhas (Meloidogyne spp.), e sugerimos um bionematicida potente que resolveu o problema. Temos um caso com laranja que passou anos sem solução. O agrônomo, parceiro nosso, estava tratando os sintomas que pareciam Podridão do Pé (Phytophthora), que é o mais comum, mas nossa análise revelou que, na verdade, era fusariose (Fusarium solani), que é bem menos frequente. Já com grandes grupos, temos feito trabalhos muito bons com usinas. Nelas, nós conseguimos fazer uma análise bem ampla, comparando corte de cana, manejo e dados de produtividade. Em um caso com um grupo muito grande, nós criamos um banco de indicadores biológicos e químicos que explicam, em grande parte, as diferenças de produtividade nos canaviais, e também mostram quais manejos estão funcionando e quais não. Esses dados estão sendo usados pela agrícola da usina para refinar as práticas de manejo já na safra deste ano.
Revista A Lavoura: Como as soluções de análise genômica e de metabólitos de microrganismos vêm ajudando as empresas de bioinsumos a desenvolver novos produtos de forma mais rápida?
Rafael Silva Rocha: Hoje nós rodamos vários projetos com empresas que desenvolvem bioinsumos no Brasil, principalmente em três áreas. Primeiro, fazemos a identificação dos microrganismos por sequenciamento de genomas, o que os nossos clientes precisam para registrar novos produtos no MAPA. Segundo, para alguns clientes maiores, nós conseguimos acelerar a descoberta de novos produtos por genômica, transformando uma rotina que leva dois anos de experimentos, em bancada, em dois ou três meses, com a nossa tecnologia. Temos o caso de uma empresa que achou uma terceira função (bioinseticida) para um produto que estavam desenvolvendo, e que não tinham testado, mas que nós indicamos a eles. Na última ponta, nós também ajudamos na fase de escalonamento de bioprocesso com a metabolômica, para medir se o processo está permitindo a produção dos metabólitos que fazem o efeito do produto. Esse é um passo crítico e um grande gargalo do setor, e somos uma das poucas empresas no Brasil com esse conhecimento técnico. Agora estamos entrando em alguns projetos mais avançados com essas indústrias, mas que ainda não posso revelar.

Análise laboratorial. Foto: Divulgação
Revista A Lavoura: Fale um pouco sobre os novos projetos da ByMyCell e as perspectivas para o futuro
Rafael Silva Rocha: Nós agora estamos em fase de pré-lançamento da nossa ferramenta para análise genômica, pensado nas empresas que fazem sequenciamento de DNA internamente, mas não tem suporte de bioinformática, sem precisar saber de programação (https://blackgenn.com/platform). Essa tem sido uma demanda de nossos clientes e ajuda muito na indústria, porque há poucos profissionais com esse conhecimento no mercado. Isso dá autonomia ao time de P&D das empresas e reduz custos. Também começamos a olhar com mais atenção para a parte de saúde animal, um mercado que também tem vários problemas que conseguimos ajudar. E, para o futuro imediato, estamos olhando mais para a área além dos serviços de análise, focando em desenvolvimento e licenciamento de produtos. Aqui temos alguns projetos piloto já em andamento, mas que ainda não podemos dar muitos detalhes.
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Revista A Lavoura: O que mais você gostaria de acrescentar para os leitores da A Lavoura?
Rafael Silva Rocha: Na ByMyCell, nós acreditamos que nesses momentos de turbulência internacional, é ainda mais importante fazer um uso racional e assertivo de insumos na agricultura. O agricultor não pode errar, e estamos muito satisfeitos que as nossas análises estão ajudando agrônomos e produtores a tomarem decisões baseadas em dados e a não ficarem reféns das propostas comerciais de produtos. Além disso, hoje nós estamos buscando novos consultores agrícolas que queiram fazer parte do nosso programa de Consultor Parceiro. Nesse programa, buscamos profissionais com experiência no agro e carteira ativa que queiram ter acesso às nossas análises e últimos lançamentos. Também oferecemos treinamentos, acesso às nossas ferramentas exclusivas (como o MeuSolo.AI, para planejamento amostral por IA em 5 minutos) e comissionamentos generosos nas vendas geradas. Com essas ações, esperamos continuar a contribuir muito para esse mercado nos próximos anos.








