Sem transgenia, nova variedade do cereal mais consumido no Brasil é mais resistente a herbicidas

A primeira cultivar de arroz de terras altas resistente a herbicidas, a BRS A501 CL, acaba de ser lançada pela Embrapa e Basf, como resultado do programa de melhoramento genético convencional em rizicultura, realizado pela Unidade Arroz e Feijão (GO) da estatal, por meio de uma parceria com a Basf. A multinacional é detentora da tecnologia Clearfield.

Desenvolvida a partir do cruzamento de diferentes materiais de arroz, a BRS A501 CL não é um produto transgênico. Resistente ao herbicida de amplo espectro de ação Kifix, essa cultivar é indicada para sistemas de plantio direto na palha e para áreas com problemas de plantas daninhas resistentes ao glifosato, onde é necessária a rotação de moléculas.

“Essa não é uma tecnologia somente para os produtores de arroz, ela é para todo o sistema de produção”, destaca o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Arroz e Feijão, André Coutinho.

Em campo

Produtor de Lucas do Rio Verde (MT), Ademir Fischer já utiliza o novo arroz na rotação em áreas de soja. Todos os anos, ele cultiva o cereal seguido de um plantio de cobertura, em algum talhão de sua fazenda.

No ano seguinte, ao retornar com a soja, a produtividade do agricultor matogrossense chega a aumentar em até dez sacas. Para ele, a maior dificuldade na rizicultura está no controle das plantas daninhas.

“Como nas minhas áreas eu planto soja há 30/35 anos, tudo quanto é espécie de plantas daninhas eu tenho ali. E o controle é muito delicado. O produtor não pode perder o ‘time’ em nenhum momento. Espero que essa variedade seja o canal para plantar arroz em terras velhas”, diz Fischer.

Alto rendimento de grãos

Outra característica da nova cultivar de arroz é o alto e estável rendimento de grãos inteiros.

Engenheiro agrônomo e doutor em Genética e Melhoramento de Planta, o pesquisador da Embrapa Adriano Castro, líder do programa de melhoramento em rizicultura da Unidade Arroz e Feijão, a nova variedade apresenta, constantemente, mais de 60% de grãos inteiros.

Ele informa que esse elevado rendimento “se mostra estável no período de 25 a 53 dias, após o florescimento, o que permite ao produtor ampliar a janela de colheita do arroz, sem que haja perda na qualidade do produto final”.

“Se por algum motivo o rizicultor não puder colher em determinada semana, ele pode colher na seguinte, sem prejudicar o rendimento”, destaca Castro.

Indicações

Com ciclo médio de 101 a 110 dias, a BRS A501 CL é indicada para as regiões Centro-Oeste e Norte do País, apresentando produtividade média de quatro mil quilos por hectare e potencial produtivo ultrapassando os oito mil quilos. Suas sementes estarão disponíveis aos rizicultores brasileiros nas sementeiras licenciadas a partir da safra 2017/8. Confira onde encontrar sementes, acessando http://ow.ly/EXRH30JBI3O (link encurtado).

Fonte: Embrapa Agrossilvipastoril