Novas tecnologias e técnicas, com a utilização de veículos aéreos não tripulados (vants) ou drones, podem diagnosticar, com mais precisão, doenças e pragas em cultivos de tomates industriais e de mesa.

Este é o resultado do projeto de pesquisa da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater, sigla antiga mantida pela instituição no Estado), em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), Universidade Federal de Goiás (UFG), Embrapa Hortaliças (DF) e Universidade Federal de Brasília (UNB).

De acordo com a Agência, o trabalho consiste na análise de imagens da produção, capturadas por meio de uma câmera fotográfica acoplada a um drone, que informa o surgimento de problemas em tomateiros.

“A tecnologia inovadora proporciona, ao produtor rural, uma visão específica da lavoura, permitindo verificar a incidência de pragas que assolam sua produção. Dessa forma, é possível detectar doenças mais cedo e economizar com defensivos e análises laboratoriais”, relata a instituição.

Pesquisa

Pesquisadora da Embrapa Hortaliças, Alice Maria Quezado Duval conta como foi o processo de indução da mancha bacteriana no tomateiro, por exemplo, utilizado para o desenvolvimento do estudo científico: “Nós inoculamos, em diferentes concentrações, a mancha bacteriana, por meio da bactéria Xanthomonas, para termos vários níveis fotográficos”. A inoculação visa à obtenção de resultados crescentes para, posteriormente, serem codificados.

Responsável pelo projeto na unidade goiana da Emater, o pesquisador Lino Borges conta que o próximo passo será encontrar um algoritmo específico que possa indicar quais são, de fato, as doenças identificadas nas imagens. Para tanto, os pesquisadores vão utilizar a fotogrametria, que oferece uma visão tridimensional da imagem obtida.

De acordo com Borges, os vants atuam como meios de locomoção dos equipamentos que realizam, na prática, a captura de imagens.

“Existem outros meios, como aviões, por exemplo, que demandam um investimento maior. Os vants se tornaram um meio viável e prático para a aplicação de técnicas de visão computacional na agricultura”, explica o pesquisador.

Agricultura de precisão

Presidente da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária, Pedro Arraes destaca que o uso de drones tem crescido nos últimos quatro anos, oferecendo uma visão em computador daquilo que ocorre no campo.

“A agricultura de precisão oferece ao produtor um diagnóstico detalhado, e este é um dos objetivos do projeto de pesquisa apresentado pela Emater”, salienta.

Na agricultura, de acordo com a Agência goiana, a visão computacional é associada a máquinas que permitem ao profissional uma imagem sobre determinado aspecto do campo, seja em dimensões territoriais, análises de solo, número de plantas na propriedade ou no diagnóstico de doenças e pragas na cultura.

Escolha

Para a professora Abadia dos Reis nascimento, pesquisadora na área de hortaliças da Universidade Federal de Goiás (UFG), a escolha de aplicar o projeto em tomateiros foi ideal. Ela ainda justifica a decisão da equipe com dados que comprovam as potencialidades da atividade.

“Cerca de 80% da produção nacional de tomates está inserida em Goiás e isso mostra o quanto essa atividade é crucial para o desenvolvimento do setor, no Estado”, diz Abadia.

Credibilidade

A tendência de utilização de vants na agricultura confirma os elogios feitos pelo pesquisador agrícola da Cargill, Ricardo de Souza Bezerra. Segundo ele, “o trabalho é interessante visto que mostra a importância da extensão para todos os elos da cadeia produtiva”.

Segundo Souza, a Cargill já possui projetos em desenvolvimento para a área de drones. “A utilização dos vants não é uma realidade apenas na área de extensão e pesquisa. O setor comercial também é uma área que vislumbra tais tecnologias”, comenta.

Fonte: Emater Goiás