IAC Nuance, de grãos rajados tipo Cramberry, é a primeira no Brasil com registro no Mapa

Duas cultivares de feijão tipo gourmet (IAC’s Nuance e Tigre) e outra do tipo preto (IAC Netuno) foram lançadas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

A variedade IAC Nuance, de grãos rajados tipo Cramberry, é a primeira no Brasil com registro no Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Até então, o que se cultivava desse tipo de feijoeiro, em território nacional, vinha de material de outros países.

De acordo com o instituto, esse tipo de grão tem excelente aceitação no exterior e, por isso, abrirá uma nova possibilidade de negócio nos mercados dos Estados Unidos, Canadá e Europa, em especial da Espanha e Itália.

IAC Tigre

A segunda cultivar é a IAC Tigre, que apresenta grãos rajados tipo Pinto Beans, uma variedade americanizada e bastante consumida no México e na Europa. Esses feijões de grãos especiais têm alto valor agregado, conforme o Instituto Agronômico de Campinas.

Os preços costumam ser o dobro em comparação ao feijão carioca. Além disso, eles não sofrem tantas variações, o que permite ao agricultor fazer planejamentos.

“O preço é mais previsível e o mercado futuro é mais garantido. O valor não oscila tanto como ocorre com o carioca”, diz o pesquisador do IAC Alisson Fernando Chiorato.

No Brasil, a saca do feijão tipo rajado para o agricultor tem variado de 200 a 250 reais; e nas gôndolas do supermercado, o pacote de meio quilo custa entre cinco e seis reais. No mercado norte-americano, o consumidor paga, aproximadamente, seis dólares pelo quilo do feijão tipo Pinto Beans.

Conforme o pesquisador, a cultivar IAC Tigre chega para abrir um mercado, assim como fez o carioca na década de 70. “Ela apresenta o mesmo tegumento das cultivares norte-americanas, que são exportadas para o México, Canadá e Europa”, informa.

O grão é semelhante ao do carioca, porém é maior. E, ao invés de listras, tem pontuações de coloração marrom. Seu potencial produtivo pode chegar a 4.383 quilos por hectare. O porte de suas plantas, hábitos de crescimento e o manejo são semelhantes aos das cultivares cariocas cultivadas no país.

Desempenho agronômico

Ao contrário dos materiais importados, a IAC Nuance foi desenvolvida para apresentar bom desempenho agronômico em solo e clima brasileiro. O resultado é uma elevada produtividade, com potencial que pode chegar a 4.130 quilos por hectare, além de resistência à antracnose e tolerância ao Fusarium oxysporum.

Essas características diminuem de 20% a 30% o controle químico feito com agrotóxicos, refletindo na redução dos custos de produção e também dos impactos ambientais. Esse perfil fitossanitário, de acordo com o instituto Agronômico de Campinas, é o mesmo para as três novas cultivares.

Ciclo precoce

O ciclo precoce da IAC Nuance, que varia de 70 a 75 dias, representa agilidade na colheita e amplia as chances de colocá-la como outra opção de cultivo na propriedade. “Para o agricultor, a precocidade permite o giro rápido no negócio”, diz o pesquisador Alisson Chiorato.

Segundo ele, o IAC Nuance, que tem grão mais arredondado, possui um formato que o mercado procura: “é um produto diferenciado, muito desejado pelas empresas que trabalham com exportação”.

O IAC já havia desenvolvido a cultivar iAC harmonia, que se assemelha ao Nuance, mas a diferença está no formato do grão.

IAC Netuno

Outra cultivar do instituto, a IAC Netuno é recomendada ao setor produtivo por apresentar, depois do cozimento, uma excelente qualidade de caldo de coloração preto achocolatado, com grãos íntegros, que não se partem durante a cocção e ainda mantêm a mesma coloração após ser cozida.

No campo, essa nova variedade é tolerante ao crestamento bacteriano, principal doença do feijão preto que, em geral, é muito suscetível a esse problema.

“Essa tolerância ajuda a melhorar a qualidade dos grãos e por afetar menos a planta, melhora a produtividade”, destaca Alisson Chiorato.

Segundo o pesquisador, a IAC Netuno também é tolerante aos períodos prolongados de chuva, durante a colheita: “Essa característica mantém a integridade do grão em função da vagem ser mais resistente ao encharcamento”.

Regiões de cultivo

As três novas cultivares desenvolvidas pelo Instituto Agronômico de Campinas são indicadas para o cultivo nas regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil, apresentando qualidade de caldo, de acordo com os padrões da indústria empacotadora; teor de proteína médio de 21%; e tempo de cozimento em torno de 25 a 30 minutos, que é a média das cultivares.

Fonte: IAC