Típico do Sul do País, o mel de melato de bracatinga, além de não vir do néctar das flores – e, sim, de uma árvore – apresenta compostos bioativos em maior concentração, mais propriedades antioxidantes, maior quantidade de aminoácidos e maior produtividade. Foto: Divulgação

Mais bem pago no mercado internacional, o mel brasileiro extraído da bracatinga (Mimosa scabrella), uma espécie de árvore nativa da Mata das Araucárias, é considerado raro – até pela forma como é obtido. De coloração escura e levemente menos adocicado que o de origem floral, o mel de melato da bracatinga apresenta muitas propriedades medicinais e alta concentração de sais mineiras.

Ao contrário de outros tipos de meles mais comuns, produzidos após a polinização de flores, o mel de melato de bracatinga é produzido de outra forma: a cada dois anos, a casca desta árvore é atacada pela cochonilha, um inseto parasita que suga a seiva da árvore e expele o melato, um líquido doce que atrai as abelhas, que produzem esse tipo de mel.

“O que o diferencia do mel floral, além de não vir do néctar das flores, é que ele tem compostos bioativos em maior concentração, mais propriedades antioxidantes, maior quantidade de aminoácidos e maior produtividade”, explica Ana Carolina Costa, coordenadora do grupo de pesquisa em antioxidantes naturais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em entrevista concedida ao canal de rádio Brasil Rural, da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC). Confira o áudio de agosto do ano passado, pelo link (encurtado): ow.ly/mlUg30ooY6A.

Esse alimento diferenciado caiu no gosto dos alemães, que importam 98% dessa produção apícola, a maior parte colhida em Santa Catarina, segundo informa a reportagem especial “Ouro doce: a força do mel Catarinense”, no site da Agência de Notícias da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).

A região Sul do País é uma das únicas no mundo onde esse tipo de mel é encontrado. Além disso, estudo preliminar da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri-SC), divulgado no ano passado, indicava que a área de produção desse rico alimento abrangia aproximadamente um terço do território catarinense, se estendendo do Planalto Sul ao Planalto Norte e seguindo por uma faixa central do Estado em regiões com altitudes acima de 700 metros.

Em busca da certificação

A cada dois anos, a casca da bracatknga é atacada pela cochonilha, um inseto parasita que suga a seiva da árvore e expele o melato, um líquido doce que atrai as abelhas. Foto: Saulo Poffo/Divulgação Epagri-SC

Notoriedade à parte, apicultores de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná trabalham juntos, além da Epagri-SC, com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/SC) e Federação das Associações de Apicultores de Santa Catarina (Faasc), com foco na conquista da Indicação Geográfica (IG) desse produto raro e valioso, até o final de 2019.

Conforme conceito do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o registro de IG “é conferido a produtos ou serviços que são característicos do seu local de origem, o que lhes atribui reputação, valor intrínseco e identidade própria, além de os distinguir em relação aos seus similares disponíveis no mercado”.

Trata-se de “produtos que apresentam uma qualidade única em função de recursos naturais como solo, vegetação, clima e saber fazer (know-how ou savoir-faire)”. O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) é a órgão estatal que concede o registro e emite o certificado.

Comitê gestor

No dia 27 de março deste ano, na Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac), em Lages, o comitê gestor, que atua pela obtenção da IG do mel de melato de bracatinga, realizou um encontro para definir a área de abrangência de produção do verdadeiro mel de melato de bracatinga.

O processo de busca pela IG encontra-se na segunda fase, período em que vêm sendo analisadas, por técnicos responsáveis, amostras de mel enviadas por mais de 200 produtores, de 50 municípios dos três Estados do Sul do País.

Coordenador de Extensão Rural da Epagri-SC em Lages, Aziz Abou Hatem informa, na atual etapa de trabalho, está sendo delimitada a área onde a qualidade do produto encontrado é igual.

“Além da delimitação geográfica, vamos estabelecer também o limite natural de pólen a ser aceito de maneira que não interfira nas características medicinais e bioquímicas do mel.”

Benefícios da Indicação Geográfica

O selo da IG, além de agregar valor ao produto, estabelecerá normas que deverão ser cumpridas pela cadeia produtiva do mel de melato. Desde a extração,  passa pela produção e o envase, até a comercialização do produto.

Coordenador regional do Sebrae na Serra Catarinense, Altenir Agostini reforça que a Indicação Geográfica valorizará esse produto. “O selo demonstra e defende uma identidade regional, aumenta a competitividade no mercado e dificulta a falsificação, porque o mel passa a possuir uma identidade própria que o distingue dos demais produtos de igual natureza.”

Para mais informações acesse reportagem especial da Alesc pelo link (encurtado):

Fontes: Agência Alesc, Epagri-SC e SC Rural/Governo de Santa Catarina e Alesc