Insumos biológicos atuam desde o desenvolvimento das raízes até o manejo de pragas e doenças, contribuindo para uma lavoura mais resiliente diante dos desafios climáticos e fitossanitários (Foto: Divulgação)
A busca por maior eficiência produtiva tem levado os produtores de milho a ampliarem o uso de tecnologias capazes de proteger o potencial da lavoura desde os primeiros estágios de desenvolvimento. Entre essas ferramentas, os insumos biológicos vêm ganhando protagonismo por contribuírem para a redução de perdas causadas por fatores como estiagem, pragas resistentes e doenças.
No Brasil, o milho ocupa posição estratégica na produção agrícola, especialmente na segunda safra, responsável por grande parte do volume produzido no país. No entanto, desafios recorrentes, como a irregularidade das chuvas em fases críticas da cultura e o aumento da pressão de pragas de difícil controle, exigem uma abordagem cada vez mais integrada de manejo.

O fortalecimento do sistema radicular é um dos principais benefícios associados ao uso de biológicos nas fases iniciais do cultivo do milho. Foto: Butterflyinjune/Pixabay
Nesse cenário, os insumos biológicos podem atuar em diferentes etapas do cultivo. O uso de inoculantes à base de microrganismos promotores de crescimento, por exemplo, contribui para o desenvolvimento inicial da cultura, favorecendo o estabelecimento das plantas e a formação de um sistema radicular mais robusto.
O fortalecimento do sistema radicular é um dos principais benefícios associados ao uso de biológicos nas fases iniciais do cultivo. Com raízes mais desenvolvidas e protegidas, a planta consegue explorar melhor o solo em busca de água e nutrientes, tornando-se mais preparada para enfrentar períodos de estresse hídrico e térmico. Além disso, alguns microrganismos também auxiliam na proteção contra fitonematoides e doenças de solo, contribuindo para um estabelecimento mais eficiente da lavoura.
“Os insumos biológicos atuam em diferentes frentes dentro da cultura do milho. Eles contribuem para o desenvolvimento de um sistema radicular mais eficiente, ajudam a proteger a lavoura contra pragas e doenças e ainda fortalecem a capacidade da planta de enfrentar situações de estresse hídrico e térmico. Quando inseridos em um programa de manejo integrado, tornam-se ferramentas importantes para preservar o potencial produtivo da lavoura e reduzir perdas ao longo do ciclo”, afirma a mestre em agronomia Lana Gaias.
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Eficiência no combate às pragas e doenças
Além do trabalho realizado no solo, os biológicos também desempenham papel importante no manejo integrado de pragas. O aumento da ocorrência de lagartas com resistência a determinadas tecnologias tem levado produtores a buscarem alternativas que complementem o controle químico. Nesse contexto, ferramentas como os baculovírus surgem como importantes aliadas no manejo dessas populações, contribuindo para a rotação de modos de ação e para a sustentabilidade do sistema produtivo.
Outro desafio frequente nas áreas de milho é o controle da cigarrinha, inseto responsável pela transmissão de doenças que comprometem o desenvolvimento da planta e podem provocar perdas expressivas de produtividade. Entre as soluções biológicas disponíveis, microrganismos como a Beauveria bassiana têm sido utilizados como parte das estratégias de manejo integrado para auxiliar no controle da praga.

Além do trabalho realizado no solo, os biológicos também desempenham papel importante no manejo integrado de pragas. Neelam279-Pixabay
Os benefícios dos biológicos também se estendem ao manejo de doenças foliares. Como muitos patógenos têm origem nos resíduos culturais presentes na superfície do solo, a proteção preventiva da área foliar torna-se fundamental para preservar a capacidade fotossintética da planta ao longo do ciclo.
Biofungicidas à base de bactérias do gênero Bacillus, por exemplo, podem ser empregados para auxiliar na proteção das folhas, reduzindo a pressão de doenças e contribuindo para a manutenção da área verde responsável pelo enchimento dos grãos. Com isso, a planta mantém sua eficiência produtiva por mais tempo, favorecendo melhores resultados ao final da safra.
Mais do que substituir outras ferramentas de manejo, os insumos biológicos vêm se consolidando como componentes estratégicos de um sistema integrado de produção. Quando utilizados de forma planejada e associados a boas práticas agronômicas, podem contribuir para uma lavoura mais equilibrada, resiliente e preparada para enfrentar os desafios que impactam a produtividade do milho.








