Iniciativas buscam diversificar a produção por meio da difusão de tecnologias para os produtores rurais (Foto: Epamig)
A fruticultura vem ganhando espaço na Zona da Mata Mineira impulsionada por pesquisas que buscam diversificar a produção agrícola, aumentar a eficiência no campo e oferecer novas alternativas de renda aos produtores rurais.
A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) conduz uma série de projetos no Campo Experimental de Leopoldina com foco no fortalecimento da atividade e na difusão de tecnologias voltadas ao setor.
Entre as iniciativas em andamento está o projeto “Cultivo de amoreira preta na Zona da Mata de MG: geração de conhecimento, aptidão comercial dos frutos e desenvolvimento econômico da região”, que avalia o potencial de produção de frutas vermelhas na região.
“A região ainda não é tradicional para a produção de frutas vermelhas, dentre elas amora-preta, framboesa e mirtilo. Diante disso, está sendo avaliada a viabilidade do cultivo dessas frutíferas e analisadas diferentes variedades, considerando aspectos agronômicos, de produtividade, qualidade e pós-colheita, além do zoneamento agroclimático”, destaca Daniela da Hora Farias, pesquisadora da Epamig.
Com baixo custo de implantação e elevado potencial de comercialização, tanto para consumo in natura quanto para processamento industrial, a amora-preta surge como uma alternativa promissora para ampliar a renda dos agricultores da região.
Sustentabilidade como pilar

Pesquisadores avaliam o uso de água residual proveniente da criação de peixes para produção de mudas de bananeira. Foto: Epamig
A sustentabilidade também é um dos pilares das pesquisas conduzidas pela instituição.
No projeto “Aclimatação de mudas de bananeira irrigadas com água de efluente de piscicultura”, pesquisadores avaliam o uso de água residual proveniente da criação de peixes durante a fase de adaptação das mudas de bananeira do laboratório para o campo.
O objetivo é verificar os efeitos desse reaproveitamento sobre o crescimento e o desenvolvimento das plantas, contribuindo para a integração de diferentes atividades produtivas dentro das propriedades rurais e para o uso mais eficiente dos recursos hídricos.
Outra frente de pesquisa está voltada à passicultura.
Por meio do projeto “Avaliação de Novos Híbridos de Maracujá Amarelo: uma alternativa para a sustentabilidade da passicultura mineira”, a Epamig trabalha na validação de novos materiais genéticos com foco no aumento da produtividade e na resistência a doenças.
A expectativa é disponibilizar aos produtores híbridos mais adaptados às condições de cultivo de Minas Gerais. Os ensaios também servirão como ferramenta de capacitação, permitindo a demonstração de práticas adequadas de manejo para técnicos e agricultores.
Citros

Daniela da Hora Farias, pesquisadora da Epamig, e seus bolsistas Eduardo Rodrigues Carvalho e Marco Aurélio Ribeiro Schuffner. Foto de acervo pessoal/Epamig
A inovação tecnológica está presente ainda nas pesquisas com citros.
No projeto “Sensoriamento multiespectral aplicado à produção de mudas e à seleção de combinações copa x porta-enxerto de citros sob estresse abiótico”, os pesquisadores utilizam sensoriamento multiespectral para identificar combinações mais eficientes entre copa e porta-enxerto.
“A tecnologia nos permite identificar, de forma mais rápida e precisa, plantas com maior tolerância a estresses abióticos, como déficit hídrico e altas temperaturas, contribuindo para uma citricultura mais resiliente”, ressalta a pesquisadora.
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Além do desenvolvimento de pesquisas, a Epamig pretende ampliar a transferência de conhecimento para o setor produtivo.
A instituição irá implantar Unidades Demonstrativas (UDs) e Vitrines Tecnológicas no Centro de Fruticultura da Zona da Mata, permitindo que produtores tenham acesso prático a diferentes culturas e sistemas de manejo.
Também está prevista a instalação de uma estrutura voltada à produção de mudas e à demonstração de tecnologias, fortalecendo a infraestrutura do centro e ampliando o alcance das ações de pesquisa e extensão rural.
As iniciativas contam com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e reforçam a aposta na diversificação da fruticultura como estratégia para impulsionar o desenvolvimento econômico da Zona da Mata Mineira, agregando inovação, sustentabilidade e novas oportunidades para os produtores da região.








