A força feminina não é coadjuvante no agro, é protagonista e parte fundamental do presente e do futuro do setor
O agronegócio é feito de números, produção e resultados. Mas, antes de tudo, é feito por pessoas. E, cada vez mais, é feito por mulheres.
No Estado do Espírito Santo, a avicultura e a suinocultura carregam histórias de trabalho familiar, sucessão entre gerações e compromisso com a segurança alimentar com a força feminina atuando na linha de frente e nos bastidores do setor, liderando, inovando, produzindo e garantindo que o agro continue forte e sustentável.
Para representar tantas histórias inspiradoras, três mulheres compartilham suas trajetórias, exemplos de dedicação, coragem e visão de futuro. Elas e as empresas das quais fazem parte são associadas da AVES e da ASES e também acreditam na força do associativismo como instrumento de união, representatividade e desenvolvimento do setor, contribuindo coletivamente para o fortalecimento da avicultura e da suinocultura capixaba.

Para Dona Odete, a mulher no agro é mais do que apoio, é estratégia Foto Aves e Ases/Divulgação
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Estratégia, sucessão e governança: a força da nova geração
A trajetória de Aline Venturini começou ainda na infância, acompanhando de perto o trabalho da Família Venturini na avicultura de corte, onde o grupo atua desde a incubação, passando pela produção até o abate, além da produção de ovos existente atualmente. Inserida desde cedo no ambiente do agronegócio, ela entendeu que seu caminho também passaria por ali, mas decidiu se preparar para contribuir de forma estratégica.
Formada em Direito, trouxe para o grupo familiar uma área até então inexistente: a estruturação jurídica interna. Ao ingressar formalmente na empresa, passou por um programa de trainee interno, vivenciando todos os setores, o que lhe proporcionou uma visão ampla da operação e da gestão.
Hoje, Aline integra a Diretoria Executiva e o Conselho de Acionistas, sendo responsável pelas áreas Jurídica e de Recursos Humanos. Seu olhar atento às questões ambientais, à governança corporativa e ao compliance fortalece a tomada de decisões e garante segurança institucional ao negócio.
Recentemente, assumiu a Diretoria da Piscicultura em um processo estruturado de sucessão, função antes exercida por seu pai. Para se preparar, passou mais de um ano atuando diretamente na operação, executando cada etapa do processo produtivo, experiência que, segundo ela, transformou sua percepção sobre a atividade.
Única mulher da segunda geração atuando diretamente na condução da empresa, Aline acredita que a presença feminina agrega sensibilidade, rigor técnico e atenção aos detalhes, características essenciais para a sustentabilidade dos empreendimentos.
“Tenho orgulho em integrar um setor estratégico para o país, responsável por contribuir diretamente para a segurança alimentar da população. E satisfação por representar as mulheres da minha geração e contribuir para a continuidade de um negócio que já chega à terceira geração da nossa família, afirma a empresária.”

Elfride Foesch o futuro do setor é promissor, e a presença feminina continuará sendo decisiva para inovação, qualidade e sustentabilidade Foto Aves e Ases/Divulgação
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A força que sustenta gerações
A história de Dona Odete Mosquini se confunde com a própria construção do negócio da família. Ao lado do marido, iniciou na suinocultura com apenas duas matrizes e um reprodutor. Com trabalho incansável, ajudou a expandir a produção, enfrentando desafios e crises sem jamais perder a determinação.
Nos primeiros anos, tudo era feito pela própria família, da construção das instalações ao cuidado com os animais. Com o crescimento da produção, vieram os primeiros colaboradores, um açougue familiar e, posteriormente, a expansão das atividades. Mas, por trás de cada decisão e cada avanço, estava também o olhar atento e firme de Dona Odete. Mesmo criando filhos pequenos, ela nunca se afastou da lida.
Mais do que acompanhar, Dona Odete foi alicerce. Trabalhou na produção, criou os filhos dentro da rotina do campo e foi a voz de incentivo nos momentos difíceis.
Hoje, a sucessão familiar é realidade consolidada: filhos e netos seguem à frente da granja e do frigorífico, dominando todo o ciclo produtivo.
Para Dona Odete, a mulher no agro é mais do que apoio, é estratégia: “A mulher é companheira, conselheira e tem um olhar atento que muitas vezes identifica o que os outros não veem. Nossa sensibilidade faz diferença na qualidade do trabalho. Acredito firmemente que a sensibilidade e a visão feminina trazem um diferencial de excelência tanto na produção quanto na execução do trabalho diário”, acredita.
Sua história representa tantas outras mulheres que foram e continuam sendo pilares silenciosos do desenvolvimento rural.
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O município de Santa Maria de Jetibá, reconhecida como a Capital do Ovo, é referência em eficiência produtiva e qualidade Foto Governo do Espírito Santo/Divulgação
Dedicação diária e amor pela avicultura
Localizada em Santa Maria de Jetibá, reconhecida como a Capital do Ovo, Elfride Foesch construiu, na Aviovos Ltda, uma trajetória de aproximadamente quatro décadas dedicadas à avicultura de postura comercial.
O que começou com trabalho exclusivamente familiar cresceu, se profissionalizou e hoje caminha para a terceira geração. A dedicação é diária, sem pausas, uma atividade que exige disciplina, responsabilidade e resiliência diante das oscilações do mercado.
Elfride destaca que a mulher sempre esteve presente na avicultura, muitas vezes de forma silenciosa, mas essencial: no manejo, na gestão, no controle sanitário e na administração.
“Apesar de todos os desafios, a avicultura proporciona grande satisfação pessoal e profissional. Trabalhar com aquilo que se gosta transforma o esforço diário em motivação, dando sentido às dificuldades enfrentadas. Cada conquista alcançada, mesmo diante das adversidades, reforça o orgulho pela trajetória construída e confirma que a dedicação e a persistência são elementos fundamentais para permanecer e crescer na avicultura, pontua Elfride.”
Para ela, o futuro do setor é promissor, e a presença feminina continuará sendo decisiva para inovação, qualidade e sustentabilidade, além de ser uma importante ferramenta de autonomia financeira e fortalecimento social da mulher.
A produtora ressalta ainda que “reconhecer a importância da mulher na avicultura significa valorizar um papel que envolve produção, gestão, conhecimento técnico e responsabilidade social, sendo fundamental para o fortalecimento e o desenvolvimento sustentável do setor avícola”.
E conclui: “Tenho orgulho em dizer que meu sustento vem da avicultura, de um trabalho honesto, feito com dedicação diária e muito esforço”.
Um reconhecimento que se estende a todas
As histórias de Aline, Dona Odete e Elfride representam centenas de mulheres que atuam na no agro brasileiro. Mulheres que lideram, produzem, inovam, administram, aconselham e sustentam famílias e negócios.
Porque no agro, a força feminina não é coadjuvante. É protagonista, e é parte fundamental do presente e do futuro do setor.








