Quando o calor vira um perigo silencioso para cães e gatos (Foto: Divulgação/Nouvet)
O verão costuma ser associado a vitalidade, passeios mais longos e rotina ao ar livre. Mas, para cães e gatos, o aumento da temperatura pode representar um desafio fisiológico constante — muitas vezes invisível aos olhos dos tutores.
Diferentemente dos humanos, os pets têm capacidade limitada de regular a própria temperatura corporal, o que faz com que o calor excessivo atue como um estressor contínuo, capaz de desencadear desde desidratação leve até quadros graves de hipertermia e falência orgânica.

Para cães e gatos, o aumento da temperatura pode representar um desafio fisiológico constante e invisível aos olhos dos tutores. Foto: Shutterstock
Segundo especialistas, o problema não está apenas nos dias de calor extremo, mas na exposição repetida a ambientes quentes, superfícies superaquecidas e mudanças na rotina. “O verão exige uma leitura mais atenta do comportamento do animal. Pequenas alterações podem ser sinais de que algo não está bem”, explica a veterinária Julia Joselevitch.
Insolação: quando o corpo entra em colapso
A insolação é uma das emergências mais graves do período. Ela ocorre quando o organismo do animal não consegue dissipar o calor acumulado, levando à elevação perigosa da temperatura corporal. Diferente do que muitos imaginam, o problema pode surgir mesmo sem sol direto — ambientes abafados, caminhadas em horários inadequados ou excesso de esforço físico são gatilhos comuns.

A insolação é uma das emergências mais graves do verão. Foto: nullahumana-Pixabay
“A insolação não começa de forma dramática. Muitas vezes, o tutor percebe apenas um cansaço fora do normal ou uma respiração mais intensa. Quando outros sintomas aparecem, o quadro já pode estar avançado”, alerta a veterinária.
Raças braquicefálicas, como buldogues, pugs e persas, além de filhotes, idosos e animais com doenças cardíacas ou respiratórias, formam o grupo mais vulnerável.
As patas também sofrem
Um risco frequentemente negligenciado está no chão. O asfalto e as calçadas podem atingir temperaturas muito superiores à do ar, causando queimaduras nas almofadas plantares em poucos minutos. Lesões desse tipo provocam dor intensa, dificuldade para andar e podem evoluir para infecções.

O asfalto e as calçadas podem atingir temperaturas muito superiores à do ar, causando queimaduras nas almofadas plantares em poucos minutos. Foto: Divulgação-Nouvet
A recomendação é simples e eficaz: o teste da mão. Se o tutor não consegue manter a palma da mão apoiada no chão por alguns segundos, aquela superfície não é segura para o animal. “Queimaduras nas patas são atendimentos recorrentes no verão e totalmente evitáveis com ajuste de horário e escolha do local do passeio”, destaca a veterinária.
Parasitas: o efeito invisível do calor

O calor e a umidade criam condições ideais para a proliferação de pulgas e carrapatos, que se reproduzem mais rapidamente no verão. Foto: Shutterstock
O calor e a umidade criam condições ideais para a proliferação de pulgas e carrapatos, que se reproduzem mais rapidamente no verão. Além do desconforto causado pela coceira, esses parasitas podem transmitir doenças sérias e desencadear quadros alérgicos intensos.
“Muitos tutores só se preocupam quando veem o parasita, mas a prevenção precisa ser contínua. No verão, o ambiente também vira um reservatório importante”, orienta Julia.
Manter o uso regular de antiparasitários e atenção à higienização de caminhas, estofados e áreas externas é parte essencial do cuidado.
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Conforto térmico é cuidado de saúde
Garantir sombra, água fresca e boa ventilação não é apenas conforto — é prevenção. Ambientes muito quentes elevam o risco de desidratação e comprometem o bem-estar geral do animal. Gatos, por exemplo, tendem a beber menos água naturalmente, o que torna o calor ainda mais perigoso.
“O tutor precisa pensar no microclima da casa. Um espaço fresco para descanso, mais de um ponto de água e rotina adaptada fazem muita diferença”, explica a especialista.
Sinais de alerta que exigem atenção imediata
Respiração intensa ou ofegante persistente
Fraqueza, desorientação ou dificuldade para se manter em pé
Salivação excessiva
Vômitos ou diarreia
Dificuldade para caminhar ou sensibilidade nas patas
“Na dúvida, procure atendimento veterinário. No verão, o tempo de resposta é determinante para o desfecho do caso”, reforça Julia.








