A nova “queridinha” do momento, além dos usos medicinal, ornamental e na culinária, é uma PANC, Planta Alimentícia Não Convencional, que faz muito bem à saúde
O ora-pro-nóbis tem ganhado cada vez mais destaque na mídia e entre a população, principalmente por sua eficiência como planta medicinal. Mas você sabia que ela também é uma PANC – Planta Alimentícia não Convencional e que são inúmeras – e poderosas – suas propriedades nutricionais?
Ostentando 25% de proteínas em sua composição, o ora-pro-nóbis supera o teor de proteínas de outras fontes vegetais, como o feijão e, até mesmo, fontes protéicas animais como a carne, que contém aproximadamente 20%.
Quer saber quais são outros benefícios para a saúde? O ora-pro-nóbis é rico em ferro, magnésio, cálcio, vitaminas A e C, fibras solúveis e insolúveis e, ainda, em triptofano, um aminoácido essencial, que o organismo não produz. Ele atua na manutenção das fibras musculares e tem importante função na produção dos hormônios melatonina e serotonina.
Marcos Estevão Feliciano, engenheiro agrônomo da Forth Jardim, explica que há espécies variadas de ora-pro-nóbis, cada uma com suas características e modos de cultivos específicos e dá dicas de como cultivá-las para usufruir de todas as maravilhas nutricionais, medicinais e ornamentais desta admirável PANC.
Pereskia aculeata

Frutos da Pereskia aculeata. Foto Pinterest
Nomes populares: ora-pro-nóbis, trepadeira-limão, carne-de-pobre.
Características: Como o nome já diz, possui acúleos (falsos espinhos). Essa variedade forma um arbusto e, quando plantada próxima aos muros ou pergolados, se fixa nos apoios como uma trepadeira. É planta nativa das regiões Sul, Sudeste e Nordeste do país. Suas flores são brancas e tem frutos arredondados, amarelados e com gloquídeos (espinhos curtos).
Propagação: Por pedaços dos ramos (estaquia) ou por sementes (veja mais informações sobre propagação do ora-pro-nóbis)
Cultivo: Tolera solos de baixa fertilidade, mas se desenvolve muito melhor quando adubada com fertilizantes completos. Pertence ao grupo das cactáceas e, como todos os cactos, não tolera encharcamento.
Uso culinário: As folhas são muito apreciadas cruas em saladas, ou cozidas em pratos quentes. Possuem alto teor de proteína, podendo chegar até a 32% na matéria seca, ou seja, é uma excelente opção de fonte protéica para pessoas vegetarianas e veganas .
Saiba mais sobre como consumir o ora-pro-nóbis e veja receitas na Coluna Alimentação & Nutrição.
Os frutos podem ser consumidos in natura, em forma de geleia ou doce de corte. E as flores jovens (sem acúleos), são ótimas para serem usadas em saladas, salteadas puras ou com carnes variadas, e como recheio de omeletes.
Uso no paisagismo: A planta pode ficar exposta ao Sol pleno, conduzida como trepadeira, amparando sua ramagem em suportes, pergolados, muros, paredes ou cercas.
Pereskia bleo

As folhas são bastante saborosas, podendo ser consumidas cruas, refogadas, na farofa, sopas, omeletes e em pães. Foto: Divulgação
Nomes populares: ora-pro-nóbis-amazônico, cariru-de-espinho, cacto-de-folha.
Características: É um cacto arbustivo (até arbóreo), que pode atingir 8 metros de altura. Nativo da América Central, tem flores grandes de cor alaranjada, frutos em forma de pião ou sino, com coloração amarelada e sem espinhos.
Propagação: Por pedaços dos ramos novos (estaquia).
Cultivo: Pode ser cultivada em Sol pleno ou meia-sombra e não tolera geadas. Essa variedade prefere solos bem aerados e drenantes, ricos em matéria orgânica.
Uso culinário: As folhas são bastante saborosas, podendo ser consumidas cruas, refogadas, na farofa, sopas, omeletes e em pães. As flores são consumidas cruas, refogadas, ou para obtenção de um molho vermelho. Os frutos são bem ácidos, ideais para geleias, sucos, mousses, licores e sorvetes.
Uso no paisagismo: Pode ser plantada sozinha ou em grupos para formar conjuntos. Ficam bastante interessantes e belas quando plantadas em fileiras, lado a lado, e conduzidas como cerca viva.
Pereskia grandifolia

As folhas podem ser utilizadas para bolinho frito ou refogadas com carnes, como frango e suíno. Já as flores podem ser consumidas refogadas no arroz ou feijão. Foto: Divulgação
Nomes populares: ora-pro-nóbis, rosa-madeira, groselha-da-américa.
Características: Quando planta adulta, torna-se um arbusto de grande porte ou arvoreta, podendo chegar a cinco metros de altura. É nativa e facilmente encontrada no Nordeste, Sudeste e Sul (exceto no Rio Grande do Sul, onde pode ser cultivada) do Brasil. Suas flores são róseas e os frutos têm tons verde-amarelados sem espinhos. Essa variedade costuma perder suas folhas no inverno.
Propagação: Por pedaços dos ramos (estaquia).
Cultivo: Pode ser cultivada em pleno Sol e plantada diretamente no solo, desde que seja bem drenante, sem acúmulo de água.
Uso culinário: Suas folhas podem ser consumidas somente após o branqueamento ou cozimento, pois cruas causam certa picância na garganta, pela presença de saponinas (poderosos antioxidantes que protegem as células contra os radicais livres, ajudando a prevenir alterações do DNA, que podem ocasionar doenças).
As folhas podem ser utilizadas para bolinho frito ou refogadas com carnes, como frango e suíno. Já as flores podem ser consumidas refogadas no arroz ou feijão.
Uso no paisagismo: No Brasil, é pouco usada no paisagismo, sendo mais facilmente encontrada em cercas divisórias de propriedades rurais.
Saiba mais sobre adubação do ora-pro-nóbis.
Leia sobre o cultivo do ora-pro-nóbis para a agricultura familiar.
Conselhos preciosos

As flores da Pereskia bleo são consumidas cruas, refogadas, ou para obtenção de um molho vermelho. Foto: Divulgação
O agrônomo Marcos Feliciano ressalta que, de modo geral, todas as três espécies, quando cultivadas em vasos, “precisam de substrato, além de um aerado, de preferência apropriado para suculentas e cactos”.
Segundo o especialista, o ideal é fazer uma boa drenagem do vaso com manta e pedras. “Quando o ora-pro-nóbis é plantado diretamente no solo, pode-se fazer a mistura de uma parte de terra do local, uma parte de condicionar de solos e uma parte de areia média”, salienta.
Em relação à adubação, ele orienta que seja utilizado um fertilizante completo. “O mais indicado é o NPK 13 05 13 + 9 nutrientes”, recomenda.