O animal depende de energia para funções básicas de manutenção, crescimento e deposição de carne e para sustentar a resposta imunológica, explica zootecnista
(Foto: Lucas Cardoso/Embrapa)
Em um cenário de margens cada vez mais apertadas e busca constante por produtividade, a energia passou a ocupar uma posição estratégica na nutrição de suínos.
Mais do que um componente da formulação das rações, aditivos energéticos vêm sendo utilizados por produtores para potencializar o desempenho dos animais, melhorar a conversão alimentar e reduzir os custos de produção.
Segundo o doutor em Nutrição e Produção Animal e zootecnista Gabriel Villela Dessimoni, a energia é determinante para o funcionamento do organismo dos suínos.
“A energia é o principal ‘combustível’ do suíno. Sem ela, nenhuma engrenagem biológica roda como deveria. O animal depende de energia para funções básicas de manutenção, crescimento e deposição de carne, para sustentar a resposta imunológica e para regular a temperatura corporal”, afirma.
Os aditivos energéticos utilizados na alimentação de suínos são compostos por diferentes ingredientes e aditivos zootécnicos desenvolvidos para fornecer energia de rápida disponibilidade e, ao mesmo tempo, aumentar o aproveitamento energético da própria dieta.
Na prática, essa combinação pode resultar em maior ganho de peso e melhor conversão alimentar.
De acordo com Dessimoni, as formulações variam conforme os ingredientes empregados.
“Alguns utilizam como base derivados de óleos vegetais, outros se apoiam em ingredientes de alta energia, como determinados subprodutos da indústria de alimentos, além de ser comum a presença de ácidos graxos, lecitinas e metabólitos naturais, em diferentes combinações e proporções”, explica.
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Quando oferecer o energético
A estratégia de utilização também muda conforme a fase produtiva dos animais. Na creche, o objetivo costuma ser fornecer suporte energético aos leitões recém-desmamados, que apresentam elevadas exigências metabólicas e sistema digestivo ainda em desenvolvimento.
Já durante a lactação, o foco recai sobre as matrizes, cuja demanda energética aumenta em razão da produção de leite e da necessidade de preservar a condição corporal e o desempenho reprodutivo.
Nas fases de crescimento e terminação, os energéticos são empregados para sustentar altas taxas de ganho de peso e melhorar a eficiência alimentar, favorecendo um melhor aproveitamento dos nutrientes ingeridos.
A deficiência energética na dieta pode comprometer significativamente os resultados da produção.
Conforme o especialista, quando os animais recebem menos energia do que necessitam, ocorre redução no ganho de peso, piora da conversão alimentar, enfraquecimento da resposta imunológica e aumento da desuniformidade dos lotes.
Para o produtor, esses efeitos podem representar mais tempo até o abate, maior consumo acumulado de ração por animal, elevação dos custos operacionais e redução da rentabilidade.
Nas matrizes em lactação, a carência energética também pode diminuir a produção de leite, afetar o desenvolvimento da leitegada e prejudicar o desempenho reprodutivo nos ciclos seguintes.
Apesar do investimento adicional na formulação das dietas, Dessimoni destaca que a adoção correta dos aditivos pode trazer retorno econômico.
“Em outras palavras, ainda que a ração pareça mais cara na formulação, o custo efetivo por quilo de carcaça produzida tende a diminuir, graças à maior eficiência produtiva”, finaliza Dessimoni.








