Documento aponta que a combinação de níveis recordes de gases de efeito estufa, aquecimento acelerado dos oceanos e derretimento de gelo vem provocando mudanças rápidas e de grande alcance em todo o planeta (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou que o planeta atravessa o período mais quente já registrado, com efeitos que devem se estender por séculos, ou até milênios.
Segundo o relatório Estado do Clima Global 2025, divulgado nesta segunda-feira (23), o sistema climático da Terra está hoje mais desequilibrado do que em qualquer outro momento da história observada.
O documento aponta que a combinação de níveis recordes de gases de efeito estufa, aquecimento acelerado dos oceanos e derretimento de gelo vem provocando mudanças rápidas e de grande alcance em todo o planeta.
Entre 2015 e 2025, foram registrados os 11 anos mais quentes da série histórica, evidenciando a intensificação contínua do aquecimento global.
Em 2025, a temperatura média anual ficou cerca de 1,43 °C acima dos níveis pré-industriais (1850–1900), posicionando o ano entre o segundo e o terceiro mais quente já registrado.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou que o planeta está sendo levado ao limite pela ação humana. Em mensagem de vídeo, ele afirmou que as regras do clima estão sendo reescritas, resultando em calor recorde, secas mais prolongadas e desastres naturais cada vez mais intensos.
Guterres também destacou que a ciência é a principal linha de defesa da humanidade, mas que os sistemas globais de observação climática enfrentam pressões e lacunas, especialmente em países menos desenvolvidos e pequenos Estados insulares.
O relatório destaca que as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄) e óxido nitroso (N₂O) continuam a subir e atingiram novos recordes. Esses gases são os principais responsáveis por intensificar o efeito estufa e agravar o desequilíbrio climático.
Impactos crescentes
Os efeitos do aquecimento já são sentidos em todos os continentes. Ondas de calor mais frequentes, chuvas intensas, ciclones mais fortes e secas prolongadas vêm causando perdas econômicas bilionárias e impactando diretamente a saúde, a segurança alimentar e os meios de subsistência de milhões de pessoas.
De acordo com o Relatório de Avaliação Global sobre Redução do Risco de Desastres 2025, do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR), os custos diretos de desastres climáticos somaram US$ 202 bilhões em 2024.
Considerando impactos indiretos e danos aos ecossistemas, o valor real ultrapassa US$ 2,3 trilhões por ano em escala global.
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Desequilíbrio energético recorde
Pela primeira vez, o relatório da OMM inclui o desequilíbrio energético da Terra como um dos principais indicadores climáticos. Esse balanço mede a diferença entre a energia que o planeta recebe do Sol e a que devolve ao espaço — um sistema que, em condições normais, deveria permanecer equilibrado.
No entanto, o aumento das concentrações de gases de efeito estufa — nos níveis mais altos em pelo menos 800 mil anos — vem alterando esse equilíbrio.
O relatório aponta que esse desequilíbrio cresce desde o início das medições, em 1960, com aceleração significativa nas últimas duas décadas, atingindo um novo pico em 2025.
“Os avanços científicos melhoraram nossa compreensão do desequilíbrio energético da Terra e da realidade que nosso planeta e nosso clima enfrentam neste momento”, disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.
“As atividades humanas estão cada vez mais perturbando o equilíbrio natural e viveremos com essas consequências por centenas e milhares de anos.”
Ela também ressaltou o aumento da intensidade dos eventos extremos.
“No dia a dia, nosso clima tornou-se mais extremo. Em 2025, ondas de calor, incêndios florestais, secas, ciclones tropicais, tempestades e inundações causaram milhares de mortes, afetaram milhões de pessoas e geraram bilhões em perdas econômicas”.








