A compostagem é apontada como uma solução acessível e eficiente, que não apenas reduz a quantidade de lixo destinado a aterros e lixões, mas também contribui para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa e para a geração de empregos (Foto:Pnuma/Duncan Moore)
A gestão de resíduos sólidos urbanos é um desafio crescente para as cidades brasileiras, mas a compostagem surge como uma alternativa sustentável e eficiente para reduzir a quantidade de lixo e transformar resíduos em riqueza.
Segundo dados da iniciativa Brasil Composta Cultiva, do Instituto Pólis, cerca de 45,6% dos resíduos coletados no país são orgânicos compostáveis, como restos de alimentos e resíduos de jardim. No entanto, menos de 0,3% desse volume é efetivamente compostado.
A compostagem é apontada como uma solução acessível e eficiente, que não apenas reduz a quantidade de lixo destinado a aterros e lixões, mas também contribui para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa e para a geração de empregos.
Criada pelo Instituto Pólis, a plataforma online Brasil Composta Cultiva reúne informações sobre iniciativas em 11 estados brasileiros que promovem o manejo adequado de resíduos orgânicos.
Com apoio do Global Methane Hub (GMH), da Aliança Global para Alternativas de Incineradores (GAIA) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a iniciativa busca fortalecer e expandir os projetos existentes no país.
Por meio da plataforma, gestores municipais, cooperativas de catadores e profissionais do setor têm acesso a notícias, ferramentas, dados e estudos de caso bem-sucedidos. Além disso, o espaço serve para esclarecer dúvidas sobre a gestão de resíduos sólidos orgânicos, incentivando o aumento da reciclagem e a redução das emissões de metano.
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Crescimento e impacto econômico
De acordo com Victor Argentino, coordenador de projetos em resíduos sólidos no Instituto Pólis, “a compostagem é uma solução que cresce significativamente no país, mesmo que ainda com limitado apoio e investimento comparado ao aterro sanitário, por exemplo. Apenas entre 2022 e 2023, o número de unidades de compostagem no país cresceu de 76 para 118 (aumento de 55%), indicando um grande interesse das cidades”.
Além dos benefícios ambientais, a compostagem apresenta um grande potencial econômico e social.
“O potencial de geração de empregos também é um fator importante, gerando de 5 a 10 vezes mais empregos que o aterro sanitário por tonelada tratada, sendo também uma potencial fonte de renda para catadores e catadoras que hoje lideram a reciclagem no país”, acrescenta Argentino.
Gestão de resíduos e saúde pública
O setor de resíduos é um dos principais responsáveis pelas emissões de metano, um dos gases de efeito estufa mais potentes. No Brasil, ele ocupa a segunda posição no ranking de emissões, sendo responsável por 16% do total, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).
Destinar resíduos a lixões e aterros sanitários inadequados não apenas contribui para essas emissões, como também compromete a saúde pública e contamina o solo.
Além do impacto ambiental, o desperdício de resíduos orgânicos também representa uma perda econômica significativa. De acordo com o documento preliminar do Plano Nacional de Redução e Reciclagem de Resíduos Orgânicos Urbanos (PLANARO), estima-se que entre R$ 1 e R$ 8 bilhões sejam desperdiçados anualmente no Brasil pelo enterramento de resíduos orgânicos.
A adoção da compostagem pode ajudar a reverter esse cenário, transformando o que hoje é descartado em um recurso valioso para a economia e para o meio ambiente.