Pesquisa do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis) indica que apenas 8% dos consumidores identificam o selo de produto orgânico no momento das compras no Brasil

Já começou em todo o País a 15ª edição da campanha nacional “Produto Orgânico – Melhor para a Vida”, que é realizada anualmente na última semana de maio. O movimento deste ano, que traz como tema “Qualidade e saúde: do plantio ao prato”, continua até maio de 2020, com a propagação de informações em eventos e atividades em praticamente todas as unidades da federação.

O lançamento oficial da campanha do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) foi feito nesta segunda-feira, 27 de maio, com a presença presença da ministra Tereza Cristina e de autoridades convidadas de outras pastas. O Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos) e a revista A Lavoura, ambos mantidos pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), também apoiam essa mobilização.

Uma pesquisa do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis) mostra que apenas 8% dos consumidores identificam o selo de produto orgânico no momento das compras no Brasil.

Segundo o levantamento, a maioria dos consumidores entrevistados (37%) reconhece os produtos como orgânicos a partir de outras informações contidas na embalagem do produto. Outros 27% dos consumidores que participaram da pesquisa identificam os orgânicos por outros meios no local de compra e 8% se informam por meio de amigos ou familiares. Os entrevistados foram ouvidos pela Organis em 2017.

Diante desse cenário, um dos principais objetivos da campanha do Mapa é informar ao consumidor sobre como reconhecer o produto orgânico nos locais de comercialização e estimular que ele participe no controle da qualidade orgânica, melhorando a relação de confiança com os produtores.

Influência na hora da compra

Dos consumidores que identificam o selo orgânico, 95% relatam que a certificação influência na decisão de comprar o produto e 86% consideram que o selo é mais confiável que outras fontes de informação. Foto: Antônio Araújo/Divulgação Mapa

Ainda conforme a pesquisa do Organis, entre os consumidores que identificam o selo orgânico, de acordo com a pesquisa, 95% relataram que a certificação teve influência na decisão de comprar o produto e 86% consideram que o selo é mais confiável que outras fontes de informação.

Conforme a pesquisa, a identificação do selo é mais comum entre os clientes de supermercados do que os que frequentam feiras, e mais frequente entre as mulheres e pessoas mais maduras.

“Você percebe na pesquisa que o reconhecimento do produto está muito ligado ao supermercado de confiança do consumidor. Mas o selo brasileiro, que é o que traz a identidade real para o produto, está lá embaixo com 8% como reconhecimento do consumidor. Isso para nós é preocupante, porque de fato existem estabelecimentos que estão comercializando produtos orgânicos sem se preocuparem com a regularização do produto, porque também desconhecem as regras”, comenta Virgínia Lira, coordenadora de produção orgânica do Ministério da Agricultura.

A professora Vera Siqueira, que reside na área central de Brasília, é uma das consumidoras que já conhece o selo orgânico e sempre checa se o produto está certificado antes de comprar. Ela só dispensa a presença do selo quando compra em feiras conhecidas.

“Geralmente, eles têm o nome do produtor, tem tudo identificado. Se eu souber da procedência, eu compro. Tem um pessoal que fica aqui nos sábados e quartas, uma feirinha de produtores orgânicos. A maioria não tem o selo, mas eles estão aí há mais de dez anos, então, a gente confia”, comenta.

Professora Vera Siqueira sempre checa se o produto está certificado antes de comprar. Foto: Antônio Araújo/Divulgação Mapa

Denúncias de irregularidades

A advogada Márcia Maciel também procura saber a origem dos produtos que consome e sempre escolhe alimentos produzidos na região. “Minha preferência é por orgânicos por causa da confiabilidade do produto e até mesmo pra prestigiar os produtores locais”, diz.

Ela informa que o Mapa tem recebido várias denúncias sobre irregularidades nos pontos de venda que comercializam produtos com a menção de qualidade orgânica, mas que não estão regulares junto ao Ministério da Agricultura.

Ao longo da campanha, serão repassadas nas redes sociais e em diferentes atividades presenciais informações sobre os cuidados, direitos e obrigações que os produtores, consumidores, processadores e comerciantes devem ter para garantir que, ao comprar ou consumir produtos orgânicos em feiras, lojas, hotéis e restaurantes as pessoas estejam, de fato, levando e consumindo produtos verdadeiramente orgânicos.

A mobilização deste ano também visa estimular gestores municipais e estaduais a ampliarem a compra de alimentos da agricultura familiar e orgânicos para a merenda escolar, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Advogada Márcia Maciel procura saber a origem dos produtos que consome e sempre escolhe alimentos produzidos na região. Foto: Antônio Araújo/Divulgação Mapa

Atividades diversas

Realizada desde 2005 em todas as regiões brasileiras, a campanha é marcada por diversas atividades, como feiras, seminários, exposições, degustação de produtos, panfletagem, rodas de conversa, trocas de sementes, eventos culturais, educativos e visitas de campo sobre qualidade de vida, sustentabilidade e agrobiodiversidade.

A mobilização também busca promover o produto orgânico e a conscientização dos consumidores sobre os princípios agroecológicos que viabilizam a produção de alimentos e outros produtos necessários às pessoas de forma mais harmônica com a natureza, valorizando a biodiversidade, contribuindo para a saúde de todos e garantindo justiça social em todos os segmentos da cadeia produtiva.

Para mais informações sobre a campanha nacional do Ministério da Agricultura, incluindo os lugares que contarão com eventos em cada Estado, acessando www.agricultura.gov.br.

Fonte: Ministério da Agricultura