País figura entre os fornecedores de ureia ao Brasil. Na foto, o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante ação do Plano Nacional de Semeadura 2026, dias antes de ser capturado pelos Estados Unidos (Foto: Prensa Nacional/Governo da Venezuela)
As recentes tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Venezuela reacenderam o debate sobre possíveis impactos na cadeia global de fertilizantes, especialmente os nitrogenados.
Apesar da atenção do mercado, a participação venezuelana no comércio internacional de ureia é reduzida, o que limita efeitos mais amplos sobre oferta e preços, segundo análise da StoneX, empresa global de serviços financeiros.
Embora seja uma grande produtora de petróleo, a Venezuela não ocupa posição de destaque na produção e exportação de fertilizantes nitrogenados. Isso contrasta com outros países exportadores de petróleo que também exercem papel relevante nesse mercado, como Rússia, Argélia, Irã e Catar.
A explicação está no uso do gás natural — insumo essencial para a fabricação de nitrogenados — cuja disponibilidade e infraestrutura nem sempre acompanham o potencial petrolífero.
“O caso venezuelano foge à regra”, afirma Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX. “Apesar de ser uma grande produtora de petróleo, sua presença no mercado global de ureia é bastante modesta.”
Dados de 2024 mostram que a Venezuela ocupou a 18ª posição entre os maiores exportadores mundiais de ureia, com embarques ligeiramente acima de 560 mil toneladas.
Esse volume representou cerca de 1% das exportações globais do produto. No mesmo período, a Rússia respondeu por aproximadamente 18% do comércio internacional de ureia, evidenciando a distância entre os dois países em termos de relevância de mercado.
Fornecimento ao Brasil existe, mas não é determinante
Apesar do peso limitado no cenário global, a Venezuela figura entre os fornecedores de ureia ao Brasil. Em 2024, cerca de 6% das importações brasileiras do fertilizante tiveram origem venezuelana. Já entre janeiro e novembro de 2025, essa participação caiu levemente, ficando abaixo de 5%.
O Brasil, no entanto, mantém uma carteira diversificada de fornecedores. Em 2025, os principais países de origem da ureia importada foram Nigéria (23%), Rússia (16%) e Catar (15%).
Essa pulverização das compras externas reduz a dependência de um único parceiro e diminui a vulnerabilidade do mercado doméstico a eventuais interrupções pontuais.
Segundo Pernías, não há, até o momento, sinais de que as tensões geopolíticas estejam afetando diretamente a capacidade produtiva ou exportadora da Venezuela no segmento de fertilizantes.
“O que o mercado observa, por ora, são pressões pontuais nos custos logísticos, com relatos de fretes marítimos mais elevados em função do aumento das incertezas na região”, destaca.
Nesse contexto, a avaliação é que eventuais desdobramentos políticos envolvendo a Venezuela tendem a ter impacto limitado sobre o abastecimento global e sobre o mercado brasileiro de ureia, sobretudo diante da ampla oferta internacional e da diversidade de origens das importações nacionais.








