Colheita antecipada dos canaviais, a partir de abril, escolha adequada de variedades e mudas de qualidade, são algumas das dicas para maior potencial produtivo (Foto: IAC)
Após um último trimestre de 2025 marcado por baixa precipitação, os meses de janeiro e fevereiro de 2026 registraram melhores condições hídricas, favorecendo o vigor vegetativo dos canaviais do Centro-Sul do Brasil. Nesse cenário, especialistas defendem a adoção de estratégias agronômicas capazes de gerar ganhos estruturais para o setor sucroenergético.
Segundo Marcos Landell, coordenador do Instituto Agronômico (IAC) e líder do Programa Cana IAC, um dos pilares para melhorar o desempenho dos canaviais é a definição adequada da janela de plantio.
A recomendação é priorizar o plantio entre março e maio no Centro-Sul do país. De acordo com o pesquisador, o respeito a esse calendário pode elevar o desempenho do primeiro corte para patamares entre 130 e 145 toneladas por hectare.
Por outro lado, o plantio fora da época adequada pode gerar perdas expressivas, que chegam a até 40 toneladas por hectare.
Outro ponto central para sustentar a produtividade ao longo dos ciclos é reduzir a queda de rendimento entre os cortes.
Para isso, o Programa Cana IAC recomenda a adoção da chamada Tecnologia do Terceiro Eixo, estratégia que busca diminuir a exposição da cana-de-açúcar ao déficit hídrico.
A tecnologia prevê a colheita antecipada dos canaviais de primeiro e segundo cortes durante o primeiro trimestre da safra. Isso ocorre porque o sistema radicular da planta tende a se aprofundar ao longo dos ciclos produtivos.
Dessa forma, colher esses primeiros cortes entre abril e junho reduz o estresse hídrico das plantas e contribui para manter o potencial produtivo da lavoura.
Hoje, a perda de produtividade entre o primeiro e o segundo corte varia entre 16% e 18%. Com o novo manejo, essa redução poderia cair para cerca de 10%.
“Em um cenário de 140 toneladas no primeiro corte, o segundo poderia ficar em torno de 126 toneladas e o terceiro permanecer acima de 110 toneladas, alterando o padrão histórico da lavoura”, explica.
A maior estabilidade entre os ciclos também pode trazer impactos diretos no planejamento agrícola das usinas.
Com menor queda de produtividade ao longo dos cortes, a necessidade de reforma anual dos canaviais pode cair para cerca de 10% da área total.
Atualmente, esse índice varia entre 15% e 18%, o que aumenta a pressão sobre o plantio e dificulta a organização operacional das unidades de produção.
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Escolha correta das variedades
Além do manejo adequado, a escolha das variedades também exerce papel decisivo na produtividade. Para Landell, a seleção correta deve considerar o ambiente de produção, levando em conta fatores como solo e clima da região.
Segundo o pesquisador, a decisão influencia diretamente a população de colmos por hectare, indicador fundamental para elevar o rendimento das lavouras.
“O padrão histórico de 60 mil a 70 mil colmos por hectare precisa evoluir para 90 mil a 130 mil”, assegura.
Com esse avanço, a produtividade média ao longo de cinco cortes pode superar 100 toneladas por hectare.
“A expectativa é que em 2026 a produtividade na canavicultura seja semelhante à obtida no ano passado ou até um pouco superior”, comenta.
Outro fator determinante é a qualidade das mudas utilizadas no plantio.
Quando combinada ao potencial genético das variedades e a práticas de manejo adequadas, a escolha de mudas de qualidade contribui para alcançar patamares mais elevados de produtividade.
A adoção dessas estratégias também tem reflexos diretos na eficiência agroindustrial, ao ampliar a produção de toneladas de cana por hectare (TCH).
Atualmente, cada hectare de cana no estado de São Paulo produz em média cerca de 6.800 litros de etanol. A meta, segundo especialistas, é elevar esse resultado para cerca de 9 mil litros por hectare no médio prazo.
“Para alcançar essa marca, recomendamos os manejos de época de planto, de nutrição e de proteção com variedades de elevadas populações de colmo, associando ainda a utilização de irrigação em 15% das áreas de produção”, orienta Landell.








