Pesquisa no Sul do Brasil mostra que folhas, galhos e restos da colheita ajudam a conservar nutrientes e manter carbono armazenado no solo
(Foto: Divulgação)
Quando pensamos em uma plantação de pinus, é natural olhar para cima. Afinal, são os troncos das árvores que fornecem madeira para móveis, construção, papel e diversos outros produtos. Uma pesquisa realizada no Sul do Brasil, porém, chama a atenção para o que está embaixo delas.
O solo e a camada de folhas, galhos e cascas que cobre o chão dessas florestas funcionam como uma importante reserva de carbono e nutrientes.
O estudo foi conduzido pelo engenheiro florestal Eleandro José Brun* e sua equipe, em uma parceria entre a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Os pesquisadores analisaram plantações de Pinus taeda e Pinus elliottii no Rio Grande do Sul e as compararam com áreas de campo natural.
Um dos principais resultados está justamente no chão da floresta.
A camada formada pelo material que cai das árvores — chamada pelos pesquisadores de serapilheira — ajuda a proteger o solo, reter água e armazenar nutrientes, carbono e nitrogênio.
Nas áreas estudadas, havia em média 17,2 toneladas desse material por hectare sob o Pinus taeda e 22,2 toneladas sob o Pinus elliottii. No campo natural, eram 5,2 toneladas.
Carbono debaixo da terra
A pesquisa também encontrou grandes quantidades de carbono armazenadas no próprio solo das plantações.
Nas áreas de Pinus taeda, foram registradas 226,1 toneladas de carbono por hectare nos primeiros 60 centímetros de profundidade. Nas áreas de campo natural próximas, eram 275 toneladas.
Já na região estudada com Pinus elliottii, os valores foram ainda mais próximos: 88,7 toneladas por hectare nas plantações e 95,6 toneladas no campo natural.
Os números não devem ser usados para comparar diretamente as duas espécies, porque as áreas possuem condições diferentes de clima e solo.
O que chamou a atenção dos pesquisadores foi outra coisa: mesmo com a retirada periódica de madeira, as plantações conseguiram manter reservas de carbono no solo próximas às encontradas nas áreas naturais avaliadas.
E isso importa também para o clima. Quanto mais carbono permanece armazenado no solo e na vegetação, menos vai para a atmosfera na forma de gases de efeito estufa.
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O que fica depois da colheita
Os resultados também mostram que a maneira como a floresta é manejada faz diferença.
Galhos e outros restos vegetais deixados no terreno depois da colheita não são simplesmente resíduos. Eles ajudam a devolver matéria orgânica e nutrientes ao solo conforme se decompõem.
Por isso, manter esse material na área, em vez de retirá-lo ou queimá-lo, contribui para conservar a qualidade do terreno para os próximos ciclos de produção. Outros estudos indicam que triturar os resíduos pode ampliar esse benefício, ao espalhá-los melhor pela área.
“A qualidade do solo em florestas plantadas é o termômetro da sustentabilidade. Monitorar o carbono e o nitrogênio não é apenas uma questão técnica, é garantir que a terra continue fértil e capaz de sustentar a vida”, destaca o pesquisador em seu trabalho.
A descoberta ajuda a mostrar que o valor de uma floresta plantada não está apenas naquilo que é retirado dela. Parte dessa riqueza permanece escondida sob as árvores, ajudando a conservar o solo que sustentará a próxima floresta.
Os resultados fazem parte do livro Qualidade do Solo em Plantações de Pinus no Sul do Brasil, publicado pela Editora Appris, de Eleandro José Brun e outros pesquisadores da UTFPR e UFSM.
*Eleandro Brun é engenheiro florestal, professor da UTFPR Dois Vizinhos, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais (SBEF) e membro do Conselho Científico da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas).








