Expectativa é aumentar em até 25% a produção de hortaliças, além de reduzir em cerca de R$ 400 por mês as despesas com eletricidade
(Foto: EDP/Divulgação)
A redução dos custos com energia elétrica por meio da geração solar está permitindo que um projeto social de produção de hortaliças em Miracema, no Tocantins, amplie sua capacidade produtiva e fortaleça ações de segurança alimentar e geração de renda.
Com a instalação de um sistema fotovoltaico no viveiro de mudas da Associação Aliança para um Futuro Melhor (Aliar), a expectativa é aumentar em até 25% a produção de hortaliças, além de reduzir em cerca de R$ 400 por mês as despesas com eletricidade.
A iniciativa, batizada de Sonho, Luz e Raiz, alia energia renovável à produção agrícola em um modelo agrivoltaico voltado para organizações sociais.
A economia obtida com a conta de energia permitirá ampliar a produção de mudas destinadas tanto ao consumo das famílias atendidas quanto à comercialização do excedente, cuja renda é revertida para a compra de cestas básicas.
Fundada em 2012, a Aliar atende aproximadamente 180 pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Atualmente, sua horta hidropônica produz mais de 20 mil mudas por ano de hortaliças como alface, rúcula e coentro.
Parte da produção é destinada às famílias acompanhadas pela entidade e o restante é vendido na região para financiar os projetos sociais.
Energia abastecerá equipamentos essenciais

Projeto também prevê a capacitação de lideranças locais para operar e realizar a manutenção do sistema fotovoltaico. Foto: EDP/Divulgação
O sistema instalado conta com oito painéis solares, capacidade de geração de 4,92 kWp e produção estimada de aproximadamente 400 kWh por mês, suficiente para garantir até 95% de autossuficiência energética da associação.
A energia abastecerá equipamentos essenciais para o funcionamento da horta, como bombas de irrigação, sistemas de refrigeração, iluminação e bombeamento de água.
A redução dos gastos com eletricidade é considerada estratégica principalmente para a produção hidropônica, em que bombas e sistemas de refrigeração operam continuamente e podem representar até 40% dos custos variáveis da atividade.
Além da economia financeira, o projeto prevê a capacitação de lideranças locais para operar e realizar a manutenção do sistema fotovoltaico, buscando garantir autonomia técnica e sustentabilidade da iniciativa ao longo dos próximos anos.
Segundo Rafael Bittar, especialista em Impacto Social da EDP, iniciativas que integram produção agrícola e energia limpa podem ampliar os benefícios da transição energética para as comunidades.
O projeto em Miracema nasce com esse propósito: testar uma solução sustentável, acompanhar seus resultados e mostrar que a energia limpa também pode ser instrumento de inclusão, segurança alimentar e fortalecimento comunitário”, afirma.
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Parcerias
A implantação do sistema foi realizada em parceria entre a EDP, a Revolusolar e o Laboratório Fotovoltaico da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ao longo da operação, serão monitorados indicadores como economia de energia, aumento da produção agrícola, redução de custos operacionais, emissões evitadas de carbono, melhoria do microclima e otimização do uso da terra.
“Este projeto reúne diferentes atores para cocriar soluções inovadoras que respondam a desafios reais dos territórios. A parceria tornou possível adaptar tecnologias e implementar um modelo agrivoltaico de pequena escala”, comenta Cecilia Pestana, diretora de Projetos da Revolusolar.
“Agora, nossa expectativa é transformar essa experiência em conhecimento, mensurando seus impactos e contribuindo para que modelos agrivoltaicos mais eficientes e acessíveis possam ser replicados em outras comunidades do país”, completa.
Para a presidente da Aliar, Edileia Tavares, a iniciativa vai além da redução dos custos operacionais.
“O projeto agrivoltaico é muito importante, pois, além de diminuir os custos com energia elétrica, traz inovação para Miracema, possibilitando que novos parceiros possam se interessar e contribuir com os projetos sociais desenvolvidos pela associação”, reforça.
O projeto foi concebido como uma experiência-piloto com potencial de replicação em outras comunidades. A expectativa é que os resultados obtidos em Miracema contribuam para o desenvolvimento de modelos agrivoltaicos de pequena escala capazes de combinar produção de alimentos, redução de custos e acesso à energia renovável em organizações sociais.








