Nova plataforma nacional de IoT vai superar barreiras e oferecer rastreabilidade, ajudando a democratizar a pecuária de precisão no país e a atender às exigências da União Europeia e de outros blocos econômicos
A pecuária brasileira conquistou o título de maior exportadora de carne bovina do planeta. No entanto, para manter essa posição e continuar expandindo suas fronteiras comerciais, o setor precisa, com urgência, realizar uma virada histórica em suas práticas de manejo.

A nova plataforma nacional de IoT vai superar barreiras e oferecer rastreabilidade, ajudando a democratizar a pecuária de precisão no país e a atender às exigências da União Europeia e de outros blocos econômicos Foto Embrapa Pecuária Sudeste e Taggen/Divulgação
Além das demandas do mercado interno, o cenário internacional mudou radicalmente: a União Europeia elevou o padrão do jogo e determinou que, a partir de setembro de 2026, haverá o bloqueio rigoroso às importações de animais e produtos de origem animal que não comprovem origem 100% regular e sustentável. Uma exigência que pode ser adotada por outros países ou blocos econômicos.
A regra definida pela União Europeia exige a rastreabilidade total e a geolocalização de toda a cadeia produtiva. Não basta mais apenas saber por quais fazendas o animal passou ou portar uma identificação visual básica.
Garantias
A nova legislação exige garantias de ponta a ponta de que a carne não seja oriunda de áreas de desmatamento ilegal – passivo socioambiental – e que cumpra critérios sanitários rigorosíssimos.
Diante de pressões internacionais e de riscos reais de prejuízos econômicos e de bloqueios comerciais em larga escala, o setor corre contra o tempo para encontrar soluções viáveis que vão além da mera identificação e do monitoramento.
A rastreabilidade bovina deixou de ser apenas uma meta conceitual de ESG (Environmental, Social, and Governance) para se tornar uma urgência comercial crítica para manter a liderança e a competitividade brasileiras.
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Solução inovadora
Frente a esse desafio de proporções continentais, uma solução inovadora foi desenvolvida pela Embrapa, em parceria com a Taggen, que vai além da identificação e garantirá rastreabilidade do gado brasileiro.
Werter Padilha, CEO da Taggen, explica que a nova plataforma nacional de IoT vai superar barreiras e oferecer rastreabilidade, ajudando a democratizar a pecuária de precisão no país e a atender às exigências da União Europeia e de outros blocos econômicos.
Ele completa que a plataforma pioneira une beacons, gateways, inteligência de dados, algoritmos avançados e nuvem.
O CEO da Taggen é categórico sobre o momento de transição e a necessidade de evolução do setor: “A pecuária brasileira precisa avançar para um novo patamar tecnológico e a IoT (Internet das Coisas) está aqui para dar conta dos desafios”.

Ao registrar a geolocalização histórica do animal, o sistema gera um lastro digital auditável que comprova que o boi foi criado de forma ética e em áreas livres de desmatamento ou de sobreposição a reservas ambientais Foto Embrapa Pecuária Sudeste e Taggen/Divulgação
União estratégica contra o apagão da rastreabilidade na pecuária
Padilha ressalta que, cientes de que os pecuaristas e profissionais da cadeia do agro enfrentam uma contagem regressiva complexa, a Embrapa e a Taggen Industries and Services e — referência na geração de conhecimentos e tecnologias para a agropecuária brasileira — resolveram unir forças.
“Após mais de três anos de intensa pesquisa, entendimento mútuo e desenvolvimento conjunto, as entidades criaram uma plataforma inovadora de serviços integrados, desenhada sob medida para superar as dores reais do produtor rural brasileiro. As exigências internacionais confirmam que a identificação isolada, com brinco ou chip, não garante a rastreabilidade do animal”, reforça o profissional.
Alberto Bernardi, engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa, destaca que um dos méritos dessa inovação nacional, implementada na Embrapa Pecuária Sudeste (em São Carlos, no interior de São Paulo), é quebrar barreiras que historicamente atrasaram a digitalização do campo: permitir a conectividade à internet em regiões remotas e superar o desafio crítico de fornecimento de energia em áreas isoladas.
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Segundo o pesquisador, a transformação da pecuária tradicional para o modelo de precisão foi estruturada de forma inteligente, com foco em alta conectividade, fácil implantação e, acima de tudo, em um custo viável à realidade geográfica e econômica do Brasil.
“Tendo em vista que a infraestrutura de internet é um grande gargalo no meio rural, a tecnologia contorna o problema ao instalar gateways em pontos estratégicos da propriedade. Eles funcionam de forma 100% autônoma, alimentados pela rede elétrica, por painéis solares ou até por baterias de veículos. Conectados via Wi-Fi, eles formam a espinha dorsal que leva a fazenda diretamente às telas de computadores, tablets e smartphones. A plataforma também é resiliente para armazenar e transmitir dados quando a conectividade não estiver disponível”, detalha Bernardi.
O agrônomo conta que no momento do manejo, o animal recebe um dispositivo transmissor de alta durabilidade, chamado Beacon (atualmente confortavelmente adaptado a uma coleira). “Este dispositivo emite um sinal de radiofrequência constante e único, captado automaticamente pelos gateways espalhados pela fazenda, sem a necessidade de intervenção humana constante”, esclarece.
Na avaliação do pesquisador da Embrapa, a pecuária de precisão está transformando o campo. “Para o pecuarista que busca excelência e conformidade com o mercado externo, o controle precisa evoluir das tradicionais e falhas anotações manuais em cadernetas para a inteligência digital”, orienta o especialista.
Ele informa que a solução foca no monitoramento e na rastreabilidade individualizados do rebanho em tempo real e guarda o histórico de informações do animal.
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Werter Padilha relata que a coleta automatizada desses dados altera completamente a governança da propriedade e o relacionamento com o mercado comprador. “Com o sistema rodando 24 horas por dia, o pecuarista passa a ter um inventário detalhado e em tempo real do seu rebanho, bem como o histórico”, afirma.
De acordo com sua informação, a plataforma da Taggen registra toda a movimentação dos animais, mensurando com precisão quanto tempo eles permaneceram nos pastos de cria, recria, engorda, no cocho ou no curral de manejo, contabilizando cada entrada e saída. “O tratamento e a nutrição deixam de focar no lote e passam a focar no indivíduo, maximizando o ganho de peso e a saúde do rebanho”, resume.

Ao oferecer eficiência técnica e baixo custo operacional, a parceria entre Taggen e Embrapa democratiza o acesso à tecnologia para produtores de diferentes portes, desde pequenos criadores até grandes grupos agropecuários Foto Embrapa Pecuária Sudeste e Taggen/Divulgação
O CEO da Taggen enfatiza que a tecnologia vai muito além da porteira. “Ao registrar a geolocalização histórica do animal, o sistema gera um lastro digital auditável que comprova que o boi foi criado de forma ética e em áreas livres de desmatamento ou de sobreposição a reservas ambientais”, informa.
E complementa: “É a internet das coisas e a capacidade brasileira viabilizando o acesso a protocolos de alto valor agregado e atendendo às exigências mais severas dos mercados interno e externo, que estão cada vez mais exigentes e demandam mudança nas operações dos pecuaristas, frigoríficos e exportadores”.
Soberania tecnológica e PNIB
O desenvolvimento dessa solução nacional de ponta atende diretamente às diretrizes do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), lançado para garantir a rastreabilidade total do rebanho brasileiro até 2032, a fim de proporcionar e consolidar a rastreabilidade automatizada como o pilar de sustentação da carne brasileira.
Ao oferecer eficiência técnica e baixo custo operacional, a parceria entre Taggen e Embrapa democratiza o acesso à tecnologia para produtores de diferentes portes, desde pequenos criadores até grandes grupos agropecuários.
Na avaliação de Padilha, a implementação dessa plataforma é um investimento que proporciona mais valor e diferenciação à carne. “Hoje em dia, o pecuarista precisa colocar em prática a sua visão empreendedora para se destacar”, acredita o empresário.
De acordo com ele, o protocolo nasce com robustez técnica para se tornar um padrão de referência mundial, ao demonstrar a força dessa inovação, bem como as soluções e os resultados obtidos em campo.
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Peso do agronegócio
O peso do agronegócio na economia nacional reforça a necessidade de ampliar a transformação digital do setor. O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária registrou um impressionante crescimento de 11,7% em 2025 na comparação com o ano anterior.
Em valores correntes, o valor adicionado bruto do setor somou R$ 775,3 bilhões, o que equivale a aproximadamente 6,1% da riqueza produzida no país. Para blindar e alavancar ainda mais esse crescimento bilionário, a resposta está na digitalização definitiva do pasto ao abatedouro.








