Compreender as causas das perdas embrionárias e fetais é fundamental para reduzir prejuízos e melhorar os índices reprodutivos (Foto: Arquivo/Auster Nutrição Animal)
O número de leitões desmamados por fêmea ao ano segue como um dos principais termômetros de eficiência na suinocultura. No entanto, um fator muitas vezes subestimado nas granjas pode comprometer diretamente esse indicador: as perdas gestacionais.
Segundo o zootecnista Fernando Zimmer, compreender as causas das perdas embrionárias e fetais é fundamental para reduzir prejuízos e melhorar os índices reprodutivos.
De acordo com o especialista, a mortalidade embrionária ocorre até os 35 dias de gestação. “Nesse período, os embriões são absorvidos pelo organismo da fêmea e, por isso, não são contabilizados ao parto. As causas podem ser variadas e incluem fatores relacionados ao macho, à fêmea e ao próprio embrião”, explica.
Após os 35 dias, passam a ser registradas as chamadas mortes fetais, que podem ser identificadas no momento do parto, principalmente pela presença de fetos mumificados e leitões natimortos.
Quando a morte ocorre entre 35 e 90 dias de gestação, é comum a mumificação fetal — situação em que a fêmea não aborta, mas os leitões apresentam coloração escurecida e diferentes níveis de desidratação.
Já as mortes após 90 dias são classificadas como natimortalidade, que pode ser subdividida em pré-parto, intra-parto e pós-parto. A correta classificação desses casos é considerada essencial para entender a origem dos problemas e definir medidas de correção.
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Fatores infecciosos e de manejo
Especialistas apontam que as perdas gestacionais podem estar associadas tanto a causas infecciosas quanto não infecciosas.
Entre os agentes infecciosos, embora menos frequentes, estão o circovírus suíno, o parvovírus, Leptospira sp., Brucella suis e a doença de Aujeszky, capazes de provocar distúrbios reprodutivos importantes.
Na prática, contudo, predominam os fatores não infecciosos, geralmente ligados ao manejo e às condições produtivas. Zimmer destaca que características da própria fêmea, como genética, alta prolificidade e ordem de parto elevada, podem influenciar as perdas.
Além disso, aspectos operacionais exercem papel determinante.
Entre eles estão escore corporal inadequado no momento da cobertura, estresse, ambiência inadequada, ingestão insuficiente de água, partos distócicos, falhas na indução, ausência de assistência ao parto, presença de micotoxinas na dieta e nutrição desequilibrada.
Impacto econômico
Para o zootecnista, as perdas gestacionais representam impacto econômico relevante para a atividade, uma vez que reduzem o número de leitões comercializados por matriz e diluem menos os custos fixos da produção.
“A identificação correta desses prejuízos e a adequada classificação da natimortalidade são etapas essenciais para compreender as causas e direcionar medidas de correção”, afirma.
Diante desse cenário, o especialista recomenda a adoção de estratégias integradas que envolvam manejo criterioso, nutrição equilibrada, controle sanitário rigoroso e atenção ao bem-estar das matrizes.
“Essas medidas são determinantes para reduzir perdas e melhorar o desempenho reprodutivo do plantel”, conclui.








