A demonstração da aplicação do equipamento ocorreu no Mirante do Pedrão, em Botafogo. A adoção da nova tecnologia integra o plano de contingência para amenizar o impacto das ondas de calor para a população (Foto: Beth Santos/Prefeitura do Rio)
A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Clima, iniciou na primeira semana de janeiro, o uso inédito de drones semeadores nos mutirões de reflorestamento.
A adoção da nova tecnologia integra o plano de contingência para amenizar o impacto das ondas de calor para a população. O projeto-piloto deste novo método de trabalho de reflorestamento será na Floresta da Posse, em Campo Grande, Zona Oeste da cidade.
“Com o uso da tecnologia dos drones, vamos conseguir ampliar as áreas verdes da cidade e assim amenizar as fortes ondas de calor, além de deixar o Rio de Janeiro ainda mais bonito”, afirmou o prefeito Eduardo Paes.
Os drones semeadores são uma aposta para dar velocidade ao reflorestamento no Rio. Na Floresta da Posse, o drone será usado no plantio de espécies nativas locais, usando a tecnologia da startup franco-brasileira Morfo, parceira da prefeitura na empreitada.
Eles serão utilizados em áreas de difícil acesso, onde os agentes que realizam o mutirão de reflorestamento tradicional têm mais dificuldades para alcançar.
Trabalho é 100 vezes mais rápido
Como um único drone é capaz de dispersar 180 cápsulas e sementes de múltiplas espécies por minuto, chega a ser até 100 vezes mais rápido do que soluções tradicionais de reflorestamento, reduzindo o tempo de permanência da equipe em locais isolados.
Outras vantagens são a amplitude da biodiversidade de espécies utilizadas e a redução de custos.
Numa ação, pode-se contar com pelo menos 20 espécies nativas, a um valor até cinco vezes mais barato, não só pela rapidez de plantio, mas também porque o plantio com sementes evita a implantação de um viveiro e sua manutenção por vários meses.
“Com o drone, nós assumimos uma responsabilidade por mais áreas verdes. Mas também iniciamos um processo usando inteligência artificial de acompanhamento e de monitoramento de nossas mudas e sementes. Além de acelerar o processo de nossos mutirões de reflorestamento”, explicou a secretária de Meio Ambiente e Clima, Tainá de Paula.
As etapas do novo modelo de reflorestamento
A nova solução de reflorestamento não se limita ao lançamento de sementes por drones. O trabalho incluirá o monitoramento das áreas reflorestadas, com fornecimento de dados de forma constante, transparente e de visualização simples em um dashboard personalizado.
“O trabalho começa muito antes, com o reconhecimento da área, com a identificação das melhores espécies a serem plantadas naquela região e termina muito depois com o monitoramento de longo prazo justamente daquela área. O drone é a parte central desse trabalho todo”, destacou o CEO da Morfo no Brasil, Grégory Maitre.
Tudo começa com o diagnóstico do solo, feito a partir de imagens de satélite e de drone, para mapear a topografia, os recursos hídricos e a cobertura vegetal existente – se é composta de vegetação nativa ou de espécies invasoras, por exemplo.
Em laboratório, outras características são analisadas, como a compactação, a umidificação e a composição mineral e orgânica.
“Mesmo se tratando de um único bioma, de acordo com o estado do solo, a área pode ser dividida em subáreas, cada uma recebendo uma preparação diferente, por exemplo”, disse Tainá de Paula.
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Identificação de espécies nativas
Com o estudo em mãos, a próxima etapa consiste na identificação de, no mínimo, 20 espécies nativas com mais chances de sucesso para aquele solo, incluindo variedades dos três estágios da sucessão ecológica, como plantas rasteiras, arbustos e árvores.
Essa seleção também é feita em laboratório, com testes que avaliam a taxa de germinação, as substâncias necessárias para a fixação e crescimento e quais podem ser plantadas in natura e quais vão precisar serem envoltas por uma cápsula nutritiva.
Após essa definição, o plano de plantio é feito por inteligência artificial, que calcula quais sementes serão plantadas em quais áreas, junto com quais espécies, a proporção de sementes de cada uma delas e a quantidade necessária para cada espaço, criando padrões de plantio complexos, a chamada “plantação inteligente”.
A terceira etapa é a dispersão das sementes encapsuladas e in natura de acordo com o plano, feita com uma equipe de duas pessoas e um drone, com um plano de voo pré-determinado.
O método também dispensa os meses de nutrição em viveiro das mudas, assim como o transporte delas até a região do plantio.
10 milhões de árvores plantadas
Na Floresta da Posse, na unidade de conservação de Mata Atlântica, localizada em Campo Grande, serão plantadas 160 mil mudas de árvores.
Nos últimos anos, já foram plantadas 62 mil mudas de mais de 100 espécies, ampliando a área de mata para 950 mil metros quadrados, equivalente a 95 campos de futebol. Também serão realizadas ações de recuperação de mananciais e de proteção da fauna e flora nativas.
Desde o início do Refloresta Rio, nos anos 1980, foram reflorestados o equivalente a 3.600 campos de futebol e plantadas mais de 10 milhões de mudas, em mais de 200 comunidades atendidas com serviços ambientais, gerando vários benefícios para a população.
Em 38 anos de vida, o programa de reflorestamento da Prefeitura do Rio teve a participação de mais de 10 mil colaboradores e voluntários, hoje o programa conta com cerca de 470 mutirantes (voluntários com ajuda de custo).
Desde 2021, já foram plantadas mais de 368 mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica com uma diversidade que já ultrapassou mais de 168 espécies nativas do Bioma.