O método tradicional, usado no mundo inteiro, ocorre por meio de um processo totalmente manual e demora até uma hora e meia (Foto: Divulgação)
O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores mundiais de soja, que representa cerca de 5% a 7% do PIB do país, movimentando aproximadamente R$ 360 bilhões por ano. A classificação da qualidade dos grãos é uma etapa importante nas relações comerciais entre produtores, armazenadores, tradings, processadores e exportadores.
O projeto Grain Analytic System (Gras) é uma tecnologia pioneira para classificação automática de defeitos de grãos de soja, utilizando fotônica, visão computacional e inteligência artificial (IA). O objetivo é tornar a avaliação da qualidade dos grãos de soja mais rápida, objetiva e padronizada, reduzindo o tempo de análise de 90 para quatro minutos.

Ferramenta identifica e classifica diferentes características e defeitos dos grãos de soja sem a necessidade de cortá-los. Foto: Divulgação
O Gras resulta da parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e a startup Brasil Agritest – primeira empresa a firmar contrato com a Unidade Embrapii Itech-Agro. O funcionamento da máquina é muito simples. É colocada uma amostra de soja no equipamento, que analisa os grãos individualmente utilizando iluminação especial, câmeras e IA. O sistema então identifica e classifica diferentes características e defeitos dos grãos sem a necessidade de cortá-los.
Embora o grão de soja seja de grande relevância, a determinação da sua qualidade, no mundo todo, se baseia ainda na inspeção visual, realizada pelos poucos profissionais de classificação existentes, por meio de um processo totalmente manual. “É como transformar uma inspeção predominantemente manual em uma análise automatizada, rápida e baseada em critérios objetivos”, resume a pesquisadora e coordenadora da Unidade Embrapii Itech-Agro, Débora Milori.
A principal inovação do Gras é a integração de fotônica, sistemas de imageamento, visão computacional e inteligência artificial em uma solução automatizada para avaliação da qualidade de grãos. “Além da expressiva redução do tempo de análise, a tecnologia contribui para diminuir a subjetividade inerente à avaliação visual e aumentar a padronização, repetibilidade e rastreabilidade dos resultados”, destaca Débora.
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Solução pronta para escalar
Atualmente, o Gras encontra-se em fase final de desenvolvimento e validação em ambiente operacional. O equipamento já foi testado em condições reais de uso e está sendo aprimorado a partir dos resultados obtidos nos testes com parceiros do setor. “Atualmente, a empresa busca investimentos para realizar os ajustes finais e preparar o equipamento para a produção em escala”, conta o sócio e cofundador da Brasil Agritest, Thomas Martins Ceglia.

Solução pode contribuir para maior transparência, confiabilidade e rastreabilidade na avaliação da qualidade dos grãos. Foto: Pixabay
Para a indústria, a tecnologia representa uma oportunidade de digitalização e automação de uma atividade ainda fortemente dependente de procedimentos manuais. Para a sociedade e para a cadeia produtiva, a solução pode contribuir para maior transparência, confiabilidade e rastreabilidade na avaliação da qualidade dos grãos, fortalecendo a competitividade e a transformação digital do agronegócio brasileiro.








