Planejamento da alimentação animal com inclusão das forrageiras, como a palma na foto, é apontado como um dos principais fatores para garantir produtividade na regiãoa disponibilidade comprometida de de pastagens ao longo do ano
(Foto: Epamig)
Após quase uma década de pesquisas, o Projeto Forrageiras para o Semiárido entra em uma nova etapa voltada à disseminação das tecnologias desenvolvidas para fortalecer a pecuária em uma das regiões mais desafiadoras do país.
A iniciativa, coordenada pelo Instituto CNA em parceria com a Embrapa desde 2017, selecionou espécies forrageiras mais adaptadas às diferentes condições climáticas do Semiárido, oferecendo alternativas para reduzir os impactos das estiagens sobre a alimentação dos rebanhos.
A nova fase foi marcada pelo lançamento do Rally Forrageiras, em Baixa Grande (BA), quando produtores, técnicos, pesquisadores e representantes do Sistema CNA/Senar conheceram os resultados obtidos ao longo dos anos de pesquisa e as recomendações para adoção das tecnologias nas propriedades rurais.
No Semiárido brasileiro, onde a irregularidade das chuvas compromete a disponibilidade de pastagens ao longo do ano, o planejamento da alimentação animal é apontado como um dos principais fatores para garantir produtividade e reduzir custos da atividade pecuária.
A coordenadora do Projeto Forrageiras, Alenilda Carvalho, afirma que depender exclusivamente do pasto natural aumenta a vulnerabilidade dos sistemas de produção.
“A dependência exclusiva do pasto resulta em queda de desempenho animal e elevação dos custos de produção. Uma das soluções é a diversificação de fontes forrageiras, compondo um cardápio forrageiro estruturado em três pilares: palma forrageira, gramíneas anuais e perenes, que garante volumoso, energia, proteína e água ao longo do ano, promovendo uma pecuária sustentável”.
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Forrageiras mais adaptadas

Estudo identifica cultivares de sorgo mais adaptadas. Foto: Embrapa
O projeto avaliou, em sua primeira fase, dezenas de espécies entre gramíneas anuais e perenes, cactáceas e leguminosas arbóreas para identificar aquelas com maior adaptação às diferentes faixas de precipitação da região.
Os estudos mostraram, por exemplo, que os milhetos BRS 1501 e IPA Bulk apresentaram melhor desempenho em áreas com menos de 400 milímetros de chuva por ano.
Nas regiões com precipitação entre 400 e 600 milímetros anuais, destacaram-se os sorgos Ponta Negra e BRS 658.
Entre as gramíneas perenes, o capim Buffel Aridus apresentou maior resiliência às condições adversas, enquanto o Massai registrou maior produtividade. Já entre as cactáceas, as palmas Orelha de Elefante Mexicana e Miúda obtiveram os melhores resultados.
Na etapa seguinte, as espécies mais promissoras passaram a ser avaliadas diretamente com animais, permitindo medir o desempenho das forrageiras em condições reais de pastejo e diferentes sistemas de produção.
Os experimentos indicaram que, na bovinocultura de leite, os capins Aruana, Massai e Piatã proporcionaram os melhores resultados para novilhas.
Na pecuária de corte, destacaram-se os capins BRS Paiaguás, Piatã e Massai para novilhos. Já na ovinocultura de corte, Aruana e Massai apresentaram os melhores desempenhos.
Resultados entre produtores

Aos 65 anos, ao invés de esperar pela chuva, Souza passou a investir em planejamento. Foto: CNA
No Semiárido baiano, produtores rurais buscam conhecimento, assistência técnica e tecnologias para conviver com longos períodos de estiagem.
Foi o que ocorreu na Fazenda Várzea de Baraúna, em Miguel Calmon (BA). A transformação começou quando José Santos Souza decidiu que aprender seria o principal investimento que ele poderia fazer na propriedade.
Aos 65 anos, o produtor carrega uma história marcada por desafios. Nascido em uma família de 15 irmãos, perdeu os pais aos nove anos de idade e precisou começar a trabalhar ainda criança para ajudar a sustentar a família. Estudou apenas até a 4ª série, mas nunca deixou de buscar conhecimento.
“Sem conhecimento ninguém vai a lugar nenhum”, admite.
Ao invés de esperar pela chuva, Souza passou a investir em planejamento.
Aprendeu que produzir no Semiárido significa armazenar alimento para os períodos críticos, escolher forrageiras adaptadas às condições da região, manejar corretamente as pastagens e aproveitar cada recurso disponível, inclusive com captação de água da chuva, quando ela vem.

Hoje, a alimentação do rebanho na fazenda é tratada como prioridade. Foto: CNA
A propriedade trabalha com silagem, palma forrageira, capins adaptados, pastagens rotacionadas e concentrado produzido na própria fazenda.
Na propriedade, ele implantou o capim Paiaguás em uma área degradada, após realizar análise de solo e correção da acidez com calcário. Além disso, também produz palma forrageira em quatro hectares, aproximadamente.
Quando iniciou a atividade em 2009, possuía 14 vacas e produzia aproximadamente 40 litros de leite por dia.
Hoje, ele tem 30 animais e 21 estão em lactação. A produção diária chegou a aproximadamente 441 litros e a meta é alcançar 500 litros por dia. Souza conta que em 2023 chegou a produzir 615 litros diários com 32 vacas em produção.
Fonte: CNA








