Além dos indicadores de preservação, o setor defende que a expansão da produção florestal pode ocorrer sem avanço sobre áreas de vegetação nativa
(Foto: AMIF)
Em meio ao avanço das discussões sobre sustentabilidade, mudanças climáticas e uso responsável da terra, o setor de florestas plantadas busca demonstrar que produção e conservação ambiental podem caminhar juntas.
Integrante do agronegócio brasileiro, o segmento reúne a maior área privada de vegetação nativa preservada entre as atividades econômicas do país, enquanto fornece matéria-prima para cadeias estratégicas como siderurgia, papel e celulose, construção civil, painéis de madeira, móveis e geração de energia renovável.
Em Minas Gerais, estado que concentra a maior área de florestas plantadas do Brasil, os indicadores reforçam esse posicionamento.
Levantamento da Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF), elaborado com base em dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), mostra que as empresas associadas destinam cerca de 1,3 milhão de hectares à conservação da vegetação nativa.
O estudo aponta ainda que essas empresas mantêm, em média, 67% de excedente de Reserva Legal, percentual superior ao mínimo exigido pela legislação ambiental.
Para a presidente executiva da AMIF, Adriana Maugeri, os resultados ainda são pouco conhecidos pela sociedade.
“Existe a percepção de que preservar e produzir são objetivos incompatíveis, mas a atividade florestal demonstra justamente o contrário. O setor gera empregos, movimenta a economia, abastece diferentes indústrias e, ao mesmo tempo, lidera a conservação de vegetação nativa no Brasil. Essa realidade precisa ganhar espaço no debate público”, pontua.
Segundo a executiva, a conservação ambiental é um dos pilares da própria atividade florestal.
“Solo, água, clima e biodiversidade são recursos indispensáveis para o cultivo florestal. Cuidar desses ativos naturais não representa apenas um compromisso ambiental, mas uma condição para manter a produtividade, fortalecer os ecossistemas e garantir competitividade no longo prazo”, acrescenta.
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Crescimento sobre áreas degradadas
Além dos indicadores de preservação, o setor defende que a expansão da produção florestal pode ocorrer sem avanço sobre áreas de vegetação nativa.
De acordo com a AMIF, o Brasil possui aproximadamente 40 milhões de hectares de áreas degradadas aptas à recuperação produtiva, o que permitiria ampliar a oferta de madeira renovável e, ao mesmo tempo, reduzir a pressão sobre remanescentes florestais diante do aumento da demanda global por produtos de origem vegetal.
Para o presidente do Conselho Deliberativo da AMIF, Júlio Ribeiro, a evolução tecnológica transformou o manejo florestal brasileiro nas últimas décadas e consolidou um modelo reconhecido internacionalmente pela produtividade.
“A tecnologia, a pesquisa, o melhoramento genético e o monitoramento permanente permitiram construir um sistema eficiente e sustentável. Hoje, o Brasil produz madeira em ciclos muito inferiores aos de outros países, utilizando áreas específicas para cultivo e preservando extensas áreas de vegetação nativa”, comenta.
Na avaliação do dirigente, o modelo também fortalece a agenda climática ao combinar produção renovável e conservação ambiental.
“As florestas plantadas fornecem matéria-prima renovável, capturam carbono durante o crescimento das árvores e diminuem a pressão sobre as florestas naturais. Trata-se de uma atividade que reúne desenvolvimento econômico, segurança no abastecimento e benefícios ambientais sustentados por evidências técnicas”, destaca.








