Além de demandar diagnóstico precoce, casos alertam tutores sobre os principais sinais das cardiopatias e reforçam a importância do acompanhamento veterinário regular (Foto: Pexels)
Muitas doenças cardíacas podem evoluir de forma silenciosa e, nos estágios iniciais, não apresentar sinais perceptíveis para os tutores. Por isso, o acompanhamento veterinário periódico é fundamental para identificar alterações precocemente e permitir o monitoramento adequado da saúde do animal.
Entre as cardiopatias mais comuns está a doença mixomatosa da valva mitral, que ocorre com maior frequência em cães de pequeno porte e cuja prevalência aumenta com a idade.
No Brasil, um estudo conduzido pelo Laboratório de Cardiologia Comparada do Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com cães atendidos em um serviço especializado em cardiologia, mostrou que a doença mixomatosa da valva mitral foi a cardiopatia mais frequentemente diagnosticada, estando presente em 93,5% dos 1.668 cães cardiopatas avaliados.

Os cães da raça Boxer merecem atenção também para outras enfermidades, como a cardiomiopatia dilatada. Foto: CP17/Pixabay
Segundo a médica-veterinária Mariana H. Cappellanes Flocke, as doenças cardíacas costumam evoluir lentamente e podem não apresentar sinais evidentes no início. “Muitas vezes, as alterações são identificadas durante consultas de rotina, antes mesmo de o tutor perceber qualquer mudança no comportamento do animal. Por isso, o acompanhamento periódico ao longo de toda a vida é tão importante”, explica.
Embora possam acometer cães de diferentes portes e idades, estudos apontam que algumas raças apresentam maior predisposição a determinadas cardiopatias. Cavalier King Charles Spaniel, Poodle, Yorkshire Terrier, Dachshund, Maltês e Shih Tzu, por exemplo, estão entre as raças mais associadas à doença mixomatosa da valva mitral. Já cães de grande porte, como Dobermann e Boxer, merecem atenção para outras enfermidades, como a cardiomiopatia dilatada.
O envelhecimento e a predisposição genética são fatores importantes para o desenvolvimento de algumas doenças cardíacas. Além disso, manter o peso corporal adequado, oferecer alimentação equilibrada e estimular atividades físicas compatíveis com a condição do animal são medidas que contribuem para a saúde e o bem-estar dos cães.
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Atenção é fundamental para agir com prevenção
Conforme alerta a especialista, os tutores também devem ficar atentos a sinais como:
– Tosse persistente, principalmente após exercícios ou durante a noite;
– Cansaço excessivo ou intolerância ao exercício;
– Dificuldade para respirar;
– Episódios de desmaio;
– Perda de apetite;
– Aumento do volume abdominal.

A identificação precoce das alterações permite acompanhar a progressão da doença e estabelecer estratégias terapêuticas individualizadas. Foto: couleur/Pixabay
Embora esses sinais também possam estar relacionados a outras condições de saúde, sua persistência deve ser avaliada por um médico-veterinário. Durante a consulta, o profissional poderá realizar o exame clínico e, quando necessário, solicitar exames complementares, como ecocardiograma, eletrocardiograma e radiografias, para confirmar o diagnóstico e definir a conduta mais adequada para cada paciente.
“A identificação precoce das alterações permite acompanhar a progressão da doença e estabelecer estratégias terapêuticas individualizadas, contribuindo para uma melhor qualidade de vida dos pacientes”, afirma Mariana.
De modo geral, recomenda-se que cães adultos realizem avaliações clínicas pelo menos uma vez ao ano. Para animais idosos ou pertencentes a raças predispostas às cardiopatias, o médico-veterinário poderá indicar consultas mais frequentes, de acordo com o histórico e as necessidades individuais de cada paciente.








