Daiana Carrari, à direita, acompanhada de sua sogra, Maria da Penha Machado Carrari, nas atividades da agricultura familiar.
(Foto: Divulgação)
Na agricultura familiar da Mata Atlântica capixaba, mulheres têm assumido o protagonismo de propriedades rurais, investido em novos negócios, ampliado mercados e encontrado na união entre produção e preservação ambiental uma oportunidade para conquistar autonomia financeira.
Esse movimento ganha novo impulso com uma iniciativa que reúne agricultoras familiares e apicultoras do Espírito Santo para ações de recuperação da Mata Atlântica e fortalecimento de seus empreendimentos.
A ação prevê o plantio de mais de 600 árvores nativas no Caparaó e no Sul do Espírito Santo, com participação direta das produtoras rurais, além da compra de produtos cultivados por essas mulheres.
Mais do que a restauração ambiental, o projeto evidencia um fenômeno crescente no campo de mulheres que lideram negócios rurais e transformam desafios pessoais em oportunidades de geração de renda.
É o caso da apicultora Sandra de Oliveira, de 42 anos. Depois do fim de um casamento de mais de 20 anos, ela decidiu seguir sozinha na atividade que já fazia parte de sua rotina.
“Apesar de ter encerrado um ciclo da minha vida, das abelhas eu não me divorciei. Fiz questão de continuar na apicultura e recomeçar do zero. Assumi o desafio de cuidar sozinha das minhas próprias colmeias e, com o apoio da minha família, venho conquistando meus objetivos”, conta.
Hoje, Sandra já adquiriu 20 caixas de abelhas, investiu em equipamentos para extração de mel e desenvolveu o projeto de uma agroindústria, cuja construção pretende iniciar no próximo ano. Paralelamente, administra uma propriedade com aproximadamente 4,6 mil pés de café.
Segundo ela, o aprendizado constante tem sido um dos principais combustíveis dessa nova etapa.
“Hoje, o que mais me motiva é seguir em frente, sempre com alegria e disposição para aprender. Tenho conhecido novas pessoas, feito amizades e encontrado oportunidades que estão abrindo novos caminhos para a minha vida”, acrescenta.
Superação de barreiras
A história de Sandra reflete uma realidade compartilhada por outras produtoras rurais que buscam superar barreiras históricas enfrentadas pelas mulheres no campo.
Para a agricultora familiar Daiana Carrari, de 35 anos, o acesso a capacitação, assistência técnica e novos canais de comercialização faz diferença na consolidação dos negócios.
“Como mulher no campo, já existe uma série de barreiras a serem superadas. As parcerias abriram portas para novos mercados e ofereceram assistência técnica, palestras e capacitações que ampliaram nosso conhecimento e nos ajudaram a enfrentar os obstáculos com mais segurança. Quando o agricultor tem acesso à informação e ao apoio de projetos sérios, as dificuldades se tornam mais leves e as possibilidades de desenvolvimento aumentam”, afirma.
Ela destaca que a permanência da mulher no campo depende também da construção de redes de apoio e da valorização do conhecimento.
“O caminho nem sempre será fácil. Existem obstáculos relacionados ao clima, ao mercado e à rotina do campo. Mas, com união, conhecimento, disposição para aprender e boas parcerias, é possível seguir em frente. É importante valorizar cada pequena conquista, cuidar da natureza e ter orgulho da história que estamos construindo. Cada novo dia é uma oportunidade para recomeçar e continuar cultivando sonhos”, completa.
A agricultora Bruna de Sousa Figueiredo, de 37 anos, também atribui parte da evolução de sua propriedade às oportunidades de capacitação e apoio recebidas ao longo da trajetória.
“Ao longo da minha caminhada, os projetos, as capacitações e as parcerias fizeram muita diferença. Essas iniciativas oferecem o apoio necessário para transformar sonhos em realidade, ampliar o conhecimento e criar oportunidades. Graças a elas, minha propriedade evoluiu e se tornou mais organizada, produtiva e preparada para continuar crescendo.”
Ela ressalta ainda que desenvolvimento econômico e conservação ambiental precisam caminhar juntos.
“A agricultura familiar é construída com dedicação, coragem e respeito à natureza. Por isso, deixo uma mensagem para quem está começando: cuide das matas, preserve a água, evite as queimadas e nunca desista dos seus sonhos. Com trabalho e perseverança, é possível construir uma bela história no campo”, conclui.
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Projeto busca ampliar renda para mulheres rurais
A iniciativa é desenvolvida em parceria entre o Instituto Brasileiro de Apoio ao Desenvolvimento Social e Econômico (IBA) e a Binatural.
Além da recuperação de áreas da Mata Atlântica, o projeto busca fortalecer o vínculo das comunidades com o território e ampliar oportunidades de renda para mulheres rurais.
Para Karina Nolasco, presidente e idealizadora do IBA, o protagonismo feminino é um dos principais resultados esperados da ação.
“Cuidar da terra e da vida é um trabalho que se faz com o coração, e a parceria com a Binatural fortalece muito esse propósito. O apoio ao plantio de mais de 600 mudas nativas melíferas é um gesto lindo de proteção às abelhas e de restauração da Mata Atlântica no Caparaó e no Sul Capixaba”, diz.
“Ver o protagonismo e o carinho das nossas agricultoras familiares liderando essa transformação nos enche de orgulho. É a prova de que a preservação do meio ambiente e o cuidado com as pessoas caminham juntos com a geração de renda”, acrescenta.
O plantio das mudas é resultado de uma campanha promovida pela Binatural durante a Semana do Meio Ambiente, que converteu o engajamento nas redes sociais em uma ação de restauração ambiental. Além do plantio, a empresa também fará a aquisição de produtos produzidos pelas agricultoras participantes.
Segundo Elaine Carvalho, gerente de Sustentabilidade e Comunicação Integrada da Binatural, a proposta busca integrar conservação ambiental e inclusão produtiva.
“Ao transformar o engajamento nas redes sociais em mais de 600 árvores plantadas, ampliamos o alcance da iniciativa para gerar também inclusão produtiva e oportunidades de renda. A participação das agricultoras no plantio e a aquisição de seus produtos mostram que preservação ambiental e desenvolvimento social podem avançar juntos, com resultados concretos para as comunidades”, afirma.
A executiva ressalta que a iniciativa faz parte de uma estratégia permanente da empresa voltada à agricultura familiar.
“Esta iniciativa não é uma ação isolada, mas parte de uma cultura construída a partir da proximidade com os agricultores familiares e do entendimento de que o desenvolvimento sustentável precisa gerar valor ambiental, social e econômico ao mesmo tempo. Ao envolver essas mulheres no plantio e adquirir seus produtos, contribuímos para preservar a Mata Atlântica, abrir novos mercados e fortalecer negócios rurais liderados por mulheres”, afirma Elaine.








