6 nutrientes que merecem atenção durante o uso de medicamentos à base de GLP-1
Medicamentos como semaglutida, liraglutida e tirzepatida transformaram o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Mas, à medida que seu uso cresce e os tratamentos se prolongam, surge uma questão importante: quando a ingestão de alimentos diminui, também pode diminuir o consumo de proteínas, vitaminas e minerais essenciais.

Alguns nutrientes que merecem atenção durante o uso de medicamentos à base de GLP-1 Foto Divulgação
Adriana Stravro, nutricionista e especialista em Doenças Crônicas não Transmissíveis conta que um grande estudo retrospectivo acompanhou 461.382 adultos que iniciaram o tratamento com agonistas de GLP-1. “Quase 13% apresentaram algum diagnóstico de deficiência nutricional nos primeiros seis meses de tratamento, percentual que chegou a 22,4% nos primeiros 12 meses”, ressalta.
A especialista revela que a vitamina D foi a deficiência mais frequentemente identificada, presente em 7,5% dos pacientes aos seis meses e em 13,6% aos 12 meses. Entre as complicações relacionadas às deficiências nutricionais, a anemia nutricional foi a mais frequente, registrada em 2,1% dos pacientes aos seis meses e em 4% após um ano.
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Efeito da semaglutida
Segundo Adriana, outro estudo piloto, publicado em 2025, avaliou o efeito da semaglutida sobre a absorção de ferro em pacientes com diabetes tipo 2. Os pesquisadores realizaram um teste oral de absorção de ferro antes do início da semaglutida e repetiram o procedimento após 10 semanas de tratamento.
A nutricionista complementa que, após o uso da semaglutida, a resposta do ferro sérico ao teste foi significativamente menor, sugerindo redução da absorção de ferro. “Em 17,6% dos participantes, essa resposta foi reduzida em pelo menos 30% em relação à avaliação inicial”, destaca.
Também publicado em 2025, mais um estudo avaliou a alimentação de usuários de agonistas de GLP-1 por meio de registros alimentares de três dias, encontrou ingestão média de 863 mg/dia de cálcio, 266 mg/dia de magnésio e 12,1 mg/dia de ferro, valores abaixo das referências utilizadas pelos pesquisadores.
Adriana ressalta, entretanto, que é importante diferenciar ingestão inadequada de deficiência nutricional. “Estudos de ingestão alimentar podem identificar consumo abaixo das recomendações, mas não diagnosticam, por si só, uma deficiência nutricional. Quando mantida ao longo do tempo, uma ingestão insuficiente pode aumentar o risco de depleção dos estoques corporais e, dependendo do nutriente e de fatores individuais, contribuir para o desenvolvimento de deficiência”, esclarece.
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O ferro está presente em alimentos como carnes Foto Seara/Divulgação
Atenção a estes nutrientes
A especialista destaca a seguir alguns nutrientes que merecem atenção e em quais alimentos é possível obtê-los. Confira:
1 – Ferro
Está presente em alimentos como carnes, vísceras, feijões, lentilha, grão-de-bico, tofu, sementes e cereais fortificados. É essencial para a formação da hemoglobina e para o transporte de oxigênio. A deficiência de ferro pode causar cansaço, fraqueza e queda de cabelo e, quando progride para anemia ferropriva, podem surgir palidez, falta de ar aos esforços e redução da capacidade física.
2 – Vitamina D
Poucos alimentos apresentam quantidades naturalmente significativas de vitamina D. Entre as fontes estão peixes gordurosos, gema de ovo e alimentos fortificados, embora a síntese cutânea após exposição à radiação UVB seja uma importante fonte para o organismo.
A vitamina D é fundamental para a absorção de cálcio e fósforo, mineralização óssea e função muscular. Sua deficiência frequentemente é assintomática, mas, quando mais acentuada ou prolongada, pode causar fraqueza muscular, dor óssea e osteomalácia e, ao comprometer a saúde óssea, contribuir para maior risco de quedas e fraturas, especialmente em pessoas mais velhas.

Leite, iogurte e queijos estão entre as principais fontes de cálcio Foto Pngtree/Divulgação
3 – Cálcio
Leite, iogurte e queijos estão entre suas principais fontes alimentares, além de bebidas vegetais fortificadas, sardinha com espinha e alguns vegetais, como couve e brócolis. O cálcio é fundamental para a saúde óssea, contração muscular e função neuromuscular. Uma ingestão insuficiente mantida por longos períodos pode favorecer a perda de massa óssea e aumentar o risco de osteoporose e fraturas, especialmente quando associada à deficiência de vitamina D.
4 – Magnésio
Encontrado em castanhas e sementes, leguminosas, cereais integrais e vegetais verde-escuros. Participa de centenas de reações enzimáticas relacionadas ao metabolismo energético, à função muscular e ao sistema nervoso. A deficiência pode provocar fraqueza, fadiga, tremores, câimbras e outras alterações neuromusculares. Em casos mais graves, podem ocorrer alterações do ritmo cardíaco e convulsões.

Sementes e castanhas são ótimas fontes de magnésio Foto Pngtree/Divulgação
5 – Tiamina (vitamina B1)
Presente em cereais integrais e fortificados, leguminosas, sementes, castanhas e carne suína. É fundamental para o metabolismo energético e para o funcionamento do sistema nervoso. Embora a deficiência não esteja entre as mais frequentes nos estudos com GLP-1, ela merece atenção principalmente em pacientes com ingestão alimentar muito reduzida ou episódios persistentes de náuseas e vômitos, situações que podem levar à deficiência mais rapidamente. A deficiência grave pode causar alterações neurológicas e cardiovasculares.
6 – Vitamina B12
Encontrada em carnes, peixes, ovos, leite e derivados, além de alimentos fortificados. É necessária para a formação das células sanguíneas e para o funcionamento adequado do sistema nervoso. Sua deficiência pode causar anemia megaloblástica, fadiga, formigamento, alterações de sensibilidade e outros sintomas neurológicos.

A Tiamina (vitamina B1) está presente em cereais integrais e fortificados Foto Sabores Ajinomoto/Divulgação
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Importante
Adriana destaca ainda que é fundamental diferenciar ingestão inadequada de deficiência nutricional.
De acordo com sua informação, consumir menos de determinado nutriente pode aumentar o risco de inadequação, mas não significa necessariamente que o paciente desenvolverá uma deficiência.
A nutricionista explica que alguns dos estudos disponíveis avaliaram a ingestão alimentar, enquanto outros investigaram alterações em marcadores laboratoriais ou deficiências diagnosticadas. “Por isso, a avaliação periódica do estado nutricional, associando a análise da alimentação, sinais e sintomas e, quando indicado, exames laboratoriais, podem ajudar a identificar precocemente possíveis inadequações ou deficiências e orientar a necessidade de ajustes na alimentação ou suplementação”, orienta a especialista.
Adriana Stavro é nutricionista Mestre pelo Centro Universitário São Camilo, Curso de formação em Medicina do Estilo de Vida pela Universidade de Harvard Medical School, especialista em Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) pelo Hospital Israelita Albert Einstein e pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional pelo Instituto Valéria Pascoal (VP) Pós-graduada em Fitoterapia pela Courses4U








