Governo busca fortalecer os estoques reguladores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), instrumento utilizado para reduzir oscilações de preços e garantir oferta de produtos básicos em momentos de quebra de safra ou dificuldades logísticas
(Foto: Reprodução Aprosoja)
O governo federal anunciou um pacote de R$ 1,3 bilhão em ações para mitigar os impactos do fenômeno El Niño sobre a produção agropecuária, o abastecimento de alimentos e a infraestrutura do país.
Entre as principais medidas voltadas ao setor agropecuário está o reforço dos estoques públicos, com a compra de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz, além da aquisição de 350 mil cestas de alimentos destinadas a populações vulneráveis.
As medidas foram apresentadas pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e combinam ações emergenciais e estruturantes para enfrentar os efeitos do fenômeno climático, que deve provocar seca nas regiões Norte e Nordeste, atraso das chuvas no Centro-Oeste e Sudeste e aumento do risco de enchentes no Sul do país.
No campo do abastecimento, a estratégia do governo busca fortaalecer os estoques reguladores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), instrumento utilizado para reduzir oscilações de preços e garantir oferta de produtos básicos em momentos de quebra de safra ou dificuldades logísticas.
Além da recomposição dos estoques de milho e arroz, o governo vai adquirir 350 mil cestas de alimentos para atendimento de povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares, grupos considerados mais vulneráveis aos efeitos dos eventos climáticos extremos.
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A preocupação do governo reflete o potencial impacto do El Niño sobre a produção agrícola.
A estiagem prevista para parte do Norte e Nordeste pode comprometer lavouras e a disponibilidade de água para irrigação e dessedentação animal, enquanto o atraso das chuvas no Centro-Oeste e Sudeste tende a afetar o calendário de plantio da safra de verão.
No Sul, a expectativa é de chuvas acima da média, elevando o risco de enchentes e prejuízos às atividades agropecuárias.
Além das medidas voltadas ao abastecimento, o plano prevê reforço da atuação da Defesa Civil nas regiões sujeitas a enchentes, com investimentos em obras corretivas em barragens e diques, em parceria com estados e municípios.
Nas áreas mais suscetíveis à seca, o governo anunciou a ampliação do efetivo de brigadistas federais e a compra de equipamentos para prevenção e combate aos incêndios florestais, além da continuidade de investimentos em segurança hídrica.
Entre as ações estruturantes destacadas pelo governo estão as obras da Integração do Rio São Francisco, que beneficiam cerca de 12 milhões de pessoas nos estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, além de investimentos em adutoras, canais, cisternas, reservatórios e recuperação de barragens em nove estados do Nordeste e do Maranhão.
A ministra também destacou iniciativas já em andamento para reduzir a vulnerabilidade climática do país, como a queda do desmatamento — de 50% na Amazônia, 32,5% no Cerrado e 63% no Pantanal — e o processo de restauração florestal em 3,4 milhões de hectares.
Fonte: Agência EBC








