Ambas apresentam resistência ao nematoide das galhas e à mancha de ramulária, presentes nas principais regiões produtoras de algodão do País
Combinando alta produtividade e elevado nível de sanidade, com resistência múltipla às principais doenças da cultura e a nematoides, as duas novas cultivares da Embrapa, em parceria com a Lyntera, chegam ao mercado.

As novas cultivares incorporam biotecnologia para resistência a lagartas e tolerância a herbicidas Foto Edna Santos/Embrapa/Divulgação
A BRS 510 B2RF e BRS 810 B3RF incorporam biotecnologia para resistência a lagartas e tolerância a herbicidas. Outro destaque é o desempenho no campo, com teto produtivo que chega a cerca de 7,6 t/ha na primeira safra e supera 5,3 t/ha na segunda.
O agrônomo Camilo Morello, pesquisador e coordenador do programa de melhoramento genético do algodoeiro da Embrapa Algodão (PB), explica que as duas cultivares são transgênicas e incorporam tecnologias da Bayer para proteção contra as principais lagartas do algodoeiro e tolerância ao herbicida glifosato. A BRS 510 utiliza a Bollgard 2 RRFlex (B2RF), enquanto a BRS 810 conta com a Bollgard 3 RRFlex (B3RF), que acrescenta um mecanismo de ação e amplia a proteção contra lagartas. As tecnologias também facilitam o manejo de plantas daninhas.
“Com essas cultivares esperamos proporcionar redução nas perdas por nematoides; maior controle de lagartas; tolerância ao herbicida glifosato, o que facilita o manejo de plantas daninhas; e resistência a doenças importantes, como ramulária, mancha-angular e doença-azul. Enfim, uma melhoria da sanidade geral da lavoura, reduzindo riscos produtivos e, potencialmente, os custos com defensivos”, destaca o agrônomo.
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Resistência ao nematoide das galhas
Ele ressalta que ambas as variedades têm resistência ao nematoide das galhas (Meloidogyne incognita). Esse nematoide causa perdas de até 50% na produtividade da lavoura de algodão, o que compromete o sistema radicular e o desenvolvimento das plantas.
Além disso, segundo informação do especialista, elas apresentam resistência múltipla às principais doenças da cultura, como bacteriose, doença-azul e, principalmente, mancha de ramulária (causada pelo fungo Ramulariopsis pseudoglycines), presente nas principais regiões produtoras de algodão do País com perdas de produtividade de
25% a 35% em condições normais e até superiores a 70% em casos de alta severidade.
Morello informa ainda que ambas são adaptadas a solos arenosos. “Apesar das características em comum, as duas cultivares apresentam diferenças que podem orientar sua indicação para distintas condições de cultivo”, completa o pesquisador.
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A BRS 510 B2RF é também resistente ao nematoide reniforme, causador de prejuízos superiores a 60% na produtividade do algodão Foto Nelson Suassuna/Embrapa/Divulgação
Resistência também ao nematoide reniforme
O pesquisador da Embrapa frisa que além do nematoide das galhas, a BRS 510 B2RF é também resistente ao nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis), causador de prejuízos superiores a 60% na produtividade do algodão em áreas com altas infestações.
“Os nematoides são vermes microscópicos que estão entre os principais desafios fitossanitários à cotonicultura brasileira, pois parasitam as raízes das plantas e provocam prejuízos bilionários ao setor”, explica o agrônomo.
Morello destaca ainda que a produtividade média da cultivar atinge cerca de 7,6 t/ha na primeira safra e supera 5,3 t/ha na segunda safra. É indicada para áreas comerciais de alto rendimento, inclusive onde há histórico de pressão por nematoides e doenças, nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Ceará, Tocantins e Paraná.
Qualidade da fibra e estabilidade produtiva
O pesquisador da Embrapa informa que a BRS 810 B3RF não só apresenta resistência a bacteriose, doença-azul, mancha de ramulária e nematoide das galhas, mas também se destaca por possuir fibras que superam as exigências da indústria têxtil: alcança produtividade média de cerca de 7,3 t/ha na primeira safra e 5,2 t/ha na segunda.
Segundo ele, é indicada para cultivo em primeira safra ou abertura de segunda safra no Cerrado e outras regiões consideradas aptas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) – como Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí, Tocantins, Minas Gerais e Paraná –, assim como para cultivo irrigado no Semiárido.
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A BRS 810 B3RF é resistente a doenças importantes da cultura e possui fibras que superam as exigências da indústria têxtil Foto Nelson Suassuna/Embrapa/Divulgação
Aliadas importantes no manejo integrado
Nelson Suassuna, fitopatologista da Embrapa Algodão e um dos responsáveis pelo desenvolvimento das cultivares, explica que a ramulária ocorre em todo o Brasil e é a doença que demanda mais aplicações de fungicidas: 8 a 10 por safra. Já os nematoides, apesar de estarem disseminados em quase todas as regiões produtoras, têm impacto maior em áreas específicas do Cerrado, como o oeste da Bahia e Mato Grosso. “Essas cultivares podem ser aliadas importantes nessas regiões de alta pressão de nematoides e doenças”, afirma.
De acordo com sua informação, além do uso de cultivares resistentes ou tolerantes, as estratégias de manejo dos nematoides e da ramulária incluem rotação de culturas com plantas não hospedeiras, aplicação de nematicidas e fungicidas químicos ou biológicos, bem como a limpeza de equipamentos e maquinas agrícolas para evitar a contaminação de novas áreas, no caso dos nematoides.
Onde encontrar?
As sementes das novas variedades podem ser adquiridas na empresa Lyntera.
Telefone: 61 99937-4526
Endereço: BR 020, KM 6, St. Industrial, Formosa – GO
E-mail: contato@lyntera.com.br








